Desigualdade é mais estável do que se imaginava, diz pesquisa

Enviado por Leo V

Do Scielo

Marcelo Medeiros1 , Pedro H. G. Ferreira de Souza2 , Fábio Avila de Castro3 
 
A desigualdade no Brasil é mais alta do que se imaginava e permanece estável desde, pelo menos, 2006. Essas são as principais conclusões de um estudo publicado em maio de 2015 em DADOS – Revista de Ciências Sociais, por Marcelo Medeiros, Pedro H. G. F. Souza e Fabio A. Castro. Esse estudo coloca em xeque parte do que se sabia sobre o nível de desigualdade no país e como essa desigualdade se comporta no tempo.

O que há de novo é o uso de dados do imposto de renda da pessoa física para calcular a desigualdade. Tradicionalmente, o monitoramento da distribuição da renda no Brasil é feito com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a PNAD, um levantamento de excelente qualidade, mas que sabidamente subestima os mais ricos. O imposto de renda, no entanto, tem informações mais completas sobre a renda dos ricos.

O estudo destaca algo importante, mas que até o momento recebia pouca atenção: informação detalhada sobre os ricos faz diferença, pois eles detêm uma parcela enorme da renda no Brasil. Seu poder de alavancagem sobre a desigualdade é grande. E isso responde por boa parte da diferença entre o que sabíamos com as PNAD e o que sabemos agora. Por exemplo, a desigualdade de renda entre os adultos medida com o imposto de renda é substantivamente maior do que aquela que medíamos nas PNAD. Além disso, enquanto nas PNAD a desigualdade de renda cai de 2006 a 2012, com os dados de imposto de renda ela é estável durante esse período, com flutuações mínimas.

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A renda no Brasil é extremamente concentrada. Quase metade da renda do país é recebida pelos 5% mais ricos, um quarto pelo 1% no topo. A concentração é tamanha que um décimo de toda a renda de 2012 foi apropriada pelos 0,1% mais ricos, um grupo que tem cerca de 140 mil pessoas. E esse quadro é praticamente o mesmo desde, pelo menos, 2006.

A metodologia para obter esses resultados depende de imputações e combinações de dados de fontes diferentes. Isso tem riscos inerentes e, portanto, as conclusões desse estudo devem ser tratadas com cautela. É possível, por exemplo, que a desigualdade ainda esteja subestimada. É bem provável que, no futuro, novas pesquisas venham a revisar esses resultados, quando houver acesso a dados mais completos do imposto de renda.

O que não há dúvida é de que temos um sinal de que é importante entender os ricos para se entender a desigualdade no Brasil. Até agora nossas pesquisas mediam apenas uma parte da desigualdade. Medíamos bem os pobres. Agora podemos medir melhor o outro lado da desigualdade brasileira, os ricos.

1Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor da Universidade de Brasília (UnB). E-mail: [email protected]

2Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). E-mail: [email protected]

3Auditor da Receita Federal. E-mail: [email protected]

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15 comentários

  1. Quem acredita nisso…

    Quem acredita que o imposto de renda mede bem a renda dos ricos acredita também que a Globo não sonega….

     

    Esse levantamento ainda é conservador haja vista a sonegação gigantesca aqui do Brasil.

    Onde já se viu o “homem do baú” gabar-se de pagar o maior IRPF do Brasil? E ele é o mais rico?

     

     

    • Em um país como o nosso, sonegação chega a ser um mérito

      Em um país onde o dinheiro público é tão mal gerido como o nosso, um sonegador facilmente causa mais bem do que mal. Ele pode muito bem estar aplicando o dinheiro sonegado em algum negócio que resulte empregos para outros.

  2. O projeto da esquerda é fazer

    O projeto da esquerda é fazer os ricos ficarem mais pobres e o pobre virar um miserável.

     

    • Não mesmo

      A proposta é igualar as consições aqui. Ou se esqueçe que na américa do norte quem ganha mais paga mais imposto? 

