O ping-pong dos militares e Amorim

Do UOL

Dilma nomeou nacionalista Amorim para acalmar militares, dizem analistas

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Brasília

A decisão da presidente Dilma Rousseff de nomear o ex-chanceler Celso Amorim para ocupar o lugar de Nelson Jobim no Ministério da Defesa serve para dar aos militares um nacionalista de peso no cenário político para comandar a pasta que controla as Forças Armadas. É esse o entendimento de analistas ouvidos pelo UOL Notícias nesta quinta-feira  (4).

Ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e ministro dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o peemedebista Jobim perdeu o cargo depois de uma série de controvérsias com Dilma e com membros do Palácio do Planalto. Mais longevo ministro da Defesa – ficou mais de quatro anos – ele é tido como um interlocutor eficiente dos militares.

“Há quem diga que Dilma errou porque indicou um diplomata, como José Viegas, que passou só dois anos na pasta no governo Lula”, disse o cientista político David Fleischer, da UnB (Universidade de Brasília). “Mas Amorim é bem diferente. Foi ministro de Relações Exteriores duas vezes e muitas opiniões nacionalistas dele coincidem com as dos militares. Isso pesa.”

Entre as posturas nacionalistas que Amorim compartilha com os militares, estão a defesa de um papel mais ativo para o Brasil no mundo e a necessidade de reequipar as Forças Armadas – o ex-chanceler foi um dos principais negociadores da bilionária compra de caças, ainda não concluída. Ele defende a aquisição de aviões franceses, para evitar os norte-americanos.

Para Francisco Fonseca, da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), Amorim terá habilidade para negociar uma agenda de defesa para o Brasil, embora a pasta não tenha funções claras desde que foi desidratada pela criação da Secretaria de Aviação Civil. “Ele foi membro de um governo que sempre se manifestou de forma nacionalista. Jobim era mais discreto nisso”, afirmou.

Comissão da verdade

O cientista político afirma que Amorim já criou um espaço grande como chanceler e que é uma figura política da mesma estatura de Jobim. “Isso não significa que não haverá discordâncias. Na questão da Comissão da Verdade, que se propõe a investigar crimes cometidos pela ditadura, Amorim deve ter a posição do governo. Jobim estava com os militares”, afirmou.

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Já Luciano Dias, do IBEP (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos), acredita que a escolha de Amorim se deve em parte ao nacionalismo do diplomata e em parte à “falta de opção”. “Ele foi um dos primeiros ministros do Lula que a Dilma repeliu. Teve de apelar a ele por absoluta falta de uma figura que preenchesse aquele espaço”, afirmou.

Dias também prevê atritos entre Amorim e os militares por conta da Comissão da Verdade. Mas avalia que “a falta de importância da pasta, já que o Brasil não tem política de defesa, pode tornar o trabalho do futuro ministro menos tumultuado”. “O governo Dilma se segura na popularidade do governo Lula, a questão do Ministério da Defesa é menor”, afirmou.

Para os três especialistas, Dilma foi forçada a demitir Jobim, depois de ele demonstrar insubordinação nas críticas a duas das principais assessoras do governo: as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). “Não dá para ter superministro em um governo que está se afirmando”, resumiu Fonseca, da FGV.

Por foo

Parece que Jobim deu mesmo um tiro no pé, pois até mesmo aqueles que o apoiavam admitem que sua saída era inevitável. Ou seja, ele sai enfraquecido.

Do Correio do Brasil

Amorim é garantia de modernização e democratização na área militar

Lamentável sob todos aspectos a saída do Ministro Nelson Jobim do governo Dilma Rousseff, já que ele vinha prestando serviços inestimáveis ao país na pasta da Defesa. Sua substituição, no entanto, tem de ser compreendida como inevitável. Diante dos fatos, não restava a presidenta da República outra alternativa.

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Felizmente a nomeação do ex-chanceler Celso Amorim garante a continuidade do trabalho de implantação do Ministério da Defesa e da nova politica de defesa nacional. Temos com ele uma garantia do prosseguimento dos programas de modernização das Forças Armadas e da continuidade da politica de democratização na área.

Uma democratização que se expressa na aprovação pelo Congresso, provavelmente já nos próximos dias, da Comissão da Verdade, que vai proporcionar a revisão de um período histórico e conturbado da vida nacional, e na votação da proposta do fim do sigilo eterno de documentos e de informações.

Celso Amorim tem experiência e mais do que isso história e autoridade para exercer o cargo de Ministro da Defesa. Com ele à frente da Pasta ganham o governo, o país e as Forças Armadas.

http://correiodobrasil.com.br/amorim-e-garantia-de-modernizacao-e-democr…

Do Estadão

Militares veem em Amorim a ”pior” opção

Tânia Monteiro / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A escolha do ex-chanceler Celso Amorim para substituir Nelson Jobim no Ministério da Defesa desagradou a almirantes, generais e brigadeiros e foi considerada “a pior surpresa” dos últimos tempos pelos militares, só comparável à escolha de José Viegas Filho, também diplomata, no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, para o mesmo cargo.

No caso de Celso Amorim, de acordo com oficiais-generais da ativa ouvidos pelo Estado – e que não podem se identificar para não quebrar o regulamento disciplinar – a situação é ainda mais delicada. Todos eles conhecem as posições assumidas pelo ex-chanceler em sua passagem pelo Itamaraty, quando, segundo avaliam, ele “contrariou princípios e valores” dos militares.

Apesar de toda contrariedade, os militares, disciplinados, não pensam em tomar qualquer atitude contra o novo ministro da Defesa. Não há o que fazer, além de bater continência para o sucessor de Nelson Jobim. Para os militares, a escolha de Amorim tem “o dedo de Lula”, dizem.

Dilma Rousseff é a presidente da República e cabe a ela escolher o novo ministro da Defesa e, aos militares, acatar a decisão. “É quase como nomear o flamenguista Márcio Braga para o cargo de presidente do Fluminense ou do Vasco, ou vascaíno Roberto Dinamite como presidente do Flamengo”, comentou um militar, recorrendo a uma imagem futebolística e resumindo o sentimento de “desgosto” da categoria. “O governo está apostando na crise”, observou outro oficial-general, explicando que Jobim conquistou autoridade mas ninguém sabe como será a reação da tropa caso haja algum problema que obrigue Amorim a fazer valer sua autoridade.

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O maior desafio para os militares é que, durante todo o governo Lula, Celso Amorim usou a ideologia para tomar decisões e conduzir a política externa brasileira. Além disso, Amorim priorizou a relação com Fidel Castro, de Cuba, e Hugo Chávez, da Venezuela, além de Mahmmoud Ahmadinejad, do Irã. “Ele colocou o MRE a serviço do partido”, salientou outro militar, acrescentando que temem, por exemplo, a forma de condução do programa nuclear brasileiro. Isso porque Amorim sempre defendem , segundo esses oficiais, posições “perigosas” no que se refere aos programas de pesquisa que constam nos planos das Forças Armadas.

Outro oficial salientou ainda que, em vários episódios, Jobim, saiu em defesa dos militares, inclusive contra a posição de Amorim. “E agora, quem nos defenderá?”, observou ele, acrescentando que temem até o risco de uma certa politização do processo de promoção dos militares.

Depois de reconhecer que os militares estão subordinados ao poder civil, um oficial-general questionou por que colocá-los abaixo de outra categoria.

Outro militar fez questão de lembrar que, durante os anos em que foi ministro das Relações Exteriores, Amorim nunca contrariou ninguém durante sua gestão e quando sua posição foi colocada em xeque, mudou de opinião. Isso, na área militar é muito ruim. 

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