Socialista PSOE vence na Espanha, mas sem maioria para governar

Partido do primeiro-ministro Pedro Sánchez conquistou 123 cadeira, mas precisa de 176 para governar. Maioria deve ser obtida com a ajuda do Podemos e da Catalunha

População da Cataluña durante uma manifestação. Foto: LLUIS GENE/AFP

Jornal GGN – Os espanhóis foram às urnas neste domingo (28) escolher a nova composição do parlamento, chamado de Congresso de Deputados. O pleito é considerado fundamental para garantir a governabilidade do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez, líder do partido do Partido Socialista Operário da Espanha (PSOE).

No sistema eleitoral do país, o eleitor não escolhe o candidato, mas sim a lista fechada apresentada pelos partidos. Ao todo são 350 cadeiras e para compor um governo, o partido ou a coalizão, necessita de pelo menos 176 deputados. Pois bem, o PSOE foi o partido mais bem votado neste pleito. Entretanto, conquistou 123 deputados, número bem abaixo do necessário para governar.

A saída é compor com as legendas do mesmo espectro político e quem se encaixa nesse perfil é o Unidos Podemos, sigla que perdeu 29 cadeiras nas eleições, saindo de 71 para 42 deputados. Com isso, ambos têm 165 parlamentares, ainda longe da maioria absoluta de 176, levando a coalizão da esquerda a necessitar do apoio de outros partidos para governar.

O mais indicado para compor é o partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), independentista, que conquistou 15 cadeiras, uma delas ocupada pela brasileira Maria das Graças Carvalho Dantas, radicada na Barcelona há quase 25 anos para estudar. Hoje, a sergipana de Aracaju é jurista e ativista social no país.

Derrota histórica da direita

Apesar do resultado, a eleição na Espanha também foi marcada pela derrota história da coalizão de direita e extrema direita que ficou ainda mais longe, com 147 deputados. O Partido Popular (PP), algo equivalente aqui no Brasil ao PSDB, teve o pior resultado em relação às eleições anteriores, com 66 cadeiras. Os Ciudadanos, de centro-direita, conquistou 57 assentos, e o extrema-direita Vox, que estreou no parlamento, elegeu 24 deputados.

Daqui do Brasil, o PT divulgou uma nota felicitando o PSOE “pela contundente vitória eleitoral alcançada” no domingo, “dando uma resposta à crescente ofensiva política da direita européia”. De fato, as eleições no país foram na contramão dos pêndulos políticos registrados em outras partes do mundo.

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“Esperamos que as diversas forças de esquerda e progressistas espanholas se unam nos próximos anos para garantir um longo período de políticas econômicas e sociais integradas em defesa dos povos do país e do respeito aos direitos humanos”, completou o PT em nota.

Podemos, o outro derrotado nesta eleição

O desafio do primeiro-ministro ainda não terminou. Sánchez só poderá governar com alianças. Aliás, ele assumiu ao poder em maio do ano passado porque Mariano Rajoy, do PP, não conseguiu manter uma base segura no parlamento. Na Espanha, o presidente não é como no Brasil, o chefe do Executivo separado dos demais poderes, ele é contabilizado como mais um deputado, assim como os ministros que compõem seu governo. Todos devem, periodicamente, prestar contas ao plenário do Congresso, foi assim que Rajoy caiu ao receber um voto de censura.

As manchetes dos principais jornais espanhóis – El País, El Mundo, e La Vanguardia – destacaram nas capas desta segunda-feira (29) a “Vitória socialista” e a “derrota história” ou “debacle” do PP. Todos também apontaram que, para o primeiro-ministro Pedro Sánchez estabelecer os “pactos para governar” precisará do apoio dos partidos independentes e nacionalistas moderados da Cataluña.

Na avaliação do cientista político brasileiro, Alberto Almeida, é provável que Pedro Sanches consiga formar a maioria, com a ajuda do catalão ERC e do Podemos. Ele destaca, entretanto, que não apenas os partidos de direita, mas também o Podemos foi o grande derrotado nesta eleição.

“O Unidos Podemos teve uma atitude vergonhosa ao não formar o governo com o PSOE em 2016. Está pagando por isso. Juntos tinham 156 cadeiras e o PP tinha apenas 137”, destaca considerando o número de assentos do Podemos no Congresso de Deputados que antes deste pleito era 71.

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Em outras palavras, o partido prejudicou sua imagem junto ao eleitorado quando decidiu não apoiar o PSOE nas eleições passadas, permitindo que o PP formasse o governo anterior.

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Fragmentação foi a causa da derrota

Segundo informações da tv portuguesa RTP, o líder do PP, Pablo Casado, considera a derrota fruto da “fragmentação da direita”. “O eleitorado de centro-direita deve perceber que um voto fragmentado beneficia apenas um governo de Pedro Sánchez”, concluiu Casado se referindo a dispersão do eleitorado da direita entre os três partidos: PP, Vox e Ciudadanos.

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