Xadrez de como a PF de Moro garantiu o presidente paraguaio amigo de Bolsonaro, por Luis Nassif

Vamos aos novos personagens da trama e à maneira como a Polícia Federal de Sérgio Moro salvou (por enquanto) o mandato de Benítez

Aqui, você tem um resumo do escândalo em torno do contrato de Itaipu, envolvendo o governo do Paraguai e o Brasil, com indícios de participação da família Bolsonaro.

Xadrez do escândalo paraguaio que envolve a família Bolsonaro, por Luis Nassif

Nele, estão organizados os seguintes fatos:

  • As fortes ligações entre os Bolsonaro e Mário Abdo Benítez, presidente do Paraguai.
  • As negociações secretas entre o Brasil e o Paraguai que visavam transferir o excedente de energia do Paraguai para a Leros, empresa privada brasileira do suplente de Senador pelo PSL de São Paulo, Alexandre Giordano.
  • A participação de Jair Bolsonaro no novo acordo e as suspeitas sobre o envolvimento de sua família com o lobby de Giordano.

Vamos aos novos personagens da trama e à maneira como a Polícia Federal de Sérgio Moro salvou (por enquanto) o mandato de Benítez.

Peça 1 – a capivara do ex-presidente Horácio Cartes

Horácio Cartes Jara, foi presidente do Paraguai até 15 de agosto de 2018. Ligado ao Partido Colorado.

No livro “A outra cara de HC”, o jornalista Chiqui Aválos narra em detalhes sua história.

O  pai representava empresas de aviação nos Estados Unidos. Sua primeira aventura empresarial foi um golpe no mercado de câmbio, uma jogada que durou de final de 1984 até meados de 1985.

Valendo-se de uma resolução do Banco Central do Paraguai, meteu-se em manobras no mercado de câmbio, criando empresas fantasmas e falsificando guias de importação.

Foi uma das maiores fraudes cometidas no país, um golpe de US$ 34 milhões, classificado pelo Procurador Geral do Estado, Clotildo Jiménez, como “uma traição ao país”.

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Na volta ao Paraguai, com 28 anos, passou a cultivar as pessoas do poder. Quando explodiu o escândalo cambial, ele trabalhava com uma empresa, a Humaitá Turismo, que se tornou casa de câmbio.

Até então, o mercado de cambio era monopolizado por Andrés Rodrigues, que tinha alianças com banqueiros e investidores do Uruguai. A Casa de Câmbio Humaitá era liderada por ex-policiais egressos da ditadura de Strossner.

Peça 2 – o impeachment sendo articulado

Hoje em dia, Horácio Cartes lidera o movimento “Honor Colorado”, integrado por 24 deputados. Trata-se de uma facção do secular, corrupto e fortíssimo Partido Colorado.

Os deputados do HC se uniram à oposição para votar o “juicio politico” (impeachment) do presidente Mário Abdo Benítez. O “juicio” chegaria ao vice presidente Hugo Velázquez, aliado de Cartes.

Junto com a oposição (PLRA, PDP e Frente Guasú, do ex presidente Lugo) haveria maioria esmagadora, levando à queda de “Marito” (como é tratado carinhosamente por Bolsonaro), obrigando a convocação de novas eleições.

Benítez terminaria isolado, com seus 20 deputados leais, membros do movimento Añetete, a facção mais jovem do Partido Colorado;

No dia 31 de julho, uma quarta-feira, a situação do presidente paraguaio já era tida como desesperadora e irreversível. Ele mesmo pediu publicamente para que se iniciasse o processo, dando-lhe amplo direito de defesa e – segundo ele – “poupando o Paraguai de mais sofrimentos;

Peça 3 – entre em cena a Polícia de Sérgio Moro

Nesse dia, na Rua Pamplona, no coração do bairro paulistano dos Jardins, é localizado e preso Dário Messer, o doleiro dos doleiros. Estava foragido desde maio de 2018 (clique aqui).

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Segundo o jornalista Chiqui Avalos, jornalista conhecido, com passagens pela imprensa francesa, colombiana e argentina, além de autor de um best-seller local sobre a vida e os negócios escusos de Horácio Cartes, a prisão de Messer teria sido uma gentileza da família Bolsonaro a Marito.

