Tancredo Neves e a questão da justiça social

Por Ricardo Souza

Do Novo Jornal

Editorial II: JÁ FOI ASSIM 

Por Geraldo Elísio

“Seus clientes menos satisfeitos são sua maior fonte de aprendizado”. – Bill Gates

O velho repórter, diante de tanta indigência política cultural, dedicou o final de semana à leitura do livro “Tancredo Neves – Pensamentos e fatos – editado pela Fundação Ulisses Guimarães, o ícone das Diretas-Já, razão pela qual ficou conhecido como “O Senhor Diretas”, destacando trecho do discurso “Princípio para restaurar a democracia”, pronunciado em sessão plenária do Senado Federal, Brasília, em outubro de 1980, pelo então senador Tancredo Neves. Matou um pouco a saudade dos grandes pensamentos e oradores. Leiam o seguinte trecho:

“A história recente na Grécia, na Península Ibérica e no nosso atormentado continente revelou, de maneira inconcussa, que os regimes autoritários, quando divorciados da verdadeira justiça social não resolvem nenhum problema, apenas adiam e tornam ainda mais catastróficos os conflitos não desfeitos ou absorvidos “(…)

(…) Todos desejamos as reformas no palco amplo e iluminado da democracia. Mas havemos de convir de que a implantação de uma democracia autêntica, que não exija respeito somente ao seu aparato e ritual liberal, mas, sobretudo, à criação de condições de acesso do povo ao poder econômico e aos benefícios da civilização, esta democracia é temida pelas elites e classes dominantes em nosso País, que vêem, no avanço social das massas por mais segurança econômica e justiça social, uma ameaça aos seus monopólios e privilégios erigidos sobre a violência e a injustiça.

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Não basta o desenvolvimento econômico para corrigir os desníveis sociais. Se ele é comandado pelo espírito do autoritarismo como está ocorrendo entre nós, verifica-se que não se trata de um desenvolvimento econômico para o povo, mas para segmentos privilegiados e minoritários nacionais.

Essas camadas, que se situam no topo de nossa pirâmide social, cercadas de toda a proteção e se locupletando da quase totalidade do trabalho de todos, devem se convencer de que seu apego aos seus interesses e privilégios, no processo de profundas transformações por que passa o País, as coloca em risco de soçobrarem na avalanche revolucionária que fatalmente, as levará de roldão, se persistirem as estruturas políticas e sociais iníquas que as sustentam.

Robert Mac Namara, insuspeito pela sua clarividente fidelidade à filosofia do mundo capitalista, adverte, com a força de sua penetrante lucidez:

“Quando as pessoas altamente privilegiadas passam a ser poucas e as extremamente pobres muitas, e quando as diferenças entre as primeiras e as outras tendem a aumentar, a necessidade de uma opção definitiva entre o custo político da reforma e o risco político da rebelião é apenas uma questão de tempo”. (…)

Uma pena que ninguém aprendeu nada dessa lição.

Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e instituições aqui citadas.

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