Média de vida de moradores de Paraisópolis é 10 anos menor do que de vizinhos no Morumbi

Idade média ao morrer registrada de moradores de Paraisópolis foi de 63,55 anos, enquanto do Morumbi foi de 73,48 anos, segundo Rede Nossa São Paulo

Morumbi. Foto: Tuca Vieira

Jornal GGN – Levantamento divulgado pela Rede Nossa São Paulo, com base em dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde revela um fato surpreendente: a média de vida de moradores de Paraisópolis é dez anos menor do que de moradores do Morumbi, dois bairros adjacentes da zona Sul de São Paulo.

Em 2018, a idade média ao morrer registrada de moradores de Paraisópolis foi de 63,55 anos, enquanto do Morumbi foi de 73,48 anos.

Em entrevista ao portal da BBC News Brasil, o coordenador da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão, explicou que esse padrão, entre bairros que concentram a população mais pobre e bairros que concentram os mais ricos não é incomum. “Indicadores que mostram uma má qualidade de vida e, somado a outros, abaixa muito. Um ambiente desfavorável”, observou, refletindo que resultado da média de vida está atrelado a outras questões que vão desde a falta de infraestrutura de saúde à segurança pública.

Ainda segundo a Rede Nossa São Paulo, moradores da região de Paraisópolis esperam em média 75 dias para ter uma consulta com um clínico geral. No Morumbi, a média de espera é de apenas 1 dia. A média em todo município de São Paulo é de 19 dias.

“Eu acho que esse indicador [da idade ao morrer] é dos que mais retrata as diversas dimensões da desigualdade. São muitos indicadores que mostram como a desigualdade é cumulativa na nossa cidade. É uma desigualdade de renda, mas vai muito além disso. É uma desigualdade de serviços de saúde, educação, de saneamento, de segurança”, pondera Abrahão.

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Paraisópolis está localizada no distrito Vila Andrade, região que concentra o maior percentual de favelas da cidade: 49,15%. No Morumbi, a proporção é de 16,59%.

Há cerca de uma semana, no sábado (30), Paraisópolis foi palco de uma tragédia em decorrência de uma ação da Polícia Militar. Segundo testemunhas, agentes da segurança entraram em uma área onde acontecia o Baile da 17, uma festa de funk, que reúne ali milhares de pessoas todos os finais de semana, encurralando os jovens com armas de dispersão. Nove jovens morreram pisoteados e cerca de 10 ficaram feridos.

O procurador-geral da Justiça em São Paulo, Gianpaolo Smanio, determinou que o Ministério Público no estado investigue as mortes em Paraisópolis não como acidentais, por conta de pisoteamentos, mas como homicídio.

“Designei a promotora do júri para fazer a apuração a respeito dos homicídios que ocorreram em Paraisópolis. Ela vai acompanhar as investigações”, disse na terça-feira (3).

“Ninguém gosta de nove mortes; agora, a forma de lidar com isso é fazer uma apuração dos fatos”, completou.

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