Na gestão Alckmin, empreiteira construiu viaduto ligando estrada a fazenda particular com recursos públicos

Viaduto que beneficia fazenda da Serveng custou R$ 3 milhões e liga propriedade da empreiteira à Nova Tamoios Contornos; Gestão Dória diz que irá reavaliar custo da obra licitada por seu antecessor

João Doria e Geraldo Alckmin. Foto: Gustavo Rampini/Divulgação PSDB

Jornal GGN – Em um trecho do trajeto da obra Nova Tamoios Contornos, criada para conectar Caraguatatuba ao porto de São Sebastião, existe um viaduto que liga a estrada a uma fazenda. A obra não tem utilidade pública, apenas beneficia a empreiteira Serveng, dona da fazenda, contratada para a construção da Nova Tamoios Contornos. A informação é da Folha de S.Paulo.

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A obra teve custou cerca de R$ 3 milhões. Ainda segundo levantamento do jornal junto à Justiça, o grupo responsável pela empreiteira recebeu R$ 60 milhões do Estado por terras desapropriadas para a construção de estradas. “Em nenhum dos processos de desapropriação há referência à construção do viaduto como eventual compensação pelo uso das terras”, escreve Mario Cesar Carvalho que assina a matéria.

A Nova Tamoios Contornos é uma estrada ainda não finalizada de 33,9 quilômetros. O objetivo, além de ligar Caraguatatuba ao porto de São Sebastião, é evitar os engarrafamentos quando a duplicação da rodovia Tamoios estiver pronta.

Na época em que a obra foi licitada, em 2012, a então governo de Geraldo Alckmin comemorou o fato de o valor ter ficado 32% abaixo do preço (R$ 1,32 bilhão) de referência usado no processo de concorrência, de R$ 1,9 bilhões.

A Serveng ganhou o processo de licitação junto com a Queiroz Galvão. A previsão de entrega da obra era até 2017, mas agora não se sabe quando ficará pronta. Segundo medições mais recentes, 76,4% da estrada foi construída, mas Secretaria de Logística e Transportes de SP disse à Folha que irá contratar a Fipe (Fundação de Pesquisas Econômicas) para confirmar o que foi concluído e reavaliar os valores das obras.

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Entre as explicações para a variação do preço estão mudanças em relação ao traçado original, de 2012. O primeiro, licitado pela Dersa, era apontado pela Cetesb, agência ambiental do estado, como de grande impacto ambiental, porque seria construído próximo ao mar. Em 2016, quando a obra já havia começado, foi apresentado um novo traçado mais perto da Serra do Mar, por isso com mais quilômetros de túneis, pontes e viadutos.

A construção da Nova Tamoios Contornos está paralisada desde julho do ano passado. O governo acusa as empreiteiras de abandonarem, já as empresas apontam que o governo não respeitou o contrato.

O advogado especialista em concorrências entrevistado pela Folha, Toshio Mukai, afirma que “se o projeto da estrada mudou, o governo deveria ter feito uma nova licitação”. “É o que manda a lei”, completou. “Com tantas mudanças no projeto, não dá para saber se o menor preço de 2012 continuava valendo.”

A reportagem procurou o ex-secretário de Logística e Transportes e presidente da Dersa no governo Alckmin, Laurence Casagrande, para explicar o viaduto que liga a estrada à fazenda da família Serveng.

Por meio do seu advogado, Eduardo Carnelós, Casagrande disse que não se recorda do viaduto mas também disse não haver irregularidade na obra.

“O que talvez haja é a preservação de caminhos preexistentes e a manutenção da conectividade de propriedades que foram segmentadas pela instalação da nova rodovia, evitando, assim, o aumento desnecessário das desapropriações”, disse via e-mail.

“E isso, friso, certamente ocorreu em todo o traçado, independentemente de quem fossem os proprietários das áreas atingidas.”

“Enfatizo que eventuais viadutos ou outros dispositivos construídos com esse propósito não podem permitir o acesso privado à rodovia, que é fechada, conforme eu já esclareci. Portanto nenhum benefício foi proporcionado aos proprietários cujas áreas foram cindidas pela obra”, completou.

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Apesar de dizer que a estrada é fechada e não permite que seja acessada pelas alças, a Folha afirma que, no trecho que a reportagem visitou, é possível chegar à fazenda pelo viaduto a partir da estrada.

*Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

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6 comentários

  1. Aeroporto nas terras da familia, rouboanel, crateras em metrô e cartel do metrô, desvio do dinheiro da merenda escolar, aumento exponencial de patrimônio de muitos tucanos, contas em offshore e muito mais, porém nada disso interessa ao MP Estadual e Federal. Nunca foi o caso.

  2. MENSALÁO TUCANO, PETROLÃO TUCANO, TRENSALÃO TUCANO, MERENDÃO TUCANO. Se o Sérgio Moro não quer ‘ MELINDRAR ‘ quem o apóia, é sinal que seu CENSO DE JUSTIÇA tem lado e preferência. Então entendemos porque FHC aparece em momentos oportunistas, para dar-lhe apoio e exigir o cumprimento da Justiça, sabendo que seus CRIMES e do seu FEUDO TUCANO, não serão explorados. Se fosse apenas AEROPORTO nas terras de Aécio Neves ( o neto da fraude redemocrática familiar, parceiro, ministro de Caudilho Ditador Fascista), mas qualquer Paulista sabe das Estradas Fechadas de Picolé, Serra, Covas,… criando ‘Aparthaids Sociais e de Mobilidade’ para impedir a evasão da extorsão da Indústria de Pedágios. Braço Bilionário das Privatarias. Viadutos nas frentes de Condomínios de Alto Padrão construídos pelas mesmas Empreiteiras das Rodovias duplicadas com Dinheiro Público e Lucro Privado são a realidade de todo interior e litoral paulista. A Rodovia Raposos Tavares SP 270, privatizada pelo medíocre Mario Covas, avô do Nepotismo Tucano de triste realidade para a Capital Paulista, o Prefeito que não conserva nem o que foi construído por outros Governos, espera por DUPLICAÇÃO entre Vargem Grande e Sorocaba há mais de 20 anos, apesar de # PRAÇAS DE PEDÁGIO em 60 kms. Curvas, Pista Simples, falta de acostamentos, escuridão, lombadas, colisões, atropelamentos, mortes, morte e mais mortes. Mas o mais inacreditável sobre todos estes CRIMES? Onde estão as forças progressistas, os partidos de esquerda e de oposição, o PT a exigir da Justiça, de Dellangol, Sérgio Moro e TRF’s, o mesmo tratamento e celeridade que impõe ao seu partido e Presidente Lula?

  3. Sobre o aspecto geográfico, urbanístico, logístico ou econômico, nada se poderá dizer sem que se vejam planos,projetos, traçados, processos de licitação e acompanhamento das obras.
    Já sob o aspecto político, podemos dizer que Alckmin criou um corvo de asas bem fétidas e bico destrinchante, cujo cadáver em decomposição a ser devorado é ele.
    É compreensível até certo ponto deixar-se seduzir pelo agripino dória – PHD em bajulação continuada. Mas, cara pálida, continuar seduzido mesmo após iminente e anunciada ruína, é um erro imperdoável, punido apenas pela própria consequência do excesso de confiança.
    Assim se finou Geraldo Alckmin, a vítima perfeita.

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