Floriano Sá: Essa reforma da Previdência só interessa ao Sistema Financeiro

Fotos: Vlademir Alexandre

da Agência Saiba Mais

Floriano Sá: Essa reforma da Previdência só interessa ao Sistema Financeiro

por Rafael Duarte

A pressão da sociedade suspendeu a votação da reforma da Previdência pelo Congresso Nacional em 2018 e estendeu o debate pelo menos até fevereiro do próximo ano, quando o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM) anunciou a nova data. Em ano eleitoral, a aprovação da proposta do Governo Temer chancelada pelo sistema financeiro é ainda mais difícil. Mas é preciso estar atento.

A CPI da Previdência no Senado concluiu que o sistema previdenciário é superavitário. O relatório desconstrói os discursos do governo Temer de que em pouco tempo não haveria dinheiro para garantir o pagamento das aposentadorias.

Entre 2000 e 2015, o superávit foi de R$ 821 bilhões. Atualizado pela Selic, seria hoje de R$ 2,1 trilhões. Nos últimos 20 anos, devido a desvios, sonegações e dívidas, deixaram de entrar nos seus cofres mais de R$ 3 trilhões.

A CPI mostrou ainda que Desvinculação de Receitas da União é outra forma de retirar dinheiro da Previdência. Entre 2000 e 2015, foram R$ 614 bilhões. Atualizado, esse valor seria hoje de R$ 1,4 trilhão. No ano passado o percentual de retirada subiu de 20% para 30%.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil Floriano Martins Sá esteve em Natal para participar de audiência pública sobre a reforma da Previdência proposta pelo mandato do deputado estadual Fernando Mineiro. Usando os números divulgados pela CPI do Senado, o auditor fiscal desmontou o discurso pró-reforma da Previdência.

Nesta entrevista à agência Saiba Mais, Floriano Martins Sá apontou problemas de na previdência e foi categórico: só quem ganha com essa reforma é o sistema financeiro.

Agência Saiba Mais: Os defensores da reforma da Previdência dizem que a Previdência Social sempre foi muito generosa no Brasil. Até que ponto isso é verdade?

Floriano Martins Sá: O servidor publico já teve sua previdência alterada pelo menos sete vezes. O marco temporal da previdência, na realidade, é na época do Império. E até 1991, a previdência tinha um viés premial, o seja, fazia parte do contrato de trabalho do serviço público. Funcionava assim: você vai trabalhar para o serviço público, não vai ganhar muito ou vai ganhar um pouco mais, terá estabilidade e quando você completar o tempo, eu vou continuar lhe pagando da mesma forma como quando você foi admitido. Isso vigorou durante décadas e com a constituição de 1988 foi alterado para a realidade que nós temos hoje. Então o problema é esse.

O Governo aponta o déficit previdenciário como um dos principais problemas da economia…

O que é o déficit de regime próprio? O Governo pega o que ele gasta de aposentadoria e pensão, e nisso estão os militares e todos os poderes, e aplica a contribuição dos servidores, inclusive de quem está aposentado, que é de 11%, e a contribuição da patronal, de 22%. E faz a conta simples: gastei x e recebi y, então o déficit é esse. Mas isso vem do século passado, de longa data. Não posso querer fazer um ajuste só por essa ótica, senão vou ter que cobrar uma alíquota muito mais alta da que esta sendo paga hoje. Então já houve as reformas, a última inclusive estipulou um teto no regime próprio, um teto que hoje é bem baixo porque estamos falando de R$ 5 mil, quando o teto máximo de remuneração é R$ 33 mil. Ou seja, o novo servidor público já está muito bem enquadrado.

A estratégia do Governo é a chantagem, isso está bem claro inclusive na propaganda institucional. Qual o risco do cidadão comum ficar sem a aposentaria se essa reforma da Previdência não passar ?

Nenhum. Para deixar claro: essa diferença, o déficit previdenciário, corresponde a 1,1% do PIB. Já sob os efeitos da emenda constitucional, teremos um pequeno acréscimo, mas até o ano de 2060 essa conta vai a 0,6% do PIB. Então eu vou diminuir essa conta que o governo faz pela metade, ou seja, pela avaliação atuarial de qualquer pessoa não há mais nenhum problema com o regime próprio, já está regulamentado, é só esperar o tempo passar. Para você ter uma ideia, em 2090 o déficit previdenciário será zero. Essa discussão tem que ser levantada.

A CPI da Previdência no Senado apontou que, além de não existir o déficit apontado pelo Governo, o débito de empresas privadas com a previdência supera o suposto déficit divulgado pela União. Como o resultado da CPI pode ajudar a esclarecer a população?

