Previdência sem geração de emprego e bem estar da população não reelege Bolsonaro, diz Helena Chagas

"Reeleição? Salvar as contas públicas e evitar o pior para o governo é bem diferente de gerar empregos e criar sensação de bem estar na população", avalia a jornalista

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – A jornalista Helena Chagas publicou artigo em Os Divergentes avaliando que a estratégia do Centrão de “desidratar” a Reforma da Previdência com o discurso de que assim impedirá a reeleição de Jair Bolsonaro é um tiro no pé da oposição. Melhor discurso é o de que o cidadão comum não terá nenhum benefício com a nova previdência e que o prometido combate a privilégios precisa ser melhor estudado.

Na visão da jornalista, aliás, não é a aprovação da reforma que vai garantir a Bolsonaro a reeleição. Ela poderá dar fôlego ao presidente pelos próximos anos do mandato, porque certamente agradará o mercado. Mas a população quer saber de geração de emprego e sensação de bem estar. Sem melhorar a economia – e uma reforma que só vai economizar 1 trilhão de reais em 10 anos, certamente não trará resultados a curto prazo – Bolsonaro terá problemas.

Por Helena Chagas

Em Os Divergentes

Não é a Previdência que vai dar a reeleição a Bolsonaro

O deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, sempre foi conhecido pela cara-de-pau. É daquele tipo que diz as coisas na lata, sem se preocupar com sua, digamos, correção política. Sua afirmação de que o Centrão deverá desidratar a reforma da Previdência para não “garantir” a reeleição de Jair Bolsonaro está hoje fazendo a festa dos governistas e defensores da reforma, que finalmente podem apontar agora por que as “forças do mal” não querem aprovar a Nova Previdência e juntá-las todas no mesmo saco.

O “sincericídio” de Paulinho, portanto, acaba sendo ruim para a oposição, que vem construindo um discurso contrário à Previdência politicamente muito mais palatável, baseado nas injustiças e nos prejuízos aos mais pobres.

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É preciso, porém, fazer certa justiça ao Paulinho. Quem circula pelo Congresso já terá ouvido algumas vezes esse argumento, sobretudo de parlamentares ligados ao chamado Centrão. Não se trata de temor real, mas sim de uma estratégia política faz sentido num grupo comandado pelo fisiologismo e acostumado a chantagear governo após governo nas votações.

É uma bela conversa para boi dormir. De um lado, uma maneira de surfar na impopularidade de Bolsonaro, que parece crescente, e votar contra a reforma que acaba com privilégios de setores que fazem parte de sua base social, como os funcionários públicos, os delegados, os juízes e os próprios parlamentares. De outro, um aviso aos navegantes do Planalto de que vai sair, caro, muito caro, seu apoio à reforma.

Ou alguém acredita que a Previdência dará a reeleição a Bolsonaro? Nem dará, nem deixará de dar. Se for aprovada, vai agradar muito ao mercado e às elites. É possível, então, que o governo sobreviva razoavelmente nos seus quatro anos, sem tentativas de impeachment e outros golpes. Mas a recuperação econômica que os mais otimistas avizinham não viria de uma hora para outra, ainda mais depois dos últimos números, que mostram crescimento pífio e desemprego alto.

São, portanto, remotas as possibilidades de que, mesmo com a economia desejada de R$ 1 trilhão (em dez anos, vejam bem), a economia comece imediatamente a bombar, o povo a arrumar emprego e a renda a crescer.

A Nova Previdência não é um Plano Real, que, para felicidade geral da nação, acabou com a inflação. Nem tem nada a ver com as políticas de Lula e do PT que redistribuíram renda, deram acesso aos pobres à universidade, tiraram milhões da miséria. Ainda que a campanha publicitária que o governo vai deflagrar tenha os melhores resultados possíveis, levando a população a entender a reforma e considerá-la necessária, não há nada a comemorar ali para o bolso do cidadão comum.

Reeleição? Salvar as contas públicas e evitar o pior para o governo é bem diferente de gerar empregos e criar sensação de bem estar na população, embora, no longo prazo, as duas coisas podem acabar se relacionando. Só que isso leva tempo, e depende sobretudo da capacidade do governo de usar bem – e isso quer dizer usar em favor de todos, sobretudo dos mais necessitados – a suposta folga orçamentária que Paulinho tanto teme que venha com o ajuste. Reeleição depende disso. Até agora, o governo Bolsonaro não deu o mais leve sinal de ter condições de fazer isso.

2 comentários

  1. Estive conversando com a Dona Poli, uma Coxinha. Ela culpa o PT pela atual situação de calamidade pela qual passa o Brasil e diz que Bolsonaro não tem como fazer milagres e solucionar , em 4 meses de governo, os graves problemas gerados e deixados pelo PT.

    Eu pergunto a ela:

    – A Sra. tá querendo dizer que em 4 meses o Bolsonaro não pode solucionar supostos problemas gerados e deixados pelo PT mas ele pode, em 4 meses, criar mais problemas e intensificar os problemas existentes?

    Aí ela quis me pegar. Eu corri.

  2. O mercado tem seus amantes e é fiel com eles.
    Quando FHC governava, 1/3 da população vivia abaixo da linha da pobreza.
    Não havia protestos, panelaços, corrida para impeachments, denúncias bomba, pautas bomba, lava jato. Tudo corria bem, ele estava sempre viajando, recebia orgulhoso títulos e comendas e conseguiu reeleger-se com facilidade.
    O bozo vai bem.
    Se conseguir sobreviver à própria estupidez o bozo pode reeleger-se com folga.
    Tem muito coxinha que o ama.
    Até mesmo as suas maiores vítimas têm confiança nele.
    Como bom capataz ele sabe descer o chicote no lombo do povo.

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