Petrobras anuncia abertura de processo de venda de mais quatro refinarias

Proposta faz parte do plano de desestatização; Com o anúncio recente, estatal confirma intenção de repassar 50% da sua capacidade nacional de refino

Refinaria Gabriel Passos, de Minas Gerais. Foto: Geraldo Falcão/Banco de Imagens Petrobras

Jornal GGN – A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) o que chamou de “teasers”, ou “divulgação de oportunidades à iniciativa privada”, com a venda de mais quatro unidades de refino e logística da empresa: Refinaria Gabriel Passos (REGAP) em Minas Gerais, Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) no Amazonas, Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR) no Ceará e Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) no Paraná, incluindo todos os ativos logísticos ligados a essas estruturas.

Em prospectos compartilhados para a imprensa sobre a abertura dos processos de venda, a Petrobras apresentou a continuidade do processo de desestatização como “oportunidade única para acessar o mercado brasileiro de produtos derivados de petróleo”.

“O Brasil é o sétimo maior consumidor de derivados e o décimo maior produtor de petróleo do mundo, e seu mercado de derivados de petróleo está projetado para crescer acima da média do crescimento mundial”, completou a direção da estatal.

Em junho, a Petrobras assinou um acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) onde estabeleceu prazo para a venda das refinarias e estruturas logísticas até o fim de 2020. Em troca, a companhia teria a suspensão de investigações sobre abuso de poder econômico no mercado.

Naquele mesmo mês, a companhia brasileira anunciou a venda de outras quatro refinarias:  Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Alberto Passos (Refap), no Rio Grande do Sul.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, o primeiro pacote de vendas atraiu tradings de combustíveis internacionais, petroleiras chinesas e a Raízen, empresa criada pela Shell e a Cosan. Mas os processos de venda ainda não entraram na reta final.

Com o anúncio feito nesta sexta-feira (13), da abertura de venda de mais quatro refinarias e suas estruturas logísticas, a Petrobras confirma o repasse de cerca de 50% da sua capacidade nacional de refino para empresas privadas.

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Em relação à infraestrutura de dutos, a Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), chamada também de Regap, detém 720 quilômetros que ligam o terminal de recebidos de petróleo na Baía de Guanabara até a refinaria, ativo que também entra no processo de venda.

“Essa transação transformará o mercado de derivados de petróleo no Brasil”, argumenta a Petrobras no prospecto de vendas.

Apesar de ser apresentado de forma positiva pela companhia, o processo de desinvestimento recebe críticas de especialistas do setor. Em entrevista à TV GGN, o ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, lamentou a venda de ativos.

“A Petrobras está sendo esquartejada. Já vendemos os gasodutos, que compõe um ativo fundamental para a operação de todo o sistema”, destacou se referindo à venda da  TAG (Transportadora Associada de Gás), companhia responsável por uma rede de 4,5 mil km de extensão de gasodutos localizados nas regiões Norte e Nordeste, para um grupo formado pela francesa Engie com recursos do fundo canadense CDPQ, em abril deste ano.

“Se há interesses empresariais, financeiros e estrangeiros que querem conquistar o mercado brasileiro pela ‘competição’, a bandeira que eles levantam à torto e a direito, porque eles [grupos privados e estrangeiros] não constroem uma refinaria para concorrer com as refinarias da Petrobras?”, questiona Estrella.

*Clique aqui para ler a matéria com a entrevista de Estrella na íntegra. 

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3 comentários

  1. Como tudo que está acontecendo na Petrobrás desde FHC (suspenso pelo lulopetismo e do golpe:
    E S C A N D A L O S O e C R I M I N O S O !!!
    O papel do conselho e diretoria de uma empresa no capitalismo NÃO é se preocupar com a concorrência, mas de superá-la, crescer e ganhar fatias de mercado. Estão fazendo o contrário!
    Na pior das hipóteses isto poderia até ser uma preocupação de governo (muito provavelmente equivocada, no caso da empresa ser do ESTADO governado).
    Os espertos e predadores concorrentes e financistas estrangeiros (sim, porque a medíocre elite nacional sequer tem bala na agulha) estão fazendo uma FESTA ÚNICA no mundo capitalista, sem sequer disparar uma bala, como no Iraque.
    Os creticínicos hipócritas que afirma que não deve haver interferência política nas estatais estão fazendo exatamente isso (política neoliberale entreguista na veia DENTRO da empresa).
    Ainda virá o risco de acionistas (estrangeiros, pois CVM não é SEC) PROCESSAREM a Petrobrás depois de toda esta liquidação tenebrosa e sem contestação dos verdadeiros donos: o CONTRIBUINTE, que formou e manteve a Petrobrás. Ou seja mais prejuízos nesta balada louca, autorizadacriminosa e irracionalmente pelo STF.
    Nem a direção, nem o conselho nem o governo deveriam ter autoridade para vender o que NÃO É DELES. Nem o Congresso deveria ter autoridade para tanto, mas apenas o eleitor, em referendo, pois os valores são tão grandes que comprar o suficiente no Congresso é a “mórmoleza”!
    O Brasil está sob um conluio consciente ou não, envolvendo crenças (e não razões) quase religiosas de destruição do estado, incluindo os 3 poderes, mais o 4o. poder da imprensa (míRdia) e um 5o. virtual nascido em 1988, o tal MPF.
    O que vai restar deste atualmente único país (muito) atrasado no mundo com tamanho, população e riquezas de ponta, que deveria estar disputando desenvolvimento humano, tecno-científico, militar e sócio-econômico somos nós:
    Uma eterna e cada vez mais colonia de luxo do século XXI.
    Uma gigantesca Brumadinho do século XXII.

  2. Complementando meu comentário precedente:
    Qualquer empreendedor, empresário ou executivo iniciante sabe que todo investimento tem um tempo de retorno (se tiver) e desfazer-se de empreendimentos cujo investimento sequer ou recém acabou, vendoando-os (e ainda financiando-os com dinheiro público, sem maiores desembolsos pelo “compradonatário”) antes sequer do retorno, significa jogar (muito) dinheiro (nosso!) fora.
    Vejamos o caso Renest, onde se diz que o valor gasto foi muito maior que o previsto e superfaturado. Considerando que ela nem está a pleno vapor para amortizar os enormes investimentos, sejam eles de que monta for, mais depreciações, “impairment tests” e custos iniciais superiores, vamos ver se e por quanto ela será vendida…
    Será como Pasadena, que além do alto valor de compra e dos espertos pagamentos jurídicos, teve afinal fortes investimentos para tornar-se lucrativa e logo que passou a dar lucro, mas antes de amortizar todo o investimento, foi vendida por valor vil, com prejuízo.
    Até quando nós brasileiros (otários?) pagaremos investimentos de empreendimentos estratégicos que não são feitos pelo setor privado e quando dão lucro, são entregues a este mesmo setor, e nós não vemos o retorno, que, pior ainda, irá para outros países?
    Até quando empreendimentos utilitários já totalmente amortizados (ex. gasóleodutos) são entregues para privadas estrangeiras e passamos a ter que pagar aluguel pelo que já era nosso?
    A T É Q U A A A A A N D O ???!!!

  3. Pergunte a um bolsomínion e veja ele gaguejar:

    “Se existe um monopólio definido em lei, para o refino de petróleo apenas pela Petrobras, como é que ela está vendendo refinarias para a iniciativa privada?”

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