Recado para Lya Luft – 2

Por Silvania Mendonça Almeida Margarida

Comentário ao post “A intolerância elitista de Lya Luft

Lya Luft, ofereço a você esta poesia. Quem sabe que, você, grande escritora, comece a entender que a sua intolerância, pautada aqui, é inútil, mesquinha e desumana. Tudo passa, amiga escritora. O Brilho da academia são os brilhos dos refletores que um dia apagam. Ah! amiga sofredora e desumana, a inclusão social do p.n.e (você sabe o que esta sigla significa?) não é u ma questão do Estado e da sociedade feita pelo homem. É uma questão transcendental. Mas isto não se aprende na academia  não é?. Quanto à academia,  parece que eu tirei mais proveito, pois sei tributar à inclusão social e a poesia.

TRIBUTO AO AUTISMO 

Silvania Mendonça Almeida Margarida

Era preciso que pais, mães e 
profissionais se unissem
Em torno de síndrome desconhecida
Aspirassem viver como uma poesia 
o autismo e as labutas do dia a dia
A essencial atmosfera dos sonhos lúcidos 
E dos ritmos elementares das estereotipias.
Era preciso que pais fossem 
extremamente políticos 
Polidos e, às vezes, oprimidos, 
Mas na labuta constante
com filamentos de ternura
e risos dispersos 
ao tempo de um heroísmo
Que só espalha alegria.

O autista tem ritmos elementares
Como vindos da cidadezinha do interior
Ou do canto do céu sem dizer o porquê.
Pequenos cantores teimosos
que cantam a liberdade no silêncio contido 
as cantigas de ninar e a vontade de ser…

A vontade de ir ao futebol, 
A alegria de se ter uma boneca
Os ritmos dos irmãos que saíram
E ele tristonho não pode acompanhar
E tentar dizer que se parece
Com qualquer gente do mundo
E a normalidade é coisa estéril…

Os olhos melancólicos a dizer:
“Pertenço também ao seu mundo 
Embora de maneira diferente
Venha me resgatar!
E eu darei a você trejeitos!
Não me abandone aos remédios
Não me deixe sem orações
Você me ensina a rezar”.

“Se o mundo me repeliu,
Você que prolonga o meu amor
Que me dá carinho e fervor
Leva-me pelas estradas do meu universo
Autista sou e este é meu jeito de amar”…

“Pais, mães e profissionais
Também os amigos que possam me compreender
Falem por mim os que não estão sujos de tristeza
que não ficam ferozes no desgosto de tudo 
e não são revoltados pelo recanto do meu eu
Cantem a música inédita, aquela que mais entendo
As músicas das mãos e da compreensão,
Do amor e do amadurecimento,
Do encantamento e da nobreza do olhar,
A mais bela poesia que o autista humilde pode encontrar.”

“E digam ao mundo inerte que o meu canto aquebranta
Que as Inteligências múltiplas, elas não existem,
nem faço muita questão do tema do meu hino 
que foi criado por Deus em torno de você
“Eu autista que sou,
Faço as flores do outono, 
nos dias de abril
que mando por via postal
ao inventor dos jardins”
para que precisamente no dia “dois”
Divulgue ao mundo que o autismo é um jeito de ser”…

“Ser tão sozinho em meio a tantos ombros,
andar aos mil num corpo só, franzino,
e ter braços enormes sobre as casas”
É ter asas para voar, para aprender, 
A meditar, repito sem medo de errar, 
O autismo é um jeito de ser
e um dia terá que passar”

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