Moradores dão nota 8,8 a residências do Minha Casa, Minha Vida

Jornal GGN – Em uma escala de zero a dez, os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deram nota média de 8,8 à sua satisfação com a moradia adquirida por meio do programa. A avaliação é parte de uma pesquisa de campo realizada pelo Ministério das Cidades e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em uma amostra de 7.620 domicílios financiados pelo MCMV. Os primeiros resultados foram divulgados na quinta-feira (14) pelo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, e pelo ministro da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e presidente do Ipea, Marcelo Neri.
 
Neri detalhou alguns resultados da pesquisa com beneficiários do MCMV e apresentou análises a partir de microdados de outras bases, como um levantamento sobre estoques de riqueza do Sips (Sistema de Indicadores de Percepção Social), a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), ambas do do IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo as análises do Ipea, a desigualdade de patrimônio imobiliário caiu e a satisfação com a moradia aumentou no Brasil nos últimos anos.
 
Os beneficiários do MCMV disseram que comprometem 19,1% de sua renda com a moradia e avaliaram sua própria satisfação com notas médias de 7,9 para o custo das prestações, 8,1 para o entorno de suas residências e 8,6 para seu aumento de bem-estar. O percentual de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas foi maior na pesquisa com domicílios do MCMV (64,5%) do que na população brasileira, segundo a Pnad (50,7%).
 
“A percepção de qualidade de moradia nos últimos 10 anos melhorou e a qualidade das moradias, através de seu valor de mercado, teve valorização de 39%”, destacou Neri. O ministro apontou ainda que esse crescimento foi maior para os mais pobres, atingindo o público-alvo do programa – os beneficiários que possuem renda até R$ 600.
 
Patrimônio 
 
Segundo Neri, o MCMV “possibilita que as mudanças socioeconômicas no país sejam sustentáveis, pois se assenta na aquisição da casa própria, um bem sustentável que tem sido valorizado cada vez mais”. Como em outros países, os imóveis são o principal ativo em que as famílias brasileiras acumulam riqueza. De acordo com estimativas a partir de dados de 3.800 domicílios da pesquisa Sips, o estoque de capital mantido pelas famílias brasileiras na forma de imóveis ficava ao redor de R$ 4,17 trilhões em abril de 2013. Outra estimativa, a partir de microdados da PNAD/IBGE, mostrou que o valor imputado das moradias alcançava valor semelhante, de cerca de R$ 4,29 trilhões, em outubro de 2012.
 
O segundo método de estimativa parte de uma série de características observáveis na Pnad (propriedade fundiária, número de cômodos, quartos e banheiros, materiais de chão, teto e parede, localização geográfica, acesso a serviços públicos diversos e outras), seus respectivos impactos sobre os valores de aluguel reportados e a relação média entre aluguel e valor de imóvel. Com isso, foi estimado o valor de mercado de cada domicílio de 2002 a 2012. O capital residencial per capita subiu 39,4% desde 2003, ano de criação do Ministério das Cidades, sendo 19,6% desde 2009, quando o programa MCMV começou a ser executado.
 
Entre 2002 e 2012, os valores dos serviços de moradia utilizados por quem possui casa própria cresceram 36% na metade inferior da distribuição de renda e 31% no segmento dos 40% intermediários, mas caíram 15% entre os 10% mais ricos. A valorização relativa da casa própria dos mais pobres fez com que as diferenças das condições de moradia caíssem mais nesse período do que a desigualdade de renda: 16,7% de efeito casa própria contra 10,2% de efeito equidade de renda.
 
Em paralelo à inclusão imobiliária, o valor médio estimado de uma casa própria com as mesmas características subiu 26,1% acima da inflação entre 2003 e 2012. Em termos regionais, o valor dos imóveis cresceu 5,4% mais no Nordeste do que no Sudeste.
 