      Disso vocês não falam. Milionário nos EUA parecem sofrer de crise de consciência, pois, antes de morrer, doam toda a sua fortuna para alguma fundação, porque será? Talves pra fugir dos impostos sobre renda, quem sabe.

    • projeto dos ‘liberais’ é

      projeto dos ‘liberais’ é fazer os ricos mais ricos e transformar os pobres em escravos.

  3. Fazer o que, né? Torcedor

    Fazer o que, né? Torcedor contra o país está virando praga. Se o governo petista tirou 100.000 pessoas da miséria extrema, pra mim já é um resultado. Mas, como sonegador, propineiro NUNCA é criticado nesse país, vamos lutar contra os 100.000 que conseguiram comer, estudar, comprar coisas que jamis teriam conseguido até o momento. Fazer o que, né? Tem gente que nasceu para criticar qualquer avanço que o pobre tenha como cidadão, mas JAMAIS teve a coragem de COBRAR pagamento de impostos pelos milionários, JAMAIS teve coragem de exigir que os ricos participassem da distribuição de renda, NUNCA pediu participação dos milionários na ajuda social.

    • 100 mil saíram da miséria por sua própria conta

      O governo petista tirou 100 mil da miséria? Depende do ponto de vista. Colocado assim, fica parecendo que o governo petista distribuiu esmolas ao povo para tira-lo da miséria. Não foi bem por aí. O governo petista propiciou um ciclo de prosperidade que resultou em mais empregos, maiores salários, expansão do crédito, mais faturamento das empresas e por conseguinte, mais impostos recolhidos. O povão aproveitou a oportunidade e subiu na vida.

      A ideia de que é a benignidade do governo que tira a população da miséria tem tudo a ver com a mentalidade paternalista enraizada em nosso povo, que vê o governo como o provedor, tal como os antigos colonos das fazendas viam o “coronér” como o “padim” que os amparava. Se o governo petista tirou o povo da miséria tendo como intrumento apenas sua vontade, então por que parou de fazê-lo agora?

  4. Então, o problema são os ricos

    Os ricos detêm uma porção enorme da riqueza do país? Então a solução é tributar mais os ricos? Quem prega isso com certeza acredita que o dinheiro dos ricos está debaixo do colchão esperando que alguém vá lá confiscá-lo e transforma-lo em estradas, escolas, hospitais, creches, faculdades…

    Ocorre que o dinheiro dos ricos está aplicado de mil maneiras, movimentando a economia. Confiscar o dinheiro dos ricos é jogar na pobreza todos aqueles que direta ou indiretamente dependem da forma como esse dinheiro está aplicado. Você realmente acredita que beneficiará a população tirando o dinheiro daqueles que sabem empreender para dá-lo àqueles que só sabem roubar e dar emprego a parentes?

    Com certeza impostos são uma necessidade. Nenhum governo jamais existiu sem impostos. Mas não existe uma fórmula mágica para determinar qual a alíquota ideal. Isso depende do grau de competência e honestidade do governo. Em países como os escandinavos, onde a lisura e a capacidade do governo é excelente, a carga tributária pode se aproximar de 50%. Mas em países como o Brasil, onde a competência e a honestidade do governo são aquelas que conhecemos, é crucial que a carga tributária seja a mínima possível, para que a riqueza produzida fique em mãos de quem pode criar  oportunidades para o povo ao invés de parar nas mãos de larápios gastadores.

    O problema não são os ricos. O único mal que os ricos causam ao país é existir em pequeno número.

    • Deixa ver se eu entendi

      Emtão, na sua opnião, devemos deixar os pobres pagarem a maior parte dos impostos? Pois os ricos, coitadinhos, não podem participar da manutenção dos serviços públicos porque aqui o governo administra mal.

      Sua observação é tão absurda, sem embasamento, formulada na sua opnição pessoal. 

      A maioria dos países, inclusive o EUA, tem um sistema tributário progressivo, muito diferente do nosso.

      Quando alterou um pouco as alíquotas pros de cima, provocou uma maior concentração de renda.

