Nos EUA, Bolsonaro disse que “a maioria dos imigrantes não têm boas intenções”

Presidente do Brasil disse ainda que o muro tem que ser construído para separar EUA do México, que nunca ouviu falar de Marielle até ser morta e, ainda, que ele e Trump têm muito em comum.

Imagem: Reprodução

Jornal GGN – “Estou disposto a abrir meu coração para ele e fazer o que for bom para o benefício do povo brasileiro e americano”, disse o presidente do Brasil Jair Bolsonaro em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O brasileiro está em viagem oficial a Washington e tem um encontro marcado nesta terça-feira (19) com o líder norte-americano.

A entrevista foi concedida para a TV norte-americana Fox News, exibida nesta segunda-feira (18). O canal é o favorito de Donald Trump, que estabeleceu uma verdadeira guerra contra a imprensa local, mesmo assim não deixou de fazer perguntas incômodas ao brasileiro.

“Nossa conversa amanhã será baseada nas perspectivas de ajudar uns aos outros. Porque, apesar de brasileiros [sabemos] que os EUA é um país grande economicamente e também militarmente. É sempre bom, claro, nutrir relações de amizade com um país como o Brasil na América do Sul”, disse.

Bolsonaro não quis responder sobre o projeto de permitir que os EUA construa uma base militar no Brasil e a preocupação que isso pode causar na Rússia e na Venezuela, podendo aumentar a tensão regional.

“Nossa conversa será sobre negócios”, desviou. A respeito da Venezuela e o papel que os militares brasileiros poderiam ter no conflito, o presidente disse que não podia falar “sobre todas as possibilidades”, mas que o Brasil é o país mais interessado em acabar com a “ditadura do narcotráfico”.

Bolsonaro defendeu ainda a construção do muro para separar os Estados Unidos do México, que Donald Trump corre para concluir antes de entregar seu mandato presidencial em dezembro deste ano.

E quando questionado sobre a política migratória do norte-americano, que tem sido apontada por críticos e analistas como racista e xenófoba respondeu: “Acredito que aqueles que são contra o muro deveriam remover as portas e os muros de suas próprias casas”.

Em seguida, Bolsonaro disse que “a maioria dos imigrantes não têm boas intenções” e não pretendem fazer bem “ao povo dos Estados Unidos”. “Devemos a nossa democracia no hemisfério Sul aos Estados Unidos”, completou.

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A visão de Bolsonaro corrobora a declaração polêmica que seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) fez no sábado (16) ao dizer que os brasileiros que vivem de forma ilegal no exterior são “uma vergonha para o país”.

Nesta segunda, Bolsonaro anunciou que o país dispensou a exigência de visto para cidadãos dos Estados Unidos visitarem o Brasil. O gesto não foi acompanhado por Donald Trump em relação aos brasileiros que visitarem os Estados Unidos.

O brasileiro expressou sua admiração pelo líder norte-americano. “Você sabe que temos muito em comum, quando percebo as coisas do Brasil. Eu sempre o admirei. Não negarei que fui muito criticado por isso, mas obviamente não negarei o que penso (…) e quero garantir que o Brasil seja uma grande nação, assim como o Trump, por sua vez, quer fazer a América grande novamente”, disse. “Estou disposto a abrir meu coração para ele e fazer o que for bom para o benefício do povo brasileiro e americano”, completou.

Quando questionado sobre as acusações de ser racista, misógino e homofóbico, assim como Trump, Bolsonaro disse que seus críticos “pegam frases totalmente fora de contexto”.

“Eu não tenho nada contra os homossexuais ou mulheres, eu não sou um xenófobo, mas eu quero ter minha casa em ordem. A definição de uma família, na minha opinião, é a mesma definida na Bíblia”, declarou o presidente do Brasil segundo a sua interpretação das escrituras.

Contra aqueles que o chamam de racista, Bolsonaro disse que seu sogro “é conhecido como um grande homem preto”.

“Eu não posso ter nada contra negros, meu sogro é conhecido como um grande homem preto. Então, eles pegaram essas frases totalmente fora do contexto para me criticar”.

