“Nossa turma precisa compreender mais profundamente o que são as redes”, diz Manuela D’Ávila

"Muitos erros de diagnósticos se dão em função da incapacidade das pessoas perceberem que a internet não é um espaço de comunicação simplesmente", diz Manu ao GGN. Assista

Jornal GGN – As lideranças das esquerdas superestimaram o peso da propaganda eleitoral televisiva e o poder econômico e de mobilização social inerentes aos grandes partidos políticos tradicionais. Acreditaram que, sem nenhum desses dois requisitos, Jair Bolsonaro não iria longe na eleição presidencial de 2018.

Com 15 anos de vida pública, usando a internet para se comunicar e prestar contas aos eleitores desde o primeiro mandato, Manuela D’Ávila (PCdoB) não enxergava no uso das redes sociais e nas fake news uma questão menor. A então candidata a vice-presidente da República na chapa formada com Fernando Haddad (PT) via favoritismo em Bolsonaro, mas ouvia de caciques e analistas políticos os diagnósticos que se provaram equivocados quando o resultado foi proclamado.

Manuela participou da última edição do programa Cai Na Roda – realizado pelas jornalistas mulheres do GGN no Youtube – e foi questionado sobre o que seria preciso melhorar para a eleição de 2022. Ela apontou que está na hora da esquerda aprender que “não existe contradição entre redes e ruas” e que é preciso ocupar e disputar a política nos dois espaços.

“ERRO DE DIAGNÓSTICO”

“Eu realmente acho muitos erros de diagnósticos se dão em função da incapacidade das pessoas perceberem que a internet não é um espaço de comunicação simplesmente. É um espaço de formação e de disputa de ideias. Eu particularmente sempre achei que Bolsonaro era o candidato favorito. Me diziam: ‘ele não tem tempo de TV’. Me diziam: ‘ele não tem partido nacional’. Só que ele tinha ferramentas que fazia ele ter um partido nacional, a relação direta com as pessoas a partir das redes sociais. Acho que nós não entendemos ainda que as redes são uma espécie de assembleia popular permanente”, comentou.

“Acho que nossa turma precisa compreender mais profundamente o que são as redes, o que são as fake news, o que é esse espaço de uma política muito mais horizontal. As pessoas existem e elas sabem que elas existem, então nosso debate sobre democracia deve ser feito de forma radicalizada. É full time transparência. Não existe decisão que não possa ser submetida ao escrutínio”, acrescentou Manuela.

Leia também:  Manchetes dos jornais dos EUA

FRENTE AMPLA E ANTIPETISMO

Questionada se o antipetismo ainda será determinante em 2022, levando partidos de esquerda a pressionar o PT a abrir mão de uma candidatura própria, Manuela respondeu: “Deus me livre colocar requisitos para qualquer um. O pré-requisito é que a gente consiga ter um programa.”

“Agora, existem duas coisas para mim que são óbvias: existem setores da esquerda iludidos com a possibilidade de que o antipetismo seja dirigido ao PT. Não é. O antipetismo é antiesquerda, ‘anti’ nós, ‘anti’ nossas ideias.”

Segundo ela, o “PT está no centro [dos ataques] pelo simples fato de que é o principal partido de nós todos, e tem o principal líder político, que é o Luís Inácio”, mas a “cruzada da extrema-direita” no mundo é contra a ideologia das esquerdas.

Na visão de Manu, “não existe como a gente construir esse projeto para 2022 baseado no antipetismo. Se é preciso que estejamos juntos, também é preciso que uma turma nossa supere isso.”

“Eu me sinto com legitimidade para dizer isso porque eu era candidata à Presidência em 2018. Eu sei o que significaria a candidatura de uma mulher naquela conjuntura, sobretudo uma mulher jovem. Não significava pouca coisa para mim e para o PCdoB, e nós abrimos mão pela unidade.”

Manu ainda afirmou que ela e o PCdoB trabalharão pela unidade.

Assista a entrevista na íntegra abaixo:

Confira um resumo da entrevista, em texto:

É ilusão achar que a cruzada da extrema-direita é restrita a um partido, diz Manuela D’Ávila

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. Tem uma vascularização muito grande nas redes sociais a favor do discurso conservador, negacionista e reacionário. A esquerda e o resto do campo democrático estão muito atrasados nesse processo. Temos poucas chances de reverter esse quadro até 2020.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome