A Escola Plural

Fiz uma especialização na área de educação lá pelos idos da década de 90 e a minha monografia foi especificamente sobre o colegiado como forma de gestão democrática da escola na rede de ensino municipal de Belo Horizonte, que adotava a Escola Plural e o sistema de ciclos, desmontada agora pelo tucano-pessebista Marcio Lacerda.

Uma questão relatada pela realidade dos dados constatava que os alunos da rede passavam nove anos na escola, chegavam apenas até a quarta-série do ensino fundamental e se evadiam. Conclusão básica: nesses nove anos de escola que o aluno dedica da sua vida é mais interessante, estimulante e produtivo repetir duas vezes da 1ª à 4ª série ou cumprir a trajetória completa da 1ª á 8ª série? ou até a 9ª série que foi incorporada agora?

Anterior à esta questão, partiu-se de estudos com base antropológica que recomendavam expressamente atender a socialização do aluno dentro do seu grupo etário, base da proposta do ciclo. Junte as duas questões, uma rede de ensino bem estruturada, professores remunerados em termos razoáveis em comparação com os professores do estado, com um corpo técnico-pedagógico ousado sustentado por uma política de esquerda e o resultado foi a Escola Plural.

Foi implantada a eleição direta de diretores/as das escolas e alguma autonomia na gestão da escola, mas os resultados, se melhores do que a rede estadual, dependiam ainda de outros fatores externos à escola. Somou-se uma rejeição latente do modelo por parte dos professores e comunidade, uma desmobilização causada pela aliança Pimentel/Aécio na disputa pela prefeitura de BH e enterrou-se a mais inovadora proposta pedagógica em uma das maiores cidades do país.

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