Todos os atores foram convidados para falar na CPI, quem é contra e também quem é a favor dessa reforma da Previdência, até sonegadores, por meio dos seus advogados. O que ficou comprovado é que a previdência social tem que passar por uma reforma gerencial. Ela precisa ser melhor administrada. Precisamos cobrar dos fraudadores, dos sonegadores. Não dá para o secretário da Receita Federal aparecer na CPI e dizer que o estoque da dívida previdenciária levará 77 anos para ser cobrado. Isso não é uma coisa que nos deixa tranquilos com relação ao futuro da Previdência, precisamos desse dinheiro agora, até porque temos um regime de caixa. Preciso da arrecadação hoje. Não adianta ter um papel que vai me dar esse direito. A CPI demonstrou isso. A solução da questão da previdência, desse rombo, passa por uma questão gerencial, leis efetivas para punir fraudadores e sonegadores, os créditos e mais. A previdência social precisa de gente, precisa ser modernizada, precisamos combater os benefícios concedidos de maneira irregular.

A quem interessa essa reforma da Previdência proposta pelo Governo Temer ?

De uma maneira muito clara, só existe um ganhador: o sistema financeiro, que está ávido para se apossar daquele que será o maior fundo de pensão fechado do Brasil: o dos servidores públicos federais. E consequentemente, dos Estados e municípios. A previsão é que ele se transforme no maior fundo de pensão do brasil o longo de pelo menos 20 anos. E candidamente o Governo abre para o gestor oferecer a previdência complementar fechada a ser gerida diretamente pelos bancos. Isso embute a questão do lucro porque ele vai cobrar por isso, além de entrar no sistema de participação, que não é como no sistema de previdência fechada em que o beneficiário participa também da gestão do seu futuro previdenciário, ainda que de uma maneira menor do que a gente gostaria. Então são dois grandes elementos motivadores: esse, de entregar a previdência do setor publico complementar para os fundos de pensão, e outro de reduzir o gasto previdenciário tendo como elemento vedar o acesso ao sistema de previdência social. Ou seja, trabalhador brasileiro, se essa reforma passar, você está condenado a trabalhar até morrer sem se aposentar.

Como avalia as mini-reformas das previdências que os Estados já vêm realizando ?

Os estados vêm fazendo suas reformas ainda sob a égide da constituição que vigora. Passando essa nova, caso essa reforma da Previdência seja aprovada, a impressão é que os servidores vão sofrer ainda mais porque as reformas serão muito mais draconianas.

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais vai apresentar uma proposta de reforma tributária para o país em 2018 ?

Estamos concluindo um estudo para apresentar a todos os candidatos à presidência da República em 2018. A grande reforma que a sociedade pode fazer é a tributária. E os fiscos estadual e federal estão juntos propondo para o Brasil um novo modelo de sistema tributário. Em maio do próximo ano estaremos com esse estudo pronto e, então, buscaremos os políticos que disputarão o mandato 2018 para sua concordância, apoio e observações. A ideia é começar 2019 mudando o sistema tributário brasileiro, que é altamente regressivo.

Por quê ?

Porque ele cobra menos daquele que pode pagar mais e cobra mais daquele que deveria pagar menos. O objetivo maior é nessa linha, a justiça tributária.

 

 

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16 comentários

  1. Menos, menos…

    Não foi a pressão da sociedade que adiou a votação da reforma da Previdência, foi porque as negociações não chegaram a um denominador comum. Se o governo oferecer uma “valorização” aos deputados;/senadores “leais” que supere o eventual prejuízo de não se reeleger, eles votam até um PL declarando Satanás como novo padroeiro do Brasil…

  2. Pressão da Sociedade suspendeu a votação?

    Pressão da sociedade vírgula, pressão sim das organizações que representam quem mais vai perder com a reforma, o funcionalismo público. Fazem terrorismo com a questão da aposentadoria por idade para a população mais carente, quando mais de 80% delas já se aposentam por idade e não por tempo de trabalho. Na verdade o que querem é inviabilizar a reforma para não perder a aposentadoria INTEGRAL aos 50, 55 ANOS de idade. 

    • Meu caro, sou funcionário público federal e tive que me …..

      Meu caro, sou funcionário público federal e tive que me aposentar com mais de 60 anos de idade.

      Entrei para a universidade em 1978 e me aposentei 2014, ou seja, 36 anos de contribuição sem contar com o tempo anterior para a previdência geral, se somasse isto daria aproximadamente 38 anos de contribuição (na época que estudava bolsista não contava). Tudo isto pode ser comprovado por diário oficial da união.

