Presidente do PSL critica manifestação pró-Bolsonaro: “é sem sentido”, diz Bivar

"Aos racionais, se o número não for suficiente, não é demonstração de fraqueza porque nada está me compelindo a ir a rua”, tenta justificar previamente líder do partido

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – O presidente do PSL, partido que elegeu Jair Bolsonaro para ocupar o Planalto, o deputado Luciano Bivar (PE) reafirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (21) que não é favorável a manifestação pró-Bolsonaro, organizada para acontecer no próximo domingo (26).

Os organizadores dos atos pelo país desejam fazer frente às manifestações que aconteceram na quarta-feira passada, 15 de maio, e levaram milhares às ruas de ao menos 170 cidades do país contra os cortes na educação e reforma da Previdência.

Outros grupos que apoiam o presidente temem que o volume de pessoas no ato pró-Bolsonaro seja menor, prejudicando ainda mais a imagem do governo.

“Aos racionais, se o número não for suficiente, não é demonstração de fraqueza porque nada está me compelindo a ir a rua. Não é um desejo inquebrantável de algo de mau que vai acontecer no país. E isso desestimula [o comparecimento]”, procura justificar previamente Bivar.

O líder do PSL também trabalha com a lógica de que Bolsonaro venceu as eleições dentro do jogo democrático, logo realizar manifestações em favor do seu governo perde o sentido.

“[O presidente] não precisa [que as pessoas façam manifestação] porque ele foi institucionalmente e democraticamente alçado ao poder. Não cometeu nenhum crime de improbidade, não cometeu nenhum crime administrativo. Tem uma rede social imensa”, comentou para a Folha.

“Para quê tirar o povo para uma coisa que já está dentro de casa? Já ganhamos as eleições, já passou isso aí. Eu vejo sem sentido essa manifestação”, completou.

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Logo quando surgiu a notícia sobre a organização dos atos pró-Bolsonaro, Bivar enviou um áudio para um grupo de deputados no WhatsApp: “Particularmente sou contra. Nosso presidente foi eleito legitimamente, por que botar em jogo uma pergunta popular se é a favor ou contra ele?”.

A crítica de Bivar tem sentido, porque é como se as manifestações de rua fossem uma nova forma de revalidar um governo. Antes de sofrer impeachment, grupos de oposição ao governo Dilma Rousseff organizam e incentivaram uma série de protestos nas ruas. O volume de manifestantes contribuiu para que parlamentares e deputados a votassem pelo impeachment.

A troca abrupta no poder do Planalto é uma das razões pelas quais, segundo cientistas políticos, a crise institucional no Brasil se aprofundou e, mesmo após o fim do governo Temer e entrada de um novo mandatário (teoricamente, dentro das regras eleitorais) a crise institucional ainda não foi resolvida no país e a falta de apoio das ruas poderá gerar uma nova situação de impeachment.

Segundo a Folha, Bolsonaro considera participar das manifestações de domingo. “A presença dele é defendida pelo núcleo ideológico do Palácio do Planalto, formado por seguidores do escritor Olavo de Carvalho. Para eles, a participação do presidente seria um gesto importante a seus apoiadores”, diz matéria assinada por Daniel Carvalho.

Crise no PSL

A deputada estadual paulista Janaína Paschoal também criticou a organização do evento. “Pelo amor de Deus, parem as convocações! Essas pessoas precisam de um choque de realidade. Não tem sentido quem está com o poder convocar manifestações! Raciocinem! Eu só peço o básico! Reflitam!”, escreveu em uma rede social neste domingo (19).

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Na segunda (20), a deputada decidiu sair de um grupo no WhatsApp de parlamentares do PSL. “Amigos, vocês estão cegos. Estou saindo do grupo, vou ver como faço para sair da bancada. Acho que os ajudei na eleição, mas preciso pensar no país. Isso tudo é responsabilidade”, escreveu ela, em seguida, Janaina saiu do grupo.

No mesmo dia, Janaína mandou áudios para colegas questionando a capacidade mental de Bolsonaro. “Eu peço que vocês assistam e me respondam se um presidente da República, na plenitude das suas faculdades mentais, publicaria um vídeo desses. Por favor”, disse ela na gravação, se referindo a um vídeo que o próprio presidente compartilhou de um pastor que o defendeu como um político “estabelecido por Deus” para guiar o Brasil.

Nesta terça (21), Bivar disse à imprensa que Janaína se limitou a sair de um grupo do WhatsApp e se mantém conectada com a bancada em outro grupo e que a parlamentar não irá deixar a legenda.

“Ainda hoje de manhã recebo uma mensagem carinhosa da Janaina dizendo: ‘Eu não vou sair do partido, apenas me manifesto contra'”, afirmou.

A crise no PSL também ficou exposta com a troca pública de mensagens entre as deputadas Carla Zambelli (PSL-SP) e Joice Hasselmann (PSL-SP), que também é líder do governo no Congresso. As duas começaram um bate-boca na noite de sexta-feira (17) passada, pelo Twitter em torno da reforma da Previdência e da medida provisória (MP) 870, que trata da reconfiguração dos ministérios.

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Zambelli acusou primeiro Hasselmann pela derrota do governo na comissão que analisou a MP 870 e que culminou na retirada do Coaf do Ministério da Justiça (Sérgio Moro) para o Ministério da Economia (Paulo Guedes) e devolução da Funai para o Ministério da Justiça, antes na Agricultura, entre outras medidas. A medida aguarda votação no Plenário da Câmara e depois será encaminhada para o Senado.

Pautas dos pró-bolsonaristas

Os líderes do PSL e membros do governo (incluindo os militares), contrários às manifestações pró-Bolsonaro programadas para o domingo (26), temem os discursos radicais dos manifestantes, além de um possível fiasco em termos de adesão.

Nas primeiras propagandas sobre o ato surgiram pautas como fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, com auxílio de uma intervenção militar. Agora, o foco oficial dos manifestantes é aumentar a pressão sobre os partidos que compõem o chamado centrão do Congresso, apontados por eles como responsáveis pela paralisia do governo.

Os militantes pró-Bolsonaro levantam ainda o apoio à reforma da previdência, continuidade da Operação Lava Jato, pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, além da MP 870 que reduziu para 22 o número de pastas – se a medida não for aprovada pela Câmara e Senado em duas semanas, o efeito do texto expira e o governo será obrigado a retomar a estrutura com 29 ministérios.

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3 comentários

  1. Na época da campanha eu tentei, com todo o meu fraco poder de persuasão, fazer com que a Dona Lúcia, eleitora do Bolsobosta, votasse no Haddad ou pelo menos em outro candidato. Ele não queria conversa. Era Bolsonaria até debaixo d’água. Agora perguntei a ela se ela vai na manifestação de domingo: Ela disse que não, pois se arrependeu de votar no Bolsobosta por causa da reforma da previdência, pois ela nem sabe se vai se aposentar. O Meu amigo Paulo, ex-Bolsonarista, também não vai.

  2. Chovê se eu tendi: Se o número de Bolsominions não for suficiente, não é demonstração de fraqueza porque nada os está compelindo a ir a rua, mas se o número for suficiente, é sinal de força?

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