Assim que anunciada a prisão de Messer, o movimento de Horácio Cartes refluiu sem aparente razão. E a possibilidade do impeachment do presidente Mário Abdo Benítez, filho de Abdo “el burrico”, secretário particular do ditador Stroessner por três décadas, foi simplesmente fulminada.

Peça 4 – as ligações de Cartes e Messer

Horácio Cartes é dono do Banco Amambay S.A. (BASA), fortíssimo nas operações de câmbio e acusado de lavagem de dinheiro. Durante anos seu grande parceiro foi o extinto Banco Dimensão S.A., do Rio de Janeiro, com uma carteira de clientes que incluía jogadores de futebol, figuras do society, empresariado brasileiro até Fernandinho Beira-Mar.

Para chegar aí, depois de ter falido na década de 80, Cartes recomeçou sua vida com a ajuda de um homem interessantíssimo, Mordko Messer, uma lenda entre doleiros, na colônia judaica carioca e artistas. Apreciador da artes, era um dos melhores amigos de Di Cavalcanti. Generoso, não faltava a quem lhe pedisse ajuda. Cartes chamava o velho e bonachão Mordko de “pai”.

Durante os cinco anos de governo Cartes, Messer, já com sérios problemas judiciais no Brasil, se estabeleceu em uma mansão no rico bairro do Yacht Golf Club, em Assunção, ganhou passaporte paraguaio e tinha acesso direto ao ex-presidente, que lhe beija no rosto e o chama de “irmão”. Até os inimigos reconhecem a gratidão de Cartes à família Messer. Os investimentos de Messer no Paraguai, ainda hoje, em fazendas de soja, reflorestamento, gado chegam às centenas de milhões de dólares.

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Mário Abdo Benítez ganhou a prévia do Partido Colorado contra o jovem Santiago Peña, ministro da Fazenda de Cartes e hoje diretor de seu banco. Cartes foi obrigado a apoiar Marito, mas jamais houve amizade ou confiança mútuas. Logo no início do novo governo, Messer desapareceu e, se dizia que o mega-doleiro estaria protegido em Israel, onde levou o então presidente Horácio Cartes e foi por ele citado e homenageado em discurso diante do primeiro-ministro Netanyaru.

Voltando a Chiqui Avalos: “A imprensa brasileira se esquece que nossos países são sócios na segunda maior hidrelétrica do mundo, que em seu formato jurídico não permite fiscalização dos tribunais de contas de nenhum deles. Todos os governos do Brasil e do Paraguai, sem exceção, roubaram e roubam em Itaipu. Itaipu não é uma usina, é uma cornucópia de onde jorra dinheiro. Marito e Bolsonaro sabem disso”.

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11 comentários

  1. e assim o capo dos Bolso, ora tratado por mero capacho, bastante conhecido por capar a constituição do país e capaz de dar capotes na lei, com sua capa de falso herói, coopera de novo com o lado do crime. Assim, mantem-se no cargo, o capataz dos malfeitos, ao garantir acesso à cornucópia pelo honesto e enviado de Deus, que veio para purificar o país, capiche?

    11
  2. Esta pode ser uma ação de dois gumes(ou de dois legumes), já que pode haver retaliação por parte dos doleiros revelando doações com origem do Paraguai, o que é vetado pelo lei eleitoral.
    Vamos aguardar os próximos movimentos, pode não haver recibos, mas podem ser encontrados vídeos ou troca de mensagens.
    Esta turma não dá ponto se nó.
    Anexo:Publicada no DJE de 27.12.2017 e republicada no DJE de 6.2.2018.
    Resolução nº 23.546, de 18 de dezembro de 2017 – Brasília/DF(fonte:TSE)
    —-Art. 12. É vedado aos partidos políticos e às suas fundações receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, doação, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:

    I – origem estrangeira;

