Visita de crianças de abrigo à OCA pode render frutos sociais

Eduardo Ogata / Divulgação

Jornal GGN – Hoje, 8 de agosto, Ana Estela Haddad, esposa do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, acompanhou um grupo de 20 crianças e adolescentes em uma visita à exposição Mayas – Revelação de um tempo sem fim, que está sendo realizada na OCA, no Parque do Ibirapuera. A excursão faz parte da iniciativa São Paulo Carinhosa, lançada pela primeira dama há quase um ano, em 28 de agosto de 2013, um programa de articulação de ações voltadas para a infância.

A ideia de abrir o circuito cultural da cidade para jovens em situação de risco foi concebida após um mapeamento dos abrigos da cidade. Atualmente, São Paulo tem 2900 crianças atendidas por essas instituições. Muitas vezes, esses jovens vieram de situação de rua e foram vítimas de maus tratos, abuso sexual, prostituição e uso de drogas. Antes da São Paulo Carinhosa eles não tinham nenhum projeto integrado de cultura.

Por meio de trabalho não remunerado, Ana Estela Haddad resolveu mudar essa situação. Ela, que não quer ser reconhecida como uma primeira dama de aparências e nem quer ficar apenas no assistencialismo muitas vezes inerente ao papel, está conseguindo integrar os trabalhos de 14 Secretarias Municipais.

Presente no passeio, Larissa Beltramim, secretária-adjunta de Direitos Humanos, elogiou os esforços da primeira dama. “As diversas áreas da cidade estão conseguindo conversar cada vez mais. As Secretarias estão desenvolvendo projetos em comum acordo, melhorando o uso dos recursos e potencializando os resultados”, disse.

Ana Estela explicou o foco do projeto e alguns dos resultados que já foram conquistados. “O prefeito e eu acreditamos que uma política de equidade tem que começar na primeira infância. A fila para creches municipais, por exemplo, era apenas cronológica, quem chegasse antes tinha prioridade. Mas nós entendemos que algumas famílias têm mais condições do que outras e sabemos que o desenvolvimento infantil é muito influenciado pelas condições do cuidador. Por isso, priorizamos quem está em situação de risco e já conseguimos zerar a fila para as crianças dos abrigos”, contou.

A São Paulo Carinhosa já coleciona algumas outras ações. Na Zona Leste, a iniciativa está envolvendo pais adolescentes na gestação de suas companheiras. Além de tratar doenças sexualmente transmissíveis – e assim evitar recontaminações e riscos para o feto -, os pais estão sendo trazidos para o pré-natal para fortalecer o vínculo com o bebê e a companheira. A ação, de acordo com a primeira dama, está sendo um sucesso e a intenção é que ela seja replicada em outras partes da cidade.

A excursão de hoje serviu como um piloto, uma primeira tentativa de ampliar o acesso à cultura, uma maneira de avaliar suas reações. E pareceu dar certo. Os 20 meninos e meninas, todos jovens, todos negros ou pardos, desceram do ônibus um pouco tímidos, um pouco desconfiados, mas foram se soltando na medida em que a primeira dama, os guias e monitores interagiam com eles.

Eduardo Ogata / Divulgação

Enquanto admiravam as maquetes das antigas cidades maias os jovens não tiveram dificuldade para entender as divisões sociais nas pirâmides e templos. “No centro moravam os mais ricos e nas periferias as pessoas comuns”, disse Clayton, de 18 anos, para a aprovação do guia que acompanhava a turma.

Eles também participaram de atividades de escavação em caixas de areia, para deleite dos mais jovens. Wesley, de 8 anos, cavava mais rápido do que a primeira dama conseguia catalogar. Também foi engraçado observar as reações das crianças a alguns objetos antigos. Manuela, de 15 anos, grávida de quase nove meses, achou um disquete enterrado e perguntou “Tio, o que é isso?”. Já Rebeca, também de 15 anos, encontrou um Bilhete Único na areia e disparou “Será que tem crédito? Eu to precisando!”.

Afonso Luz, diretor do Museu da Cidade e um dos responsáveis por levar todos até lá, demonstrou confiança no andamento do projeto e cogitou até mesmo a possibilidade de separar uma cota para os adolescentes dos abrigos no programa Jovem Monitor, que atualmente prepara universitários dos cursos de Artes e História para compreender os acervos e guiarem os visitantes.

A ideia foi celebrada pela primeira dama, que explicou que o momento de deixar o abrigo, quando superam a idade limite, é potencialmente traumático. “É mais um vínculo que eles perdem na vida. Então, temos que prepará-los para isso. Profissionalmente e desenvolvendo residências, repúblicas, que possam recebê-los”.

Ana Estela espera que empresas possam entender a importância deste projeto, o alcance na vida de crianças e adolescentes em situação de risco, e partam para uma parceria com a Prefeitura, no sentido de viabilizar a visita destes jovens aos centros de cultura existentes na cidade. “Hoje São Paulo já tem um número grande de iniciativas e as próprias empresas desenvolvem suas ações”, disse ela, “mas se conseguirmos articular esses interesses, vamos poder trabalhar mais e melhor”, concluiu.

Eduardo Ogata / Divulgação

Fotos: Eduardo Ogata / Divulgação

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6 comentários

  1. E a maioria da dita “classe media tradicional”

    paulista e paulistana que jura de pés juntos que a política só pode ser suja, a não ser que faça o que o tal “mercado financeiro” decide o que é “justo”….

  2. Se “deixarem ” o prefeito

    Se “deixarem ” o prefeito Haddad trabalhar, poderá fazer um belo governo na cidade . Humanizar  São Paulo, que tanto precisa ! Parabéns a esposa por dar tb sua contribuição.

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