      Lhe pergunto, se você não for rico, porque se importar tanto assim? 

      • O nosso sistema tributário também é progressivo

        O nosso sistema tributário também é progressivo, as alíquotas sempre foram crescentes conforme a faixa de renda. Só que eu acho isso ilógico, é como castigar a competência: se você fatura bem, e portanto mostra que é bom nos negócios e capaz de fazer novos investimentos que irão beneficiar outros, então tem que ser penalizado por isso, tendo seus ganhos confiscados? Assim você vai concentrar sua atenção, não em como incrementar seus negócios, mas em como sonegar o imposto. A meu ver a alíquota devia ser a mesma para pobres e ricos.

        Também é duvidoso que a alteração das alíquotas possa aumentar a concentração de renda. Empobrecer os ricos não é o mesmo que enriquecer os pobres.

  5. A miséria é estavel pq na

    A miséria é estavel pois na verdade a verdadeira ascenção social se da na qualificação de mão de obra.

    Mas isso inexiste.

    Aqui só há incentivo ( que é importante  dado a dimensão da miséria) de toda as naturezas ,  porém a falta de educação de qualidade , de acesso a saúde , de moradia decente, e segurança que realmente possibilita alguem alçar vôo solo  só gera mais e mais miséria criando um ciclo de nascimentos e morte dentro de uma determinada faixa econômica.

    Programa de bolsa nenhuma tira alguem da miséria se este alguem não tem acesso a ensino de qualidade.

    Vivemos em uma ficção patrocinada antes pela má vontade do governo no trato com o pessoal mais simples, hoje pela má fé do governo no trato com eles.

    Porque na verdade como o governo é populista para ele não interessa erradicar a causa da pobreza e sim administra-la dando à ela condições para subsistir mas MANTENDO sua condição “ad eternum”

    Pois não há educação de qualidade no ensino  fundamental, como no médio.

    E na faculdade ele entra de qualquer forma através de cotas e hoje o ensino superior que teria  como função criar MASSA CRITICA para debates, gerar pesquisa e ciência  é visto como plataforma eleitoral para formar antes de tudo estudantes universitarios…rs

    Entao a Universidade hoje virou um balcão de negocios pois  a faculade privada é um negocio!

    E ela se molda a limitação do aluno para sobreviver rebaixando drasticamente o nivel de formação de alguem que cursa ensino superior.

    Ao passo que a Universidade Pública com as novas politicas de inclusão tambem se vê feita de arma politica de integração.

    Não é essa exatamente a função de uma universidade, ela pode e  deve ser um dos componentes para ascenção do cidadão através do saber acadêmico mas no Brasil pelo visto ela se transformou no UNICO MEIO…rs

    Oras a falta de ensino técnico de qualidade  sempre foi um grande calcanhar de aquíles para nossas empresas, como a ausência de um bom domínio do idioma inglês.

    Se alguem tem uma forte formação tecnica e boa fluência em inglês em um paìs sério conseguiria  boa colocação e poderia ter ou se não tivesse ir cursar um curso superior.

    Aqui no Brasil se ignorou o estágio “técnico ” e o ensino superior virou um fim em sí mesmo.,

    Que tem um nível tão baixo que qualquer emprego hoje esta pedindo ensino superior numa especie de “frisson ” pois ter alguem contratado com um ensino médio ( ainda que tenha boa formação técnica e domine um idioma ) é considerado ficar por baixo ante uma empresa onde só se admite empregados que já tenha concluido o ensino superior.

    A pessoas formadas que não conseguem  elaborar um email para solicitar algo em troca de correspondencia interna dentro de uma empresa!

    O que denota baixa capacidade de articulação mas ainda assim o cara é formado! rs

    Enfim uma ficção onde o governo finge que dá saude, educação e segurança e o povo finge que acredita e que estuda.

    Quem paga a conta no fim de tudo?

    O Brasil que fica condenado a condição de pais exportador de materia prima …

    Vejo isso no meu dia a 

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