Educadores criticam avaliações padronizadas

Por Marco Antonio L.

Da Rede Brasil Atual

Avaliação padronizada prejudica escolas, alunos e professores, dizem educadores

Para professores da Faculdade de Educação da USP, modelos adotados em medições como Prova Brasil, Ideb e Idesp funcionam mais como auditoria de sistemas do que como avaliações pedagógicas 

por Redação RBA

Segundo especialistas, as politicas públicas de deveriam ter um sistema de avaliação amostral

São Paulo – O modelo de avaliações do sistema educacional e de escolas brasileira foi alvo de críticas de especialistas num seminário organizado com apoio da Faculdade de Educação da USP na semana passada. Ao adotar medidas padronizadas de avaliação, os modelos aplicados atualmente em medições como a Prova Brasil, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), prejudicam o aprendizado dos alunos e os próprios professores.

“As avaliações planejadas em nível estadual e federal têm um caráter censitário que as torna custosas e um instrumento de opressão sobre as escolas, numa crença de que se você individualizar e responsabilizar cada escola, elas apresentarão melhoras”, afirmou o professor de Educação da Unicamp, Luiz Carlos Freitas, àRádio Brasil Atual.

O debate ocorreu no segundo dia do seminário na cidade universitária, “Nem herói, nem culpado. Professor tem que ser valorizado!”, na sexta-feira (24).

Para o professor, as politicas públicas devem ter um sistema de avaliação amostral. Freitas ressalta que as provas deixaram de ser avaliações e passaram a ser auditorias de sistema, o que pode prejudicar alunos e professores de áreas mais pobres.

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A professora Sandra Maria Zákia, integrante da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação e professora da Faculdade de Educação da USP, disse que o desempenho dos alunos nos testes é, muitas vezes, explicado pelas condições de vida de cada um.

“A medida que você trata resultados de maneira igual, você tende a intensificar ainda mais as desigualdades sociais em nome de aparente legitimidade técnica.”

Para Freitas, diferentemente de outras instituições, a escola não pode ser padronizada. “A escola não é padronizável com uma empresa. No interior de uma empresa, até por controle estatístico, se estabelece algum grau de padronização, mas não na educação, em que são múltiplos os fatores envolvidos, a maioria deles de natureza do aluno fora da escola.”

Ouça aqui a reportagem de Cláudia Manzzano.

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