Novos cortes na Educação não são descartados, diz Weintraub

Ministro da Educação compara gastos públicos no setor aos gastos pessoais, entretanto Ipea já mostrava que R$ 1 investido público na Educação corresponde a aumento de R$ 1,85 no PIB

Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse durante café da manhã com jornalistas, promovido pelo próprio MEC na terça-feira (14), que novos cortes no orçamento da pasta não estão descartados.

“Esta semana tem reunião com o JEO [Junta de Execução Orçamentária] na quinta e na sexta, e vou perguntar para o Paulo Guedes [ministro da Economia] especificamente sobre isso”, explicou, segundo informações de jornalista do Valor Econômico que estava no encontro.

“Hoje, não tenho como antecipar, minha vida tem sido realmente bem corrida”, completou.

Weintraub comentou ainda que não pode garantir a blindagem do orçamento do MEC. “A única certeza na vida é a morte e os impostos, isso é 100%”, ironizou. Apesar do contingenciamento, o ministro fez questão de elogiar Guedes. “Ele é uma pessoa técnica e muito afável”, segundo sua avaliação.

A decisão do governo Bolsonaro de contingenciar R$ 29,5 bilhões no Orçamento, via decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União, teve repercussão negativa, especialmente em relação aos cortes no MEC, pasta mais atingida com a redução de R$ 5,8 bilhões. Pela Lei Orçamentária Anual, a Educação tinha R$ 23,6 bilhões a sua disposição, portanto agora são R$ 17,8 bilhões em caixa. Leia também: Dia Nacional de Greve na Educação – manifestações ocorrem em todo o país

Em seguida, o MEC divulgou um comunicado informando que universidades e institutos federais “tiveram 30% das suas dotações orçamentárias anuais bloqueadas”. Os motivos inicialmente, não foram explicitados em nota. Mas em uma entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, Weintraub associou os gastos em universidades com “balbúrdia” praticada nos espaços educacionais.

A série de ações de contingenciamento do MEC incluem ainda o recolhimento de bolsas Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A ação aconteceu no início do mês, quando a gestão de várias universidades, ao entrar no sistema para nomear novos contemplados de bolsas, descobriram o recolhimento delas.

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Em nota, a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) se manifestou afirmando que a suspensão de bolsas pode atrapalhar na retomada do descimento do país porque afeta as pesquisas.

“Esses cortes que atingem o pior orçamento da década para esses setores consolidam um projeto de governo que fere de morte o ensino superior, a pós-graduação e a ciência nacional, enterrando qualquer possibilidade de retomada do desenvolvimento brasileiro e de futuro”, pontuou a entidade.

No café da manhã com jornalistas, o ministro da Educação comparou ainda à necessidade dos cortes na sua pasta com a gerência comum na vida cotidiana de cada cidadão.

“Isso é gerenciar. Eu gerencio: ‘o que precisa agora? Comprar remédio e trocar o pneu do carro’. é importante, mas dá para segurar para o segundo semestre. Dá, fica com pneu careca, mas o meu filho está com dor agora. Então, vai administrando e é isso que estamos fazendo”, disse.

A fala de Weintraub revela a maneira como o atual governo não considera o retorno social do investimento público. Um trabalho elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) demonstra que cada R$ 1 investido pelo governo em ações sociais traz de volta R$ 1,37 em riquezas para a economia do país. Ainda, de acordo com a entidade, a educação é a área que mais gera valor para a economia: cada R$ 1 investido pelo governo no setor corresponde a R$ 1,85 de aumento no PIB.

Além de olvidar dados disponíveis pelo instituto público, o ministro da Educação defendeu, mais uma vez, a reforma da Previdência como caminho único para resolver o déficit orçamentário da União.

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“Se não passar, o câmbio vai bater R$ 4,50, o preço do diesel sobe, vai ter greve de caminhoneiros”, alardeou. Segundo Weintraub, o diálogo entre o governo e as Universidades estaria acontecendo, voltando a questionar a eficiência dos gastos público nestas instituições.

