Sobre a abordagem dos efeitos e das causas da seca

Comentário ao post “A seca no Nordeste: um crime contra a humanidade

A sêca é um fenômeno climático periódico, portanto previsível. Apesar de ainda se revelar como tragédia, nesse caso anunciada, com efeitos dramáticos no que ainda resta de atividade primária na região e consequente percalços na qualidade de vida dos que ainda dela sobrevive, duas diferenças fundamentais com relação ao passado são evidentes:

a) Maior amparo social das populações afetadas. Antigamente a saída eram duas: ou o cemitério ou “pegar o Ita para o Norte”. A partir da década de sessenta a emigração para os grandes centro urbanos, a começar pelas capitais e para o Sudeste.

b) A economia nordestina não tem mais a dependência básica da agricultura e pecuária de subsistência. Ao contrário, aqui no Ceará, por exemplo, já importamos gêneros de primeira necessidade. O setor secundário e principalmente o terciário já são hegemônicos. E continuam a crescer. Basta ver que em 2012 o PIB industrial da região cresceu 1,7%, enquanto o nacional decaiu 2,7%. As três maiores economias da região, Bahia, Pernambuco e Ceará, cresceram, respectivamente, 3,8%, 3,7% e ,2,6%, em parte turbinados pelos investimentos em infraestrutura(Fonte: IBGE). Com relação ao Ceará, um indicador forte acerca essa predominãncia do setor primário, o mais afetado diretamente pelas estiagens, é a taxa geométrica de crescimento anual urbano e rural: no periodo de 2000 a 2010 enquanto a urbana foi de 1,78% a rural apontou, -0,50%, implicando num incremento de 1.028.672 habitantes para as zonas urbanas enquanto as rurais diminuíram 11.278 pessoas. Em termos econômicos, o PIB industrial(25%) e  dos Serviços(70%) e Agropecuária (5%) deixa entrever a participação quase insignificante da atividade primária no contexto econômico do Estado. (Fonte: IPCE-Instituto de Pesquisa e Estratégica Econômica do Ceará).

Esses e mais outros sinalizadores indicam que a abordagem dos efeitos(e até das causas) da sêca devem abandonar os estereótipos que balizaram as políticas econômicas e sociais para esta região desde o início do século XIX.  Devemos não só conviver com a sêca, mas tirar proveito econômico dela. Estiagem para o litoral, por exemplo, implica em falta de chuva e excesso de sol. Nenhum turista nos procura à busca de frio, neve ou chuva.

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