Fraudes no Bolsa Família favorecem principalmente servidores públicos, diz governo

Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado 
 
Jornal GGN – A Controladoria-Geral da União fez um auditoria em 2,5 milhões de famílias com cadastros suspeitos e identificou que menos de 14% desse total fraudaram o programa Bolsa Família, criado pelo governo Lula, em 2003. Ao todo, foram pagos indevidamente R$ 1,3 bilhão a quem não tinha direito.
 
O jornal O Globo noticiou, nesta quinta (4), que 345,9 mil famílias foram identificadas como não merecedoras do benefício. A maior parte dos recursos desviados foram parar nas contas de servidores públicos e famílias com carro importado e casa própria, algumas com renda per capita superior a 1,9 mil, quando o programa exige o mínimo de R$ 170 por pessoa.
 
A CGU repassou a informação sobre as fraudes ao Ministério do Desenvolvimento Social. O secretário-executivo do ministério, Alberto Beltrame, disse a um programa da TV Globo que o governo Temer já promoveu, entre outubro de 2016 e dezembro de 2017, a revisão do benefício em 4,7 milhões de cadastros irregulares. Ele não deixou claro quantas pessoas perderam o benefício por fraude, nem comentou se os 346 mil indentificados pela CGU estão incluídos nesse número. 
 
Quando Temer começou a suspender a bolsa de várias famílias com cadastro desatualizado, a grande mídia passou a reportar casos de pessoas que apenas não haviam atualizado os dados junto à prefeitura, sem indícios de fraude de ordem financeira.
 
Hoje, o programa mantém cerca de 13,5 milhões de famílias inscritas, mas nos últimos 2 anos, o governo Temer promoveu ao menos 3 inspeções internas com o intuito de reduzir o número de beneficiários.
 
Em 2016, 2,2 milhões de famílias foram classificadas com irregularidades no cadastro. Mas 46% desse total tinha renda inferior à declarada, ou seja, precisava do auxílio do governo. Na ocasião, o governo cancelou automaticamente 470 mil cadastros e bloqueou outros 655 mil até que pendências fossem cumpridas, mas sem fornecer detalhes sobre qual tipo de erro havia no cadastro dessas famílias.
 
“Ainda durante a interinidade de Temer, o governo levantou indícios de fraudes cometidas por cadastradores do programa. Na ocasião, foram identificadas irregularidades que somava cerca de R$ 100 milhões. Os cadastradores são, geralmente, funcionários das prefeituras responsáveis por colocar os dados dos beneficiários no sistema”, lembrou O Globo.
 
Ainda no governo Dilma, em 2013 e 2014, o Ministério Público Federal encontrou irregularidades no pagamento de R$ 2,5 bilhões. “Os indícios recaíam sobre cerca de 1,4 milhão de pessoas, dos quais a maior parte eram servidores públicos.”
 

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