      Contribui todo o tempo sobre 100% do meu ganho bruto, então meu amigo, se jogares m… contra o ventilador, talvez ele respingue para o teu lado.

    • Meu caro, sou funcionário público federal e tive que me …..

      Meu caro, sou funcionário público federal e tive que me aposentar com mais de 60 anos de idade.

      Entrei para a universidade em 1978 e me aposentei 2014, ou seja, 36 anos de contribuição sem contar com o tempo anterior para a previdência geral, se somasse isto daria aproximadamente 38 anos de contribuição (na época que estudava bolsista não contava). Tudo isto pode ser comprovado por diário oficial da união.

      Contribui todo o tempo sobre 100% do meu ganho bruto, então meu amigo, se jogares m… contra o ventilador, talvez ele respingue para o teu lado.

      • Meu caro, o trabalhador do

        Meu caro, o trabalhador do setor privado também contribui sobre 100% do ganho bruto, descontando todo mês na fonte, fora o que a empresa paga de encargos. E independente do salário não recebe mais que o teto da previdência de 5.000 e pouco. Muito diferente de vocês que recebem o salário integral com bonificação para o resto da vida, de forma acumulativa, e ainda em idade produtiva. Me desculpe mas ninguém é melhor que ninguém, nada mais justo que um sistema único de previdencia para o setor público e privado, sem privilégios inclusive para políticos, juizes, etc… E é isso que a Reforma quer fazer. Quem vai contra essa medida só poder estar desinformado ou faz parte deste seleto grupo de mamadores de teta da República.

        Em tempo, minha mãe também é servidora pública federal, professora de universidade, se aposentou aos 46 anos de idade, com salario integral, após 25 anos de contribuição.  

        • Mentir é feio, principalmente mentira deslavada

          Há um teto de contribuição, por exemplo no dia de hoje através da Portaria MF nº 8, de 13 de janeiro de 2017 os valores são limitados ao chamado ao Limite máximo do salário-de-contribuição e do salário-de-benefício (teto do RGPS) que é  R$ 5.531,31.

          Ou seja, o máximo valor que pode ser descontado é em relação ao RGPS, que no dia de hoje é R$ 5.531,31, já um funcionário público desconta pelo valor bruto recebido, por exemplo se ele ganhar 2 x 5.531,31 ele pagará sobre este valor, ou seja, R$11.062,62.

          Segundo, nos dias atuais para receber integral o funcionário deverá respeitar tempo de contribuição mínima e idade mínima, que não é 46 anos de idade e 25 anos de contribuição.

          A senhora sua mãe, supondo que ela seja uma senhora honesta, ela se aposentou antes da última mudança de legislação, que já existe há mais de uma década, onde não existe mais esta aposentadoria com 25 anos de contribuição, ela deve ter se aposentado antes de 2003 (ou seja a 14 anos) pois a regra MUDOU, e ainda mudou de novo.

          Após a Lei 12.618 de 30 de abril de 2012, os professores entraram no seguinte regime:

          Máxima contribuição: Teto do RGPS no dia de hoje R$5.531,31, acima disto entra num Regime de Previdência Complementar que não garante rendimento integral a ninguém.

          Agora deixamos claro, estas leis valem para o executivo, exceto as Forças Armadas mas não vale para o JUDICIÁRIO nem para o legislativo.

          Quer que eu desenhe? Ou ficou claro!

          • Bom, eu sugiro que o senhor

            Bom, eu sugiro que o senhor abaixe o tom, para que tenhamos uma discussão decente. Não há mentira deslavada, você confirmou o que eu disse sobre o teto para o funcionário privado, mesmo que após atingir o teto a contribuição também seja limitada. E sim minha mãe se aposentou antes de 2003. E que bom que algumas regras mudaram, especialmente sobre o Regime de Previdência Complementar, que deve estar ajudando a reduzir o ritmo de crescimento do rombo que o setor público causa no Orçamento. Agora, te peço que me responda a algumas perguntas, sem desvios. Por que funcionário público deve ter um regime de previdência diferenciado? Por que não igualar ao setor privado? Por que ser contra uma reforma que acaba com privilégios de grupos, com a farra das aposentadorias precoces, das pensões cumulativas, de gente recebendo fortunas vitalícias? Principalmente um simpatizante de Esquerda, não deveria ser a favor de direitos iguais para todos?

          • Meu caro, se não conheces um assunto não deves….

            Meu caro, se não conheces um assunto não deves emitir opiniões enfáticas.