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A repórter perguntou, em seguida, porque Bolsonaro compartilhou na sua conta via Twitter um vídeo pornográfico no Carnaval e se ele não ponderou que o ato poderia gerar controvérsias.

“Bem, na verdade não. Eu sempre agi dessa maneira também, e uma das coisas que me fizeram ser eleito presidente foi meu senso de respeito às famílias, princípios, tradições e costumes. Claro que eu respeito a nossa cultura, bem como a nossa religião. Eu sou cristão e não posso me tornar presidente e mudar totalmente meu jeito de viver e fazer as coisas, o que é muito comum nos círculos políticos”, se justificou.

Sobre o paralelo que alguns fazem o chamando de “Trump dos trópicos”, incluindo o uso das redes sociais como mecanismo de comunicação, Bolsonaro apontou a imprensa como responsável pela circulação de informações falsas, afirmando que a “grande mídia brasileira é virtualmente dominada pela mídia da esquerda”.

Sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e a conexão entre os policiais presos envolvidos no crime e sua família, Bolsonaro respondeu que, como “ex-capitão do exército” tem “em grande parte” e “por coincidência” bons amigos na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Forçou que não conhece Ronnie Lessa, um dos suspeitos de ter assassinado Marielle, e que sua casa, no mesmo condomínio, não é vizinha a casa do miliciano, mas sim “do outro lado da rua”.

“A mídia que sempre me criticou queria estabelecer uma conexão clara. Mas eu nunca vi esse cavalheiro no meu condomínio, onde passei muito tempo fora (…). Eu realmente não gasto muito tempo, para você saber, me envolvendo na vida social com eles [vizinhos do condomínio]. Só aprendi que ele [Ronnie Lessa] viveu lá depois que o artigo se tornou público”.

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Sem ser perguntado a respeito, ele voltou a apresentar o filho mais novo como aquele rapaz que namorou todas as garotas do condomínio fechado – uma resposta que a família Bolsonaro tem dado depois que saiu na imprensa que Jair Renan Bolsonaro teria namorado a filha de Ronnie Lessa.

“Tentaram dizer que meu filho mais novo, que tem atualmente 20 anos, poderia ter namorado ou tido um caso com ela [a filha de Ronnie]. Ele respondeu que saiu praticamente com todas as garotas do condomínio fechado. ‘Eu posso lembrar se você me mostrar a imagem e ver quem é ela’, meu filho disse”, contou a história sorrindo para a jornalista da Fox News.

Sobre Marielle, Bolsonaro disse que teve conhecimento dela depois de sua morte. “Nunca ouvi nada sobre sua vida e quais pontos, que tipo de motivação poderia possivelmente ter levado ao assassinato dela”, em seguida Bolsonaro usou a estratégia de colocar o foco sobre o atentado contra ele.

“No entanto, a pessoa que me esfaqueou foi de um partido de esquerda em 2014. E no dia seguinte [ao atentado] foi representado por advogados renomados”. Bolsonaro completou que “algumas pessoas provavelmente ficaram frustradas” porque ele não foi morto.

Sobre a aproximação entre sua família e Steve Bannon “um dos arquitetos-chave” que trabalharam com Trump, sobretudo na campanha eleitoral, Bolsonaro disse que o membro da família mais próximo de Bannon é o filho Eduardo.

“Eu não estou aqui para causar qualquer desconforto entre ninguém, mas eu quero dizer que, esses formadores de opinião que trabalham e vivem nos EUA, nos reunimos e fui convidado a juntar-me a eles nesse jantar de trabalho e, claro, tenho que ser gentil com todos”.

5 comentários

  1. O vagabundo Jair Bolsonaro disse que “a maioria dos imigrantes não têm boas intenções”. Ele está parcialmente certo. Os antepassados dele eram imigrantes e o descendente que eles deixaram no Brasil é mal intencionado.

    • Primeiro, ele disse uma bobagem e reconheceu que o fez. Segundo, os imigrantes italianos a que te referiste vieram legalmente. A fala era sobre imigrantes ilegais.

  2. E agora? Quem vai embalar mateus? Eh muito despreparo e burrice. Os patos amarelados têm um prizidenti a altura!

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