Após otimismo, Temer baixa o tom e subestima mudanças da reforma da Previdência


Foto: Marcos Corrêa, Planalto
 
Jornal GGN – O presidente Michel Temer vem trabalhando, nos últimos dias, em articulações para tentar aprovar a reforma da Previdência antes do fim de seu mandato. Com a baixa popularidade do peemedebista e preocupações de parlamentares junto a seus redutos eleitorais com as eleições se aproximando, alternativas vão sendo analisadas e, até possivelmente, a desistência das mudanças nas aposentadorias.
 
Com o intuito de aprovar o texto pensando ainda na confiança depositada por empresários e investidores, Temer evita dizer publicamente que jogou a toalha sobre o tema. Em jantar com representantes comerciais e jornalistas, nesta segunda-feira (20), afirmou que uma saída seria promulgar a reforma de maneira fatiada.
 
Com o conhecimento de que seus esforços não conseguiram aderir a base aliada de volta ao seu governo, Temer ignora os fatos e afirma que há chances de aprovar a reforma da Previdência. De maneira extremamente positiva, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha afirmou que, em uma escala de 0 a 10, o governo estaria em 8 pela aprovação.
 
Segundo o mandatário, na Câmara o trabalho já estaria quase completo, e o texto poderia ser aprovado ainda em dezembro deste ano. Já no Senado, Temer calcula que o projeto seria analisado apenas no próximo ano. E também otimista acredita que os senadores irão aceitar as propostas da forma que saírem da Câmara.
 
Caso o Senado decida alterar o texto original, uma saída para que a matéria seja promulgada ainda durante o governo peemedebista seria devolver apenas os trechos alterados de forma fatiada à Câmara e aprovar imediatamente o que for de consenso das duas Casas Legislativas.
 
“Assim evitaríamos aquele pingue-pongue de uma Casa ficar mandando de volta o texto para a outra. Se o Senado concordar com uma parte da reforma, promulga-se esse trecho e o outro volta para a Câmara”, disse Temer, durante um jantar organizado pelo jornalista Fernando Rodrigues.
 
O otimismo, contudo, mostrou-se presente apenas do lado da equipe de governo. Apesar de o mandatário contar com os votos suficientes da Câmara, a versão positiva da proposta não foi refletida nem pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
 
Nesta terça (21), Maia disse que o governo está é “muito longe” de ter os 308 votos para aprovar a reforma da Previdência. Apesar de ser um dos maiores defensores das mudanças nas aposentadorias, o deputado disse estar claro que o apoio não é suficiente. 
 
Por se tratar de uma proposta de Emenda à Constituição, o projeto precisa de um mínimo de 308 deputados a favor antes de seguir para o Senado. “Com todo desgaste, a reforma foi demonizada, hoje nós estamos muito longe”, disse.
 
Entretanto, por ser um dos maiores interessados no projeto, Rodrigo Maia disse acreditar que é possível resolver “se ajustarmos a comunicação junto com os deputados e explicar quais são impactos da reforma”.
 
As dificuldades de hoje, ao contrário do cenário desenhado ontem, modificaram até o discurso do mandatário peemedebista nesta terça. Durante um discurso no Palácio do Planalto, Michel Temer afirmou que a reforma nem “é muito ampla”. 
 
Tentando aderir o apoio dos 308 votos que precisa, disse: “Quando os senhores verificarem na televisão, uma certa publicidade, não se trata disso, trata-se de esclarecimento. As manifestações equivocadas quanto à reforma têm sido muito amplas. O que temos feito é dizer: olha, vamos fazer uma reforma que vai trazer vantagens para a Previdência Social, mas ela não é muito ampla”.
 
“Temos o limite de idade e vamos equiparar o sistema público e privado”, completou, como se fossem poucas e apenas estas as modificações do texto proposto. “Temos que esclarecer o que precisamos fazer para podermos sobreviver nos próximos anos”, seguiu, em tom de ameaça.
 

5 comentários

  1. Quem quer a tal reforma é o

    Quem quer a tal reforma é o mercado, a globo (puxada pelo nariz lá de fora), tucanos, a fascistada e a trouxinhada.

    O Temer e o centrão até entregam (como entregaram o presal e etc.): mas não é tão fácil assim , né, cara pálida?

    Essa que é a “negociação”. Já botou um Diretor da PF aqui, uma PGR alí… e por aí vai.

    Aí analistas e cientistas políticos falam em “articulação”, “melhorar o texto” da reforma, “base de apoio”…

    … Ai, ai…

  2. É um verdadeiro absurdo e uma
    É um verdadeiro absurdo e uma tirania ! Para contentar bancos, organismos estrangeiros e agências de classificacao de risco, o governo IMPÕE uma reforma aumentando a idade mínima,onde o cidadão terá que trabalhar muito mais anos e recolher mais contribuições,para no final da vida, receber uma aposentadoria reduzida.Enquanto isto, dívidas enormes são perdoadas pelo governo, onerando os cofres previdenciários.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome