Análise da Reforma da Previdência do ponto de vista político, por Alberto Almeida

O próprio governo, nas falas de Flávio Bolsonaro e do líder do PSL na Câmara - ontem - relativiza e coloca em dúvida a proposta enviada

Foto BBC Brasil

Análise da Reforma da Previdência do ponto de vista político

por Alberto Almeida

Há no Twitter dezenas de análises da proposta de reforma da previdência do ponto de vista econômico, convém abordá-la sob o prisma da política, avaliando sua viabilidade.

Símbolos e comunicação são parte fundamental da política. Por outro lado, qualquer reforma da previdência em qualquer época ou país é sempre sinônimo da fazer maldade, de fazer algo que no curto prazo prejudica as pessoas. Assim, cumpre minimizar símbolos que agravem as dificuldades inerentes ao tema. 

Parece que a proposta não fez isso em aspectos importantes, dentre os quais o que diz respeito ao BPC e às aposentadorias rurais, deixar os militares de fora, e a tentativa de esconder a obrigatoriedade da capitalização e a possibilidade de reduzir a idade de aposentadoria dos ministros do STF.

Adicione-se a isso que o governo não tem nem base parlamentar, nem liderança na Câmara. Caso ele se dedique a partir de hoje a reverter essa situação, levará um bom tempo até que uma base mínima e um líder confiável estejam constituídos, é um processo lento e difícil. Além dos símbolos contrários à reforma adicionados desnecessariamente à proposta, veremos em breve a atuação dos lobbies das minorias organizadas, das corporações. Somente o Presidente da República poderá dobrá-los por meio de inúmeras ações políticas.

Por outro lado, o próprio governo, nas falas de Flávio Bolsonaro e do líder do PSL na Câmara – ontem – relativiza e coloca em dúvida a proposta enviada. Ora, diante disso, porque um parlamentar deveria apoiá-la? O próprio filho do Presidente não mostra entusiasmo, não a defende.

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Tudo isso ocorre em um cenário de denúncias: candidatos laranja, ligação com milícia, dinheiro público de campanha desviado para enriquecimento pessoal e por aí vai. O Presidente Bolsonaro nunca defendeu a reforma, portanto, não faz parte de suas convicções. Isso dificulta que se torne um defensor persuasivo da proposta, que o diga a fala de ontem de seu filho.

Paulo Guedes foi uma adesão conveniente na campanha, apenas isso. Eles não se conheciam e nunca haviam feito nada juntos. Tudo isso conta para a tramitação da proposta. Lembremos de como o Presidente desautorizou Guedes no episódio do leite em pó. Resumindo, o governo tem diante de si a mais difícil das reformas, e nela deposita suas chances de sucesso. Porém, nunca se viu uma base tão desorganizada e um governo tão medíocre do ponto de vista da articulação política.

Será preciso muito trabalho na política, competente e cuidadoso, para que a reforma da previdência proposta não seja mais desidratada do que seria em um ambiente legislativo pacificado e favorável.

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2 comentários

  1. Simbolos e comunicação sao imortntes, né?
    Ou seja, se a bancada progressista vota “nao”, a orientação da bancada BBB é votar “sim”, ora, ora.

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