A queda da extrema pobreza

Por João Paulo Caldeira, no Brasilianas.org
Da Agência Dinheiro Vivo

O Brasil está mais próximo de acabar com a extrema pobreza. Devido principalmente ao protagonismo das políticas de transferência de renda, como o aumento real do salário mínimo e das políticas voltadas para a distribuição de renda(como o Bolsa Família) e também ao crescimento do emprego formal no país e à estabilidade macroeconômica, 6 milhões de pessoas deixaram a faixa de extrema pobreza, classificada como as famílias que tem renda per capita de até R$ 67 mensais.

“Está ficando difícil estudar os extremamente pobres porque este grupo está mudando”, afirmou o técnico do Ipea(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Rafael Guerreiro Osório, na sua palestra no 15º Fórum de Debates Brasilianas.org, realizado na última quinta, em São Paulo.

Rafael apresentou os dados do Comunicado do Ipea “Mudanças Recentes na Pobreza Brasileira”, que traça um perfil da pobreza no Brasil e a evolução ocorrida no período 2004-2009. O estudo divide a população que, em 2009, tinha a ganhos abaixo de R$ 465 mensais per capita em três estratos: os extremamentes pobres, com renda menor que R$ 67/mês; os pobres, com renda entre R$ 67 e R$ 134; e os vulneráveis, com renda entre R$ 134 e R$ 465. Acima deste valor, as famílias são classificadas como não-pobres.

O técnico do Ipea mostrou que houve uma diminuição nos três estratos mais pobres. Entre o período estudado, no mínimo 18,3 milhões de pessoas ascenderam para a faixa dos não-pobres. Segundo o pesquisador, este dado é importante porque muda a impressão errada de que estes grupos são estáticos.

Ocorreu, também, uma mudança na estrutura etária destes estratos de renda. Com a vinculação do piso da previdência ao salário mínimo, os idosos agora se concentram entre os vulneráveis e os não-pobres, contra somente 1% de pessoas com mais de 65 anos na faixa de extrema pobreza.

De acordo com o Ipea, a pobreza agora está mais relacionada com o tipo de conexão com o mercado de trabalho. Na faixa dos extremamente pobres, 29% não tem conexão com o mercado, e 32% têm uma conexão precária, ou seja, empregados ou empreendedores informais, sem carteira de trabalho.

Apesar das mudanças, a distribuição espacial da pobreza no país mudou pouco. Os pequenos municípios rurais no Nordeste ainda concentram a maior parte da incidência de pobreza. Rafael sugeriu que políticas sociais com ênfase neste municípios podem ser mais eficientes no combate à pobreza.

O comunicado do Ipea conclui que, sem a geração de empregos e o aumento real do salário mínimo, o Bolsa Família não seria tão bem sucedido. Além disso, Rafael Osório ressaltou que, embora as políticas de transferência tenham influenciado ao aumento do bem-estar por causa da renda, esta evolução não teve a mesma intensidade em outras áreas da políticas públicas, como no saneamento básico.

Comunicados do Ipea nº 111: Mudanças Recentes na Pobreza Brasileira

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