Marcos Coimbra: “É zero a chance de Bolsonaro terminar o mandato bem”

Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, aposta que Bolsonaro chegará em 2022 desmoralizado pelo péssimo governo que faz, e isso fará o eleitorado repensar sua escolha. Ele ainda faz alerta sobre as pesquisas de opinião feitas na pandemia. Assista na TV GGN

Jornal GGN – Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, disse ao GGN, na tarde desta terça (1º), que Jair Bolsonaro chegará em 2022 desmoralizado pelo péssimo governo que faz e isso deve forçar o eleitorado a repensar sua escolha nas urnas. Ele ainda fez um alerta sobre as pesquisas de opinião feitas remotamente na pandemia. A entrevista foi concedida ao jornalista Luis Nassif, para a série Refundação do Brasil.

Coimbra abriu a entrevista no Youtube respondendo que é especialmente difícil saber para onde a opinião pública caminha hoje. “Depois do início da pandemia, nossas ferramentas de captação do que as pessoas falam ou pensam ficaram limitadas”, disse sobre as pesquisas remotas.

Mas é interessante notar a decadência de Bolsonaro. Em novembro de 2018, lembrou Coimbra, o Datafolha captou uma expectativa positiva em 60% do eleitorado em relação ao novo governo. A maioria não sabia o que viria pela frente, mas estava disposta a experimentar.

Bolsonaro “tinha a faca e o queijo na mão” naquele início. Um ano depois, o Datafolha captou que sua popularidade caiu para 29%, metade do que ele teve no 2º turno contra Haddad, considerando os votos válidos. A trajetória desde então é de queda, apontou Coimbra.

Alguns institutos têm mantido as pesquisas de opinião em meio à pandemia, mas Coimbra chamou atenção para o viés que esses estudos podem conter. No caso da pesquisa por telefone, por exemplo, quem aceita responder já tem uma “pré-disposição” a falar de política.

“Não sabemos o que acontece porque não temos como entrevistar a grande maioria da sociedade brasileira, que são as pessoas de baixa renda, baixa escolaridade e baixo interesse por política”, frisou.

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Entra em pauta a estratégia eleitoral de 2018. Coimbra lembrou que o clã Bolsonaro bebeu da mesma fonte que Donald Trump, cuja campanha teve as digitais de Steve Bannon. Toda a metodologia ficou clara depois que o escândalo da Cambridge Analytica veio à tona.

Vamos lembrar: a extrema-direita em diversas partes do mundo usou dessa “inteligência centralizada”. Bannon fez escola com o Breitbart News, site que publica fake news como se fosse jornalismo. Trump emprestou daí os ataques à honra de adversários. Bolsonaro não ficou atrás.

Antigamente os homens públicos tinham a preocupação de elaborar discursos minimamente comprometidos com a informação e a verdade objetiva. O fenômeno Bolsonaro, que usa a mentira e a manipulação como armas, teria rompido de vez com esse perfil? Como superar em eleições futuras?

Marcos Coimbra ainda reflete sobre esse aspecto da política. Ele destacou que as instituições brasileiras que deveriam ser isentas e ajudar a intermediar o debate político foram “partidarizadas”, desmoralizadas, e contribuíram para este cenário desolador.

“A partidarização das instituições do setor público, do Judiciário, do Ministério Público, assim como a hiper partidarização da imprensa no Brasil, acabou levando [as instituições] para dentro do combate político e ideológico. Como acreditar em alguém que é parte da briga?”

E agora: é possível acreditar na refundação do Brasil? Um Brasil sem o obscurantismo bolsonarista? Marcos Coimbra disse que sim. “Acredito que a durabilidade do bolsonarismo é limitada. É quase o oposto do que aconteceu com Lula.”

“Lula foi uma grata surpresa para 70% da sociedade brasileira. Em 2006, na reeleição dele, apesar do Mensalão, ele já era alguém que a população podia dizer: ‘esse cara é bom’. O fato é que Bolsonaro não é isso”, disse Marcos Coimbra.

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Bolsonaro “faz um péssimo governo. A equipe dele é de péssima qualidade, intelectual e moralmente falando. Não tem experiência administrativa. É gente comprometida com tudo que tem de menor.”

Para Coimbra, “Bolsonaro vai terminar o mandato, mas com popularidade em queda, porque as entregas na saúde, educação, habitação, emprego, renda, ciência, cultura, relações internacionais, em todas as áreas, a entrega é de péssima qualidade e não vai melhorar.”

Coimbra acrescentou: “Tem uma pedagogia da experiência. Quando a desmoralização do novo é muito visível, o velho fica mais sedutor.”

“Arrisco dizer que é 0 a chance de Bolsonaro terminar o mandato bem. Assim como é 0 a chance dele não terminar o mandato. Não só pq existe uma coalizão sólida em torno da agenda que ele representa, mas pq p/ uma parte grande da sociedade, é cedo p/ dizer: ‘esse cara não presta’.”

Coimbra reforçou que as pesquisas de opinião na pandemia estão ouvindo por telefone “uma proporção desequilibrada do eleitorado, onde a parcela bolsonarista está mais representada que a petista.” É possível que Lula, por ex., esteja melhor avaliado e as pesquisas ainda captaram.

No final das contas, as condições materiais de vida das pessoas é determinante para o futuro de Bolsonaro. “Estamos numa gravíssima crise e nada de relevante vai mudar.” A decepção fará com que “as pessoas repensem as escolhas que fizeram”, apostou.

Na entrevista, Marcos Coimbra ainda falou sobre o impacto das lideranças neopentecostais no eleitorado, sobre o desarranjo do mercado de opinião no Brasil, a ideologia da classe média “metropolitana”, entre outros pontos.

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2 comentários

  1. Marcos Coimbra é sempre um pensador que merece ser ouvido atentamente. Parabéns ao Jornal GGN pela escolha.

    Também considero “serem nulas as chances de Bolsonaro chegar ao final do mandato bem, pois as condições materiais de vida das pessoas é que serão determinante para o seu futuro político”.

    Também considero que: é “zero” a chance dele não terminar o mandato, pois existe uma coalizão sólida da “Elite do Atraso” em torno da agenda que ele representa, e porque, para uma parte relevante de seus eleitores, é cedo para dizer: “esse cara não presta’.”

  2. É impossível que Bolsonaro termine o mandato bem? Nunca menosprezem a idiotia do brasileiro, esse é um povo demente. Perguntem ao brasileiro médio o que eles acham de Dilma e Lula: Vão dizer que roubaram muito e tinham que sair mesmo. A mediocridade e a imbecilidade fazem parte do DNA desse povo.

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