Os sindicalistas e a gestão pública

Comentário do post “Para futuros historiadores entenderem o fenômeno Lula”

A elite sindical que assumiu o poder em 2002 possuía condição apenas aparente para comandar a máquina do governo federal com eficiência e alta capacidade de organização. Dentre outros motivos porque a tarefa a qual se submetem é geralmente sub-avaliada ou desconhecida pela classe política e público em geral.

Os representantes em Brasília, São Paulo, Minas, Rio, Paraná e todos os demais – jogadores em sua maioria oportunistas num sistema político elitista, viciado e corrupto – são despreparados e incompetentes. Essa é a regra clara e cristalina a vista de todos, ignorada constantemente e de maneira solene pela maioria. 

Muito embora seja relativamente fácil e superficial dizer que o país continental é cheio de diferenças políticas, econômicas e sociais, a mais pura realidade é que poucas atividades de governo ao redor do mundo são tão complicadas e desafiadoras igual a brasileira.

Aqui se sobrepõem município, estados e União. Há multipartidarismo. Controle da informação por alguns clãs. Apenas 10% da população tem ensino superior e mais de 60% é composta de analfabetos funcionais.

Problemas não resolvidos e super difíceis de avaliação e resposta causam o assassinato de 50 mil pessoas por ano. Moradia, educação, saúde, mobilidade são outros a espera de solução que não veio antes, vem aos poucos agora e se menterá dramática nas próximas dezenas de anos.. 

É nesse contexto que assume o Sarney e o substitui um canastrão de novela. De repente a presidência cai no colo do Itamar que joga a batata para um sociólogo metido a intelectual que arruinou o país.

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Por último assume um sindicalista que – assim como TODOS OS OUTROS – jamais teve qualquer experiência de governo; ou então uma visão mais ampla, sistêmica e de longo prazo para o estado brasileiro.

Ao final foi bem sucedido e sua preocupação com o social tornou-se um exemplo mundial de solidariedade e valorização do ser humano. Apenas por este símbolo e pelo imenso valor que significa já merece ser considerado um bom presidente. 

Mas não me engano, a política de distribuição de renda tem um efeito “maravilhoso” e admirável, mas entre as possíveis medidas de um governo não deixa de ser aquela mais fácil e com maior retorno de dividendos políticos.

Há outras na fila de espera.. Mas para compreendê-las elas seria necessário perspectiva menos personalista e mais institucional.

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