  3. Esta pode ser uma ação de dois gumes(ou de dois legumes), já que pode haver retaliação por parte dos doleiros revelando doações com origem do Paraguai, o que é vetado pela lei eleitoral.
    Vamos aguardar os próximos movimentos, pode não haver recibos, mas podem ser encontrados vídeos ou troca de mensagens.
    Esta turma não dá ponto se nó.
    Anexo:Publicada no DJE de 27.12.2017 e republicada no DJE de 6.2.2018.
    Resolução nº 23.546, de 18 de dezembro de 2017 – Brasília/DF(fonte:TSE)
    —-Art. 12. É vedado aos partidos políticos e às suas fundações receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, doação, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:

    I – origem estrangeira;

  4. Nassif, Nassif, esse “bando de malucos” só tem um oriente: se “a esquerda” falou “sim”, eles falam “não”; se “a esquerda” falou “não”, eles falam “sim”. Eles não sabem, não querem saber, e têm muita, muita raiva de quem sabe. Enquanto os propalaaaados, decantaaados, famigeraaaados cientistas e analistas politicos não se derem conta disso, já era.

    Esse pessoal não está disposto, aberto para nenhum debate racional, “habermasiano”. Eu os observo desde os anos 80: só a desmoralização completa os demove; é pra chamar de boçal, mentiroso pra baixo. Se não…

  5. Bobagem. Cada dia fica mais claro que os banqueiros, financistas e sua mídia de m¨%$a estão satisfeitíssimos com o Governo do Messias. Pouco importa suas loucuras, loucuragens ou barbeiragens.
    Enquanto ele satisfizer a ganância infinita do 1% tudo vai ser “esquecido”. Por enquanto ele não passa de um idiota útil. Na primeira derrapada tudo isso que está acontecendo: envolvimento com milícias, nepotismo, cocaína em avião, Itaipu vai ser explorado até as minúncias.
    Como a esquerda está esclerosada a única esperança desse país é Bolsonaro achar mesmo que pode enfrentar os donos do poder, fazendo alguma coisa que faça o 1% acreditar que ele se tornou o idiota inútil que sempre foi.
    Não sei, mas pra mim vai ficando claro que ele não é tão burro…. Ele sabe perfeitamente onde está a fonte do seu poder…

  6. O objeto específico para a abertura do processo de Impeachment pela Câmara de Deputados está devidamente carimbado e carecterizado pelo Xadrez fulminante de Nassifão.Se Maia,autor da frase enigmática que “Bolsonaro é fruto do nossos erros”,está diante de um prato feito,com direito a sobremesa,para começar a repara-lo.A velha e surrada história,o cavalo está passando selado na sua porta,se vai monta-lo isso são outros quinhentos.Todavia,porém,não obstante,aparecer o batom na cueca da capadoçagem,a chapa vai esquentar.Vaticinio meu:Se o Marreco está metido nisso,é pule de dez que o batom vai aparecer.Ele é muito burro,um equino de duas pernas.

  7. Tá bom…um processo de impeachment tira a besta…e daí fica a outra besta fardada…….e as lesmas do TSE não são cobradas diariamente, com estardalhaço, para que cassem a chapa desses malditos, para que se cancele o resultado eleitoral da ELEIÇÃO FAJUTA QUE CRIMINOSAMENTE ELEGEU CRIMINOSOS E SE MARQUE NOVA ELEIÇÃO COM DIREITO DE PARTICIPAÇÃO DE LULA. Se não for por esta segunda alternativa e não pela imbecilidade de tirar uma besta para ficar outra, infelizmente a merda continuará ficando cada vez mais fedida. Juízo, gente…….cobrar tse, stf já…….A JUSTIÇA BRASILEIRA PRECISA TOMAR VERGONHA NA CARA……..E SER COBRADA POR BEM OU POR MAL………REAÇÃO JÁ, MINHA GENTE.

  8. Será mesmo que esse pessoal que acredita na Lava Jato acha que Sergio Moro e Bolsonaro são honestos? Toda vez que ouço alguém defendendo esses dois pelo viés da honestidade, fico indignada. A imprensa tem toda responsabilidade por ter criado e alimentado esses personagens.

  9. Bolsonaro defende a tradicional família maçônica onde o Deus deles se chama Gadu(não cristão,Deus acima de todos,qual Deus ?)é bem sabido q muitos pastores são Maçons também e se a sua doutrina é de acordo com a Bíblia e nosso Senhor Jesus Cristo já é outra história!

  10. + comentários

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