A satisfação dos brasileiros com suas moradias também melhorou. Segundo a POF/IBGE, 15,1% dos brasileiros diziam habitar moradias ruins em 2003, proporção que caiu para 10,6% em 2009. Na Sips/Ipea de 2013, que replica a mesma pergunta, 6,9% disseram viver em habitações ruins, sendo 9,3% no quarto mais pobre da distribuição de renda e 2,3% no quarto mais rico.
 
A Sips mostra uma grande discrepância entre as avaliações dos entrevistados sobre suas próprias casas e sobre as condições gerais de moradia dos brasileiros, consideradas ruins por 49% dos entrevistados. De forma inversa ao que ocorre na avaliação da própria casa, a percepção sobre as moradias brasileiras é pior no quarto mais rico (em que 56,7% as consideram ruins) do que no quarto mais pobre (46,5%) da distribuição de renda.
 
Os resultados da Sips mostram ainda que os níveis de felicidade pessoal são maiores entre os que avaliam ter condições de moradia boas (7,0) do que entre os que as consideram apenas satisfatórias (6,7) ou ruins (5,5). Também são maiores as notas de felicidade de quem reside em imóvel próprio, quitado (6,9) ou ainda sendo pago (6,8), do que as de quem mora em imóvel alugado (6,6) ou cedido (6,3).

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Com informações do Ipea

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1 comentário

  1. Há de se verificar, quando da

    Há de se verificar, quando da divulgação final dos dados, o patamar inicial considerado para o índice de aprovação divulgado.

    Pressupõe-se que ao ir para “casa nova” a satisfação seja automaticamente alta visto à sensação de se possuir patrimônio melhor diante de uma situação anterior.

    Por outro lado, tanto a divulgação da pesquisa no sítio do IPEA quanto a desta matéria dão a entender que as residências foram avaliadas a partir de sua qualidade construtiva, espacial e de localização dentre outros fatores o que leva a hipótese de que o patamar inicial deva ser muito baixo.

    Penso não haver nenhuma aferição em termos de qualidade de moradia, entendida como abrigo e espaço de vivência do ser humano e não apenas como produto comercializado com custo de produção baixo e que caiba na planilha.

    O que remete à hipótese lançada recentemente aqui pelo (creio) presidente do CREA-MG que falava da falta de quadros técnicos que saibam elaborar projetos e que saibam“comprar produtos” dentro de órgãos do governo.

    Muitos dos conjuntos do MCMV são de muito baixa qualidade tanto em termos de material utilizado quanto em termos de urbanização: falta de diferenciação entres as moradias, localização das residências “perdidas” no lote, a própria ideia de opção por lote particular em detrimento de edifícios baixos que resultariam em algo mais harmonioso e de custos relativos mais baratos que a casa isolada, falta de áreas verdes, de lazer e comércio, principalmente quando estas últimas são construídas em terrenos ou glebas cujas áreas não comportam espaços em tamanho suficiente para a implantação destes equipamentos de maneira apropriada. Mas, se o patamar inicial é baixo, como favelas, cortiços, palafitas e áreas de riscos as moradias tendem a receber boas avaliações.

    Obviamente há exceções, quando, por exemplo, apenas um edifício é construído e, para se conseguir a inclusão no programa, há de se ter projeto adequado ao local.

    O que leva a outra hipótese, a de haver um “preconceito” quando se cogita a contratação de um bom profissional entendendo-a como “aumento dos custos” esquecendo-se do aumento dos “custos” relacionados a baixa qualidade de vida diária decorrente de espaços ruins, “feios” e massificados.

    Pesquisando sobre isso encontrei a página do CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo (dissidência do CREA) que propõe projeto piloto para “universalizar acesso à Arquitetura de qualidade” e “oferecer atendimento gratuito de arquitetos para famílias com renda até três salários mínimos”

    http://www.caubr.gov.br/?p=17069

    Um paliativo, já que se destina à construção individual, feita a partir das economias próprias de proprietários com mão de obra pouco especializada e que não tem acesso direto à crédito imobiliário.

    A ver.

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