Seguranças do Senado agridem jornalistas durante passagem de Paulo Guedes

"Pela primeira vez na vida fui literalmente empurrado por funcionários da Polícia Legislativa e impedido de fazer livremente meu trabalho dentro do Congresso", diz jornalista do Valor.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Jornal GGN – Jornalistas que faziam cobertura no Senado foram obrigados a se retirar dos corredores das comissões na Casa por seguranças, na tarde desta quarta-feira (27), durante a passagem do ministro da Economia Paulo Guedes.

Indignados com o tratamento, alguns registraram a ocorrência e exigiram explicações em um grupo no Whatsapp aberto pela assessoria do Ministério da Economia.

“Boa tarde assessoria, gostaria de entender o motivo do Ministério solicitar que todos os jornalistas fossem retirados do corredor das comissões do Senado, onde podemos circular livremente com nossas credenciais. A segurança do Senado informou que foi um pedido do ministro ‘por questões de segurança'”, escreveu Eduardo Rodrigues, repórter da Agência Estado.

“Qual é o temor de segurança que o ministro tem em relação aos jornalistas que cobrem a pasta?” completou.

Fábio Pupo, do Valor, disse que foi agredido. “Pela primeira vez na vida fui literalmente empurrado por funcionários da Polícia Legislativa e impedido de fazer livremente meu trabalho dentro do Congresso. Enquanto aguardávamos o ministro do lado de fora, eles nos empurraram para dentro”, contou.

“Em meio aos protestos, eles falaram que agiram ‘a pedido do ministro’. Desde a chegada dos jornalistas, eles já vinham agindo de maneira ríspida e truculenta. Isso não pode se repetir”, completou o repórter exigindo da assessoria um posicionamento.

Em resposta às reclamações, a equipe de comunicação do ministério escreveu uma nota, compartilhado no mesmo espaço do Whatsapp lamentando “o episódio ocorrido entre jornalistas e segurança legislativa”, negando que Paulo Guedes tenha feito alguma solicitação para afastar os jornalistas.

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“O ministério informa que, em nenhum momento, solicitou que qualquer cidadão fosse retirado dos corredores em função da presença do ministro Paulo Guedes e pede desculpas por qualquer eventual transtorno”, escreveu. Em seguida, uma das assessoras do ministério saiu (ou foi retirada) do grupo.

Sob estresse

Apesar da resposta da comunicação oficial, é provável que o desgaste político sofrido, especialmente, ontem tenha levado o ministro a querer evitar os jornalistas.

Segundo a Coluna Painel, da Folha de S.Paulo, desta quarta, a queda de braço entre o Planalto e o Congresso e a exposição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deixaram Paulo Guedes irritado.

“Deputados dizem que, inconformado, Guedes reclamou aos gritos do ambiente na CCJ. Integrantes da pasta, por sua vez, confirmam a chateação, mas afirmam que ele não se exaltou”, escreveu a colunista Daniela Lima.

A decisão do ministro de cancelar horas antes sua participação em uma sessão, marcada às 10h da manhã de ontem, para explicar aos parlamentares da CCJ a reforma da previdência repercutiu negativamente entre deputados da oposição que chegaram a levantar placas na sessão chamando Guedes e Bolsonaro de “fujões”.

Para completar o momento cinzento na vida do ministro, à noite desta terça, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos no plenário, e com votações avassaladoras de 448 a 453 votos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Orçamento Impositivo.

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O texto vai no sentido contrário a uma PEC de desvinculação e desindexação de despesas da União, que Paulo Guedes disse ter montando como “Plano B” caso o governo não consiga aprovar a reforma da Previdência. A PEC segue agora para aprovação no Senado onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), já se comprometeu a votá-lo “o mais rápido possível”.

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