‘Não é correto dizer que Lula não deixa novas lideranças surgirem’, afirma Boulos

Líder do MTST diz que é injusto culpar ex-presidente pela liderança no campo de esquerda há três décadas

Guilherme Boulos durante entrevista para o programa No Jardim da Política, da Rádio Brasil de Fato. Foto: José Eduardo Bernardes

Jornal GGN – Em entrevista ao programa “Morning Show”, da “Rádio Jovem Pan”, o líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, defendeu o protagonismo conquistado desde os anos 1980 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cenário político brasileiro e afirmou discordar da avaliação de alguns de que a liderança do petista atrapalha o surgimento de novas lideranças na esquerda.

“Sucessão não se faz pedindo licença, as pessoas se afirmam. No meu ponto de vista essa (de que Lula não deixa novas lideranças surgirem) não é uma avaliação correta, novas lideranças se constroem. Nos anos 80, quando Lula se firmou, a principal liderança da esquerda era o Brizola. O Lula não pediu licença a ele, concorreu contra ele em 1989… Jogar nas costas do Lula que ele está impedindo a renovação da esquerda não acho correto”, ponderou.

Boulos destacou ainda que a prisão de Lula, além de ‘armada’, tornou o cenário político brasileiro incerto.

“A sombra do tamanho da liderança do Lula não é só para a esquerda. Ele foi tirado (do processo eleitoral) quando estava na liderança das pesquisas, normal que paute a política. Enquanto ele continuar preso por um processo que considero armado, não tem como jogar de lado e ignorar. Isso não quer dizer que a esquerda não tenha o dever de se renovar com outras agendas”, observou.

O líder do MTST defendeu a agenda sobre o modelo de desenvolvimento do Brasil levado adiante por uma nova esquerda.

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“Uma delas é o debate do modelo de desenvolvimento. Está chegando a um limite. O planeta está sendo destruído. Vimos o absurdo que é ter um presidente que nos fazer passar vergonha internacionalmente, dizendo que (a solução) para problema de sustentabilidade é de fazer coco um dia e outro não, enquanto isso liberando agrotóxicos, envenenando nossa comida, contaminando a água… O Brasil não pode ser a fazenda da China, da União Europeia exportando só soja. A nossa pauta exportadora é mais primária de agronegócios e minério do que era nos anos de 1980, precisamos pensar um modelo que não seja predatório, que não produza tragédias como de Mariana e Brumadinho, que não envenene comida, que não mate índio… A esquerda tem a responsabilidade de pensar”, disse.

Boulos também criticou o ministro da Educação Abraham Weintraub destacando que este mentiu ao não reconhecer a importância do Método Paulo Freire de alfabetização no ensino do país.

“Vamos falar o português claro Weintraub: mentiu descaradamente, é um mentiroso. Ele desinformou porque disse que em nenhum país do mundo se adota o Método Paulo Freire. posso citar vários, mas vou citar de um só, que é o que ele mais admira: Estados Unidos. A escola de ensino médio público melhor avaliada, ganhou premiação em 2014, usa o Método Paulo Freire no Massachusetts. Na Alemanha o método está sendo usado para refugiados”, destacou Boulos.

*Com informações do UOL

2 comentários

  1. Meu respeito por ele aumenta a cada dia pois ele não é de ficar jogando culpa nos outros ele vai a luta para conquistar seu espaço por isso aco que quando o Lula morrer é ele que irá tomar o lugar do petista como principal lider das esquerdas e não ninguem do PT que fica cheio de dedos esperando a bênção do tio.

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    • Eu penso que a história reserva esse espaço para a Manuela. Boulos tem muito caminho a percorrer.

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