Gestão Doria deixa sem leite crianças que se enquadram nas regras que criou

Mesmo crianças matriculadas em escolas públicas e com famílias cadastradas em programas sociais estão sem ser atendidas pelo programa Leve Leite, reduzido e esvaziado pela gestão Doria (CC 2.0 / STCKIMAGES / WIKIMEDIA)leite.jpg

da Rede Brasil Atual

Gestão Doria deixa sem leite crianças que se enquadram nas regras que criou

Famílias denunciam que, mesmo com filhos que atendem os novos critérios impostos pela prefeitura para o programa Leve Leite, ainda não receberam o alimento nenhuma vez este ano

por Rodrigo Gomes, da RBA 

São Paulo – Famílias de baixa renda da capital paulista, cujos filhos estudam em escolas da rede municipal de ensino, não estão recebendo o leite que deveria ser distribuído bimestralmente pela gestão do prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB). A Secretaria Municipal da Educação, gerida pelo secretário Alexandre Schneider, realizou um corte de 53% no programa Leve Leite no início do ano. A justificativa era “adequá-lo” e atender apenas crianças de até seis anos. No entanto, até o dia 7 de junho, somente 1,6% do orçamento destinado ao Leve Leite foi liquidado e as famílias reclamam de não receber o alimento.

A faxineira Rosângela Augusta dos Santos relatou que recebeu o benefício normalmente no ano passado. Sua filha de quatro anos é aluna do Centro de Educação Infantil Vila Maria Alta, na zona norte da cidade. “O leite está fazendo muita falta. Estou tendo de comprar e o dinheiro que podia usar pra outras coisas, quando era atendida pelo programa, gasto com isso”, explicou. Rosângela, que está desempregada, é beneficiária do programa Bolsa Família, outro dos critérios estabelecidos pela gestão Doria para poder receber o benefício. Ela ainda tem outros três filhos, que agora não têm mais idade para receber o leite pelo programa municipal.

Na zona sul da cidade a situação é a mesma. A filha da vendedora Suellem Nayara Pereira, de seis anos, é aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental Olegário Mariano. A última vez que ela recebeu o benefício também foi no ano passado. “Não teve nenhuma explicação. Simplesmente não recebi mais. Eu até achava que tinha acabado o programa porque não vejo ninguém recebendo mais”, afirmou.

A filha da dona de casa Célia Maria da Silva também recebeu o benefício até o final do ano passado. No entanto, sem qualquer aviso, o leite não veio mais. “Faz muita diferença para nós, porque agora a gente tem de comprar o leite e pesa no bolso. Parece pouco, mas é um custo que fica grande no orçamento de casa”, explicou ela, que também é beneficiária do Bolsa Família.

ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOLHAPRESS

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João Doria: cortes de verbas e execução abaixo da esperada do Leve Leite

Além do corte no orçamento do programa, reduzido a R$ 147,3 milhões ante R$ 310 milhões em 2016, a gestão Doria ainda congelou 25% da verba restante, aproximadamente R$ 36,8 milhões. E até o dia 7 de junho, tinha liquidado apenas 1,6% do montante. No início do ano, a prefeitura informou que o programa iniciaria o atendimento até março.

A proposta da gestão Doria era que o programa passasse a atender 223 mil crianças nas unidades educacionais e outras 208 mil que seriam localizadas por meio de cadastros sociais, como o Bolsa Família. Até o ano passado, eram atendidas 916 mil crianças e adolescentes de até 14 anos, que tivessem frequência de pelo menos 90% das aulas. O limite de idade passou para 6 anos e 11 meses, para famílias com renda de até R$ 2.811. Além disso, a quantidade de leite (em pó) seria reduzida de dois quilos para um quilo por mês.

À época da mudança, a gestão Doria alegou ter consultado um grupo de organizações antes de definir os novos parâmetros do Leve Leite. A Fundação Abrinq, o Instituto Alana e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), citados na nota emitida pela Secretaria Municipal da Educação, negaram que tivessem sido consultadas.

A Secretaria Municipal da Educação nega que esteja desassistindo famílias e diz que a entrega segue conforme o cronograma previsto. “As entregas foram retomadas em março deste ano para os alunos que consomem a fórmula nas unidades de educação infantil e, em maio, para as crianças que recebem o produto em seus domicílios. Neste caso, os Correios fazem, por dia, cerca de 8 mil entregas que obedecem o CEP das famílias. Atualmente, são atendidos 254.507 alunos da rede municipal de ensino. Toda criança até seis anos e cadastrada no CADÚnico vai receber o leite”.

 

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4 comentários

  1. Cruel

    Um famoso ´´ bloguista´´ em uma dessas mesas defendeu a ideia de que seria bom a volta da direita ao poder para as pessoas poderem comparar as diferenças e sentirem saudades do PT, na hora retruquei, pois a crueldade dos ultimos 4 anos do gov FHC foi sentida pelos mais pobres e isso aconteceria novamente em uma escala muito pior ,pois castigariam esses por vingança .

        Michel . Doria e Geraldo so confirmam, atraves de suas crueldades administrativas so confirmam meu temor ! 

  2. A periferia que elegeu o Sujismundo Faniquito Jr.

    Deve estar bem satisfeita. Tomara que o reelejam em 2018!

    Sinceramente, não dá para entender esse masoquismo paulistano, especialmente o do paulistano da periferia. Será que não percebem a diferença concreta entre um governo voltado para beneficiar a população mais pobre e um voltado para foder com essa mesma população (seja por medidas propositais – como essa -, seja pela total indiferença e descaso)?

     

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