TIME cita desastre no Brasil ao colocar Bolsonaro pela 2º vez na lista de “líderes mais influentes”

Revista destaca denúncias de corrupção, teimosia, a pior recessão em 40 anos, incêndios na Amazônia e 137 mil mortos por Covid

Zak Bennett — AFP / Getty Images

Jornal GGN – A TIME inseriu Jair Bolsonaro pelo segundo ano consecutivo na lista de “líderes” mais influentes no mundo. Desta vez, a revista destacou os números desastrosos do governo no perfil de Bolsonaro: inúmeras denúncias de corrupção e ministros demitidos, 137 mil mortos por Covid-19, a “pior recessão em 40 anos”, milhares de focos de incêndios na Amazônia. “Um presidente cujo ceticismo teimoso sobre a pandemia e indiferença à espoliação ambiental elevou todos esses números”.

O perfil lembra, porém, que em virtude do pagamento de auxílio emergencial na pandemia, Bolsonaro bateu recorde de popularidade em pesquisas de opinião chegando a 37% de aprovação entre os brasileiros. Para a TIME, além da injeção de dinheiro público, o dado reflete a base de “seguidores fervorosos, que quase o cultuam.”

Bolsonaro entrou pela primeira vez na lista em 2019. Na oportunidade, TIME escreveu que se tratava de um “personagem complexo”, que representa a “ruptura” de uma década de “corrupção”, mas que também era “um garoto propaganda da masculinidade tóxica”.

Confira, abaixo, o perfil de Bolsonaro na TIME 2020:

A história do ano no Brasil pode ser contada em números: 137.000 vidas perdidas para o coronavírus. A pior recessão em 40 anos. Pelo menos cinco ministros se demitiram ou foram demitidos do Gabinete. Mais de 29.000 incêndios na floresta amazônica somente em agosto. Um presidente cujo ceticismo teimoso sobre a pandemia e indiferença à espoliação ambiental elevou todos esses números.

No entanto, o número que realmente importa é 37 – o percentual da sociedade brasileira que aprovou Jair Bolsonaro em uma pesquisa no final de agosto, a maior pontuação desde que ele assumiu o cargo no início do ano passado. Apesar de uma tempestade de denúncias de corrupção e de um dos maiores índices de mortes de COVID-19 no mundo, o agitador de direita continua popular entre uma grande parte dos brasileiros. O índice de aprovação do Bolsonaro se deve em parte aos pagamentos mensais de ajuda emergencial feitos aos mais pobres do país durante a pandemia. Mas também reflete os seguidores fervorosos, quase cultos, que ele comanda. Para sua base, ele simplesmente não pode errar. É o resto do Brasil e do mundo que sobra para contabilizar os custos.

Escrito por Dan Stewart, editor internacional da TIME

FELIPE NETO

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O youtuber Felipe Neto também apareceu na TIME. Ele entrou para a lista de mais influentes na categoria “Ícones”. O deputado federal David Miranda escreveu o perfil de Felipe [leia abaixo].

Ao Estadão, Felipe disse que é “uma honra indescritível compor essa lista, principalmente por saber que lutei com todas as forças para usar a minha influência para o bem, para a ciência, o combate à desinformação e, claro, para a diversão de milhões de famílias no Brasil.”

O influenciador digital já havia chamado atenção do mundo quando divulgou, no The New York Times um vídeo mostrando que Bolsonaro é pior do que Donald Trump na gestão da pandemia do novo coronavírus.

O perfil de Felipe Neto na TIME:

Com 39 milhões de assinantes no YouTube e 12 milhões de seguidores no Twitter, Felipe Neto, 32, é o influenciador digital de maior importância no Brasil, possivelmente no mundo.

O domínio online de Neto não é novo. Uma década atrás, da humilde casa de sua família no Rio de Janeiro, ele começou a criar conteúdo para o YouTube e rapidamente encontrou fama, um público jovem enorme e leal e patrocínios lucrativos. O que mudou – radicalmente – é a forma como Neto usa sua plataforma. Sua notoriedade inicial foi gerada pela tarifa padrão para adolescentes online: videogames, celebridades e meninas. Mas com a eleição de 2018 do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro e o fortalecimento de seu movimento protofascista, Neto, arriscando sua marca e segurança, redirecionou sua popularidade para se tornar um dos oponentes mais eficazes de Bolsonaro.

Neto encontra Bolsonaro nas próprias plataformas de mídia social em que o presidente navegou habilmente para divulgar informações falsas e ganhar seguidores durante sua eleição. Em maio, o vídeo de Neto denunciando outros influenciadores que permanecem calados sobre o autoritarismo de Bolsonaro foi visto por milhões. Em julho, ele detalhou como Bolsonaro tem sido o líder mais destrutivo do mundo na pandemia COVID-19 em um vídeo para o New York Times. A família Bolsonaro frequentemente responde a ele nas redes sociais, às vezes excluindo suas postagens.

O primeiro grande envolvimento de Neto na política, em 2016, foi um protesto equivocado contra o Partido dos Trabalhadores, de centro-esquerda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sua trajetória reflete uma verdade vital, que eu, como congressista socialista, enfatizo à esquerda: devemos abraçar e nutrir a capacidade dos humanos de crescer e evoluir, em vez de descartá-los por transgressões passadas.

Quando Felipe Neto fala, milhões ouvem. E sua voz agora virtuosa e politizada ressoa poderosamente em um país cuja democracia está em perigo.

Por David Miranda, deputado brasileiro representando o Rio de Janeiro

 

1 comentário

  1. TIME fez chacota. Melhor que isso, só aquela coleção Grandes Líderes, que colocava gente do nível da Thatcher.
    De tanto se falar da Coreia do Norte, a gente vai ficando parecido.

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