A eterna busca do professor ideal

Titcho Ribeiro – Historiador/Professor/Ator

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Ser professor/educador atualmente revela mais que uma mera profissão, é algo que transpõe o simples estar professor, se trata de SER professor, é gerar um diálogo entre as metodologias pertinentes e o ato de bem social, o qual se apresenta através do amor pelo educar. A partir desse entrelaçamento entre metodologia e prática é que se busca o professor ideal. No entanto, a questão que fomenta a dúvida é “qual é o professor ideal?”

Dúvida cruel, mas que encontra diversas respostas no mundo escolar, alguns dizem que professor ideal é aquele que trabalha buscando a melhor assimilação do conteúdo, outros acham que o ideal é aquele que transpõe as barreiras da simples mecanização conteudista difundindo o olhar crítico; existem ainda os que digam que a melhor maneira é educar pela autoridade, e os que pensam que unir todos os elementos culminará no “professor perfeito”. Tal questão apresenta uma profundidade aterrorizante, relevando um idealismo praticamente utópico, pois o educador ideal deveria ser aquele enquadrado em um sistema de ensino igualmente perfeito. Sendo assim, um paradoxo se coloca na relação professor e sistema de ensino, pois se o educador não é ideal, o sistema também não se faz ideal.

Vejamos… Salas lotadas, alunos desmotivados e desinteressados, simplesmente apáticos; professores igualmente desmotivados – não todos obviamente – e/ou desinteressados. As questões que se seguem são: os alunos e professores estão num estado letárgico por quê? Por que para os alunos as aulas não são tão estimulantes quanto as redes sociais? Por que não precisam se preocupar, pois seus pais lhes bancarão até seus 87 anos? Ou porque a busca por uma vida mais digna, menos mesquinha e hipócrita não os interessa? E os professores, estariam eles despreocupados com seus pupilos, pois não se faz necessário um mundo melhor? Ou estariam desinteressados porque seu salário é efêmero, sua rotina é maçante, a lógica conteudista é reducionista demais, e por fim, porque sua profissão é desprestigiada por pais, alunos, diretores, pedagogos, lixeiros, engenheiros, administradores, médicos, governantes, professores… professores?! Exatamente, professores!

Como chegamos ao ponto em que alguém menospreza a sua própria profissão? Simples, a lógica educacional brasileira é excludente e voltada para uma pseudo-educação desde o momento em que iniciaram o processo “civilizatório” após a chegada dos europeus no território brasileiro. A mais de cinco séculos o Brasil apresenta um déficit no âmbito educacional. E como mudar? Fulano promete “vamos investir milhões em educação!”; Beltrano afirma, “se eu for eleito a educação será minha prioridade. Mentiras e mais mentiras, a verdade é dura, não há o real interesse de que investimentos sejam direcionados para educação, pois uma massa pensante é uma massa de difícil controle.

Lembrem-se, buscamos o dito professor ideal, mas as pessoas responsáveis por gerar um sistema educacional satisfatório não estão preocupadas em investir em educação, mas sim em sucatear o ensino, formando uma massa acrítica, privilegiando um seleto grupo de “feras em decoreba”, os quais ocuparão as “melhores” cadeiras nas universidades. Mudanças urgentes são necessárias, ou a elite continuará sendo “treinada” para permanecer ocupando os ditos cargos de elite e os pobres continuarão recebendo seu – não menos digno – ensino profissionalizante, chafurdando em meio a proletarização.

Por fim, a busca incessante pelo professor ideal continuará eternamente, pois como a canção já avisa: a consciência do povo daqui é o medo dos homens de lá/A sabedoria do povo daqui, é o medo dos homens de lá*

*Natiruts. Deixa o menino jogar. CD, 2000. 

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