Poderia a seleção colombiana salvar a eleição do presidente Santos?

Jornal GGN – Poderia uma vitória da seleção de brasileira influenciar na disputa eleitoral deste ano? Essa é uma pergunta que muitos brasileiros certamente já fizeram e, em função disso, virou mote de articulistas espalhados por todos os cantos do País. A dúvida sobre o poder que a satisfação com o mundial pode exercer sobre os cidadãos também virou pauta para a colunista política colombiana Juanita Léon.

No artigo “¿Podrá salvar la Selección Colombia a Santos?”, traduzido pela Agência Brasil, Juanita questiona se o desempenho do time de Pékerman seria favorável à releição do presidente Juan Manuel Santos, que ocorreu em junho. Segundo informações do Consulado da Colombia no Ceará, Santos chega a Fortaleza na tarde desta sexta-feira (4), para assistir à partida contra o Brasil. Ele toma posse do segundo mandato em agosto.

Para endossar o assunto, Juanita cita em seu artigo que “diversos estudos sobre impacto político de vitórias esportivas na Europa e nas Américas. E conclui: o presidente Juan Manuel Santos, reeleito no ano passado, foi favorecido pela goleada da Colômbia sobre a Grécia na Copa do Mundo, um dia antes do pleito. E poderia contar com uma onda de otimismo favorável no início do novo mandato, em agosto, se a seleção de Pékerman conseguisse vencer a brasileira.”

O artigo na íntegra.

Poderia a seleção colombiana salvar Santos?

Por Juanita Léon

Durante a Copa do Mundo a única coisa que interessa é o futebol. Mas o futebol também é político. E o desempenho da seleção, de fato, pode ser determinante para o futuro imediato do presidente Santos.
Para um presidente que quase perde a reeleição apesar de oferecer a promessa de paz e de contar com todos os personagens influentes da política a seu lado – menos Álvaro Uribe – reforçar o favoritismo junto aos colombianos é uma prioridade para Santos na arrancada para o seu segundo mandato.

A uma semana do segundo turno, 46% dos entrevistados pelo Ipsos diziam que não votariam em Santos de jeito nenhum, e apenas 41% tinham uma imagem favorável do presidente. Resultado semelhante ao obtido pela pesquisa da Cifras y Conceptos, em que o favoritismo de Santos era de 42% enquanto 55% o rejeitavam. Na Gallup, ele se saía melhor, mas apenas 52% tinham dele uma imagem favorável, e isso porque sua situação tinha melhorado em relação a maio, quando era bem avaliado só por 38% dos colombianos.

O não-favoritismo de Santos andava junto com o pessimismo da população quanto aos rumos do país. Mais da metade de seus conterrâneos (57% segundo a Gallup) acreditava que a Colômbia estava no caminho errado. Só um de cada três colombianos considerava bom o rumo escolhido.

Combater esse pessimismo pode ser tarefa para James Rodríguez, Pablo Armero, Juan Gillermo Cuadrado e sobretudo para Pékerman, o técnico da seleção.

Há vários estudos que documentam o impacto político das vitórias no esporte.  Um deles, sobre o Campeonato Nacional de Basquete nos Estados Unidos e seu impacto sobre as eleições e a imagem de Barack Obama mostrou que “a cada vitória do time dos entrevistados subia o favoritismo do presidente Obama em 2,3 pontos percentuais”.

Entre aqueles que eram fanáticos e estavam seguindo o torneio de perto, a vitória de seu time fazia subir em até 5 pontos percentuais a percepção favorável de Obama.

Na França, Jacques Chirac foi um dos ganhadores quando ‘Les bleus’ (os azuis, a seleção francesa) ganharam a Copa do Mundo em 1998 contra a seleção brasileira. A confiança dos consumidores alcançou o nível mais alto em 20 anos, segundo a BVA, uma das maiores empresas francesas de pesquisa, e os níveis de popularidade de Chirac dispararam, alcançando níveis mais altos do que em todo o seu primeiro mandato.

Uma janela de oportunidade

A julgar pela euforia dos colombianos com a seleção, Pékerman poderia impulsionar Santos se é que nós nos comportamos como os gringos. Antes mesmo das eleições ficou claro o efeito das vitórias no gramado nas eleições. O triunfo nacional acaba ‘despejando’ votos no presidente-candidato, como possivelmente aconteceu na Colômbia um dia depois da seleção de Pékerman golear por 3 x 0 a seleção grega na Copa do Mundo.

Mas, segundo vários estudos consultados por La Silla, essa janela de oportunidade é pequena: depois das eleições “as vitórias esportivas não têm tanto impacto”, como demonstra claramente um deles.
No mesmo sentido, uma pesquisa da Oxford Economics sobre o impacto econômico das Olimpíadas de Londres em 2012  sugere que a felicidade da população aumentou quando o desempenho das equipes foi melhor do que esperado mas o “impacto deixou de ser significativo depois de alguns dias”.

Concluindo, se a seleção tiver um desempenho tão bom quanto esperam os colombianos o grande beneficiário será Santos. Uma onda de felicidade coletiva poderá tomar conta do país até a sua posse em agosto. Dali para frente, terá que contar com sua própria performance.

Texto original: http://lasillavacia.com/historia/podra-salvar-la-seleccion-colombia-santos-48001

2 Comentários

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Pedro Penido dos Anjos

- 2014-07-04 21:10:52

Não entendi. A dona Juanita.

Não entendi.

A dona Juanita. especuladora séria que é, tinha mais é que profetizar qual seria o resultado de um eleijão que já ocorreu em junho.

Bruno Cabral

- 2014-07-04 15:24:53

Comprada?

Tenho um conhecido no Mexico que diz que la as criticas a selecao deles sao parecidas com as nossas. E eles tambem culpam o presidente como alguns aqui o fazem.

A imprensa golpista soltou alguns baloes supostamente sobre membros da equipe de Camaroes falarem de resultados comprados. So faltou dizerem que se o Brasil ganhar a copa nao vai ser pelo proprio merito mas por algum "arranjo" escuso da Fifa.

Vamos ver o resultado de hoje para continuar a especular (ou nao)...

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