“Com quase 40 dias, a gente recebeu 50 reitores aqui. Eles vêm e eu explico o contingenciamento”, afirmou completando que apesar do corte criar “polêmica e celeuma” a proposta é melhorar a aplicação dos recursos: “Será que as universidades estão gastando direitinho?”, concluiu.

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5 comentários

  1. ele é muito limitado ..isso não é economista

    TÁ NA HORA do sindicado e ORDEM preservarem o nome da Categoria e PUNIR estes ANIMAIS que ofendem dezenas de milhares de profissionais com seus achismos e interesses vulgares (aqui, muitos ditos articulistas e analistas do PIG

    Não se trata de ACHAR, mas de ciência (discordando aqui de A.ARAÚJO) PLENAMENTE comprovada pela prática histórica, ou que EXIGE de comprovação pela teoria exposta ..despesa não é investimento ..são coisa diderentes, embora ambas exigem desembolsos, gastos, dispêndios

    em tempo – e este COISO ainda deu aula na UNIVERSIDADE FEDERAL DE OSASCO ..como mestre, professor, influenciando toda uma geração pela falta de opositor …PQP

  2. É apenas impressão minha…
    ou todos ministros de Bolsonaro foram escolhidos por serem o inimigo público nº 1 de suas respectivas áreas?

    historicamente sobram sinais reconhecíveis de que não querem apenas a nossa carteira, querem a nossa vida e a vida dos nossos descendentes, o nosso futuro

  3. Uma das coisas que eu nunca entendi foi o porque Abraham Weintraub saiu do mercado financeiro para assumir posição de prof. assistente em universidade pública. Ele foi sócio de corretora e Diretor do Banco Votorantim. Por que saiu do banco em agosto de 2012 (https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2019/04/quem-e-abraham-weintraub-o-novo-ministro-da-educacao-do-governo-bolsonaro.html) para assumir cargo no qual ganharia uma fração (pequena) do valor que receberia antes?

    O Processo Administrativo 002/2012 da Bovespa parece ser a resposta (http://www.bsm-autorregulacao.com.br/atividades-disciplinares-e-processos/acompanhe-os-processos/parecer/2012-002-pad ). Ele trata de operações de manipulação de mercado ocorridas em 2008 e 2009, enquanto Weintraub era diretor da Votorantim Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. Como responsável pelo cumprimento de normas, ele deixou que clientes do banco fizessem atividades combinadas para criar distorções nos preços de ativos. Ele propôs Termo de Compromisso pagando R$ 45.000,00 na época (a Corretora pagou R$ 300.000,00). A proposta de Termo de Compromisso de Weintraub data de 4/7/2012 (sua demissão ocorre em agosto do mesmo ano).

    Após sua demissão, parece que Weintraub não conseguiu se recolocar no mercado financeiro, tentando carreira em universidade pública federal, na qual passou a receber vencimentos como Professor Assistente, emprego pelo qual recebia pouco mais de R$ 5.000,00 até o final de 2018 (http://www.transparencia.gov.br/servidores/5506210 ).

    O atual ministro já apresentou evidências, mais de uma vez, que não é muito hábil no trato de valores financeiros (por exemplo, no caso das Provas do Saeb ou nos percentuais dos cortes orçamentários do MEC). Não dá para saber se ocorreu situação semelhante no processo da Bovespa, mas acho que, a partir de agora, a dúvida é outra: como é que uma pessoa conseguiu posição de comando no mercado financeiro durante tanto tempo sendo tão incompetente?

  4. Ainda que mal pergunte, esse elemento , agora importante ministro, deu aulas de que, na Universidade de Osasco?🎓
    Responda com cuidado, porque segundo recente pronunciamento do seu respeitável presidente, 🤡direto de Dallas, os estudantes hodiernos(gostou?) não são alfabetizados e sequer conhecem uma regra de três porque foram educados na era PT, e que, portanto, não justificam qualquer investimento na educação.📚 (Afff!!!)
    Seja educado, porque respostas de ódio envenenam (😡 – 😇)

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