O retorno dos pesquisadores ao Brasil

Por Leo

Caro Nassif,

Pelo menos no que tange aos pesquisadores brasileiros que vão ao exterior financiados por agências federais, mais precisamente a CAPES e o CNPq, o problema de evasão de cérebros é mínimo. Eu diria que o problema é inverso. Temos poucos pesquisadores fora, dizem alguns cientistas, e deveríamos ter mais deles formando uma rede de apoio ao país.

O senso comum de evasão de cérebros nos esconde uma outra realidade, muito pouco estudada: o pesquisador brasileiro de ponta (aquele que sai com bolsa pública) retorna ao país numa razão muito diferente daquela observada em outros países emergentes. Isto é uma vantagem comparativa!

Há 2 anos fiz pesquisa com uma amostra de mais de 1500 pesquisadores brasileiros que obtiveram bolsa de estudos de doutorado pleno e doutorado sanduíche financiados por uma agência federal. O período de concessão das bolsas era compreendido entre 99 e 2001. Isto quer dizer que o retorno de somente parte deles já foi medido sob alguma influência da política de expansão das universidades federais, IFs e do aumento do orçamento de C&T do Governo Lula, o que aumentou o interesse pelo retorno ao país.

O resultado é impressionante: dos bolsistas de doutorado identificamos que algo em torno de 75 a 80% estão na base de dados de pesquisadores brasileiros que atuam no país (dados do MEC, CAPES e lattes). Isto é, algo em torno de 80% dos pesquisadores está ativo em alguma instituição de ensino superior, ou na graduação, ou mesmo na pós graduação stricto sensu. Esse número de 80% nos engana prá baixo. Ele não contabiliza sequer os pesquisadores que retornaram e estão atuando na iniciativa privada ou no serviço público sem ligação com educação superior ou C&T. Segundo a CAPES, por exemplo, 95% dos bolsistas no exterior retornam ao Brasil.

Acho que o tema, obviamente, deveria ser mais estudado, mas uma das principais razões do retorno é justamente a possibilidade de se fazer pesquisa de ponta no Brasil, mesmo ganhando um salário que ainda tem muito a melhorar – mas já melhorou um bocado, numa universidade pública ou Instituto de C&T.

Para completar, cabe dizer que a absorção desses cientistas que retornam se dá principalmente nas universidades públicas, o que gera a necessidade de incentivar a participação da iniciativa privada na contratação dos pesquisadores. Mas essa é uma outra história.

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