Os desmandos da PM mineira

Por zemorisso

Nassif, está existindo um clima de impunidade na PM de Minas Gerais. No caso do aglomerado da Serra onde duas pessoas foram assassinadas, os policiais tentaram forjar a história de que as vítimas estavam usando uniformes da Polícia Militar e os atacaram com dois revólveres 32 enferrujados e eles tiveram de revidar para se protegerem. Um dos policiais foi encontrado morto, pendurado pelo pescoço, com o barbante do calção que usava, no registro do banheiro onde estava detido. Na mesma época ocorreu o caso do número 134, como foi chamado pelo jornalista Pedro Ferreira do jornal o Estado de Minas. Um trecho da matéria que saiu nesse sábado de carnaval:

“O inquérito da Polícia Civil (PC) que apura o envolvimento de sete policiais militares na morte de um homem ainda não identificado que havia sido preso por eles, horas antes, num motel do Centro de Belo Horizonte, pode se transformar em guerra judicial. O comandante do 1º Batalhão, tenente-coronel Márcio Cassavari, afirmou que não vai permitir que os PMs sejam ouvidos pela PC, já que, em sua opinião, o caso seria crime militar e caberia à própria corporação apurar. No entanto, o delgado chefe da Divisão de Crimes Contra a Vida, Wagner Pinto, discorda. “Vou encaminhar ofício à Corregedoria da PM para ouvir os militares. Se não conseguir, vou recorrer à Justiça”, ameaçou. Funcionários do motel e do Hospital Psiquiátrico Galba Veloso, onde o desconhecido foi deixado pelos PMs com vários ferimentos e morreu três horas depois, prestaram depoimento. O corpo permanece no Instituto Médico Legal (IML) como número 134.”

Todas as testemunhas viram o sujeito chegar apavorado no motel, sem nenhum ferimento aparente. Sete policiais o tiraram de lá algemado.

“Quando chegou (no Motel), o desconhecido carregava uma grande quantidade de dinheiro e teria oferecido à recepcionista para deixá-lo entrar, mas ela recusou e o homem invadiu um quarto. Com a prisão dele, o dinheiro teria sumido. A Polícia Civil comparou os relatórios e boletins de ocorrência registrados e constatou incoerências, incluindo os horários da ocorrência. Foi apurado que o desconhecido foi levado do motel às 3h05, mas os PMs relataram 5h20. No relatório não consta que o homem saiu algemado, como mostram as imagens. Para os PMs, “o homem invadiu tomando rumo ignorado”. No boletim de ocorrência, também não há informações sobre o dinheiro citado pelas testemunhas.”

A PM mineira sempre passou uma idéia de firmeza, mas de correção. Parece que as coisas estão descambando. E é melhor ficar atento. A imprensa ainda está acompanhando, mas, em Minas Gerais, tudo é resolvido com jeitinho e não custa nada o caso sair do noticiário e ficar por isso mesmo. É típico da “política” mineira contar com o tempo para tudo ficar do jeito que está. 

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