Marina Silva na CBN

Do Valor

Marina diz que PT a levou a erro na LRF e no Real

Ana Paula Grabois, de São Paulo
25/05/2010

Na tentativa de se aproximar do eleitorado antipetista, a pré-candidata à Presidência da República do PV, Marina Silva, disse que errou ao votar contra a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e o Plano Real quando era senadora, sob a orientação de seu antigo partido, o PT. “Eu digo que foi um erro nós não termos avaliado que havia um ganho com o Plano Real, ganho que o presidente Lula inclusive manteve com a Carta ao Povo Brasileiro, só que teve dificuldade de reconhecer isso”, afirmou. Ela também foi favorável ao que chamou de “Estado profissional e competente”, ao mencionar que é preciso dar importância à carreira no serviço público, com a abertura de concursos e valorização do mérito, sem aparelhamento da máquina pública.

Marina também se colocou a favor das reformas da Previdência e tributária. “O Brasil não aguenta mais o peso dos tributos e da ineficiência do Estado que cobra caro e oferece pouco em seus serviços”, disse a pré-candidata do PV. A pré-candidata do PV se disse contrária ao fim do fator previdenciário, mas defendeu o aumento de 7,7% aos aposentados, pois acha “justo” recompor a renda desse grupo. Marina disse que para contrabalançar o maior peso de reajustes do INSS é preciso fazer a reforma na Previdência.

Por outro lado, Marina lembrou de sua ligação com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ao se dizer favorável à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A candidata, contudo, condicionou o apoio à a redução de horas de trabalho ao aumento do emprego com carteira assinada sem levar ao aumento de horas extras. Segundo Marina, o próprio empresariado tem dificuldade para assimilar tal modificação em razão do “alto custo de produção” e do “custo elevado dos tributos.

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Marina minimizou o episódio no qual seu nome foi coberto por adesivos em faixas estendidas durante o lançamento da pré-candidatura de Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio, no domingo. A coligação estadual que tem Gabeira à frente, formada por PV, PSDB, DEM e PPS, dará palanque a Marina e a seu concorrente do PSDB, José Serra.

Durante entrevista à rádio CBN, Marina, ausente no evento de domingo, justificou ter havido preocupação da organização da campanha de Gabeira para evitar problemas com a Justiça Eleitoral, depois que o PV foi notificado pelo Ministério Público Eleitoral em Natal porque um grupo colocou uma faixa com seu nome na frente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. “Com base nessa notificação, o pessoal da campanha do Gabeira orientou que colocasse o ocultamento do nome, mas não tem nada a ver com política”, disse. Para Marina, os concorrentes Serra e Dilma Rousseff (PT) “extrapolaram” porque fizeram campanha eleitoral antecipada. “Foi uma orientação de quem não quer extrapolar como estão extrapolando aí a torto e a direito”, disse.

Após a entrevista à rádio, Marina disse que nem ela nem Serra não foram ao lançamento de Gabeira ao governo do Rio pois já havia acerto prévio. “Além disso, eu já tinha um impedimento neste domingo. Fiquei tentando melhorar (a voz), para dar esta entrevista”, disse. o comentar a coligação fluminense, a pré-candidata disse que Gabeira tem dito estar com o projeto nacional do PV, mas que a coligação está sendo construída de uma forma “muito delicada”. “O governador Serra está apoiando. Isso é muito bom, significa que o Gabeira é o melhor para o Rio de Janeiro e o projeto do PV é o melhor para o Brasil”, afirmou.

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Sobre a recente intermediação do Brasil com o Irã, Marina destacou que o Irã não respeita os Direitos Humanos. “O Brasil acabou dando uma audiência excessiva que nenhuma democracia ocidental deu ao Irã”, afirmou. Na sua avaliação, é recomendável que o governo brasileiro fique em “compasso de espera” sobre o desenrolar das decisões do Irã e que mantenha a pressão sobre o país.

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