            Como podes ver pelo que escreveste da senhora sua mãe confirmou que ela se trata de uma pessoa honesta que se aposentou exatamente de acordo com a regra legal da época, ou seja, ela deve ter em torno de setenta anos de idade e gozou de uma regra que fora escrita há mais de quarenta anos (no tempo dos governos militares) que criaram a aposentadoria especial para professores (25 mulheres e 30 homens). Porém esta regra era baseada nos cálculos atuariais da época, onde a esperança de vida era muito mais baixa, e esta regra foi criada genericamente para todos os professores não só das IFES.

            O que não notaste é que o que foi criado pelo Estado não é nada de excepcional em relação a todas as grandes empresas multinacionais que possuem fundos de aposentadoria, estes fundos só são viáveis para grandes empresas estáveis com um número imenso de funcionários.

            A IBM, assim como a General Motors e outras possuem fundos para seus funcionários onde a empresa (depois de 2006) entra com um aporte de até 5% a 6% de tudo que o funcionário contribui para o fundo, ou seja, independente do que ganha o funcionário ele aporta uma quantidade X e a empresa dobra esta quantidade ou se ele contribui com mais ela fica no limite.

            Em 2006 quando trocaram o plano, os funcionários mais antigos continuaram recebendo o aporte financeiro da IBM sem a reciprocidade acima referida.

            O que se vê é que planos de aposentadoria, públicos ou privados são gerenciados pelos grandes grupos e negociados o aporte financeiro com os próprios funcionários, não impondo algo de baixo para cima. O aumento da espectativa de vida, que na realidade dos países desenvolvidos parou de crescer ou mesmo começa a cair (é surpreendente mas é verdade).

            Logo a lei de um Regime de Previdência Complementar EXISTE EM TODAS AS GRANDES EMPRESAS DO MUNDO (OCDE), não tem nada de excepcional, era melhor do que ficar indignado comigo é que estudes um pouco o assunto e verás que não estou dizendo mentiras ou bobagens, por outro lado….

          • Meu caro, eu sei que algumas

            Meu caro, eu sei que algumas regras mudaram, citei o caso da minha mãe só para enfatizar meu ponto. E que bom que mudaram, do contrário o rombo hoje seria muito maior, que bom que alguma passou pela barreira do corporativismo que os donos dos privilégios fazem quando essas reformas são propostas no Congresso. Toda mudança proposta desde FHC enfrenta a resistência Petista, partido da grande maioria dos funcionários públicos. O partido que caga e anda para a situação fiscal do país. Meu ponto é, se você diz que para o SPF não há mais privilégios, por que são contra a Reforma da Previdência? E mando novamente as perguntas que não me respondeu.

            – Por que funcionário público deve ter um regime de previdência diferenciado?

            – Por que não igualar ao setor privado?

            – Por que ser contra uma reforma que acaba com privilégios de grupos, com a farra das aposentadorias precoces, das pensões cumulativas, de gente recebendo fortunas vitalícias?

            – Principalmente um simpatizante de Esquerda, não deveria ser a favor de direitos iguais para todos?

          • Vamos as respostas.

            1º) Servidores públicos (no executivo) tem um sistema de previdência que é mais rigoroso que o privado, logo igualar significaria, por exemplo que o governo teria que depositar o FGTS pelo período que passou em contas individuais de todos os servidores ativos e provavelmente os inativos ganhariam o direito na justiça, ou seja, seria um custo astronômico que não teria nem recursos no orçamento da União. Imagine que haja em torno de 2,2 milhões de servidores, que o salário médio esteja em torno de R$5.000,00 e que o tempo de trabalho médio estivesse em torno de 20 anos (todos os valores são conservadores). Para igualar o sistema de previdência o governo deveria depositar 2.200.000*5.000*20=220.000.000.000,00 = 220*10^9, ou seja, de cara o governo teria que depositar de FGTS 220 bilhões que entrariam através de compra de casa própria no sistema.

            2º) O governo não pode se igualar a uma padaria, mas sim a uma corporação com 2,2 milhões de empregados, logo para isto um fundo de pensão privado não tem como garantir nada.

            3º) Quanto as pensões precoces, pensões cumulativas e fortunas vitalícias NÃO EXISTEM REGRAS QUE PERMITAM ISTO NO EXECUTIVO, isto existe sim no judiciário e no legislativo, e este o governo ou nenhum deputado do governo quer tocar. 

            Há uma ilusão sobre benefícios que existiam e que deixaram de existir, quinquênios, triênios e qualquer aumento por tempo de serviço ACABOU, licenças prêmio foram cortadas desde o governo FHC, o reajuste está na ordem do 1% e outras categorias não os recebem a ANOS. O governo não paga plano de saúde nem nada, é o SUS e que cada um se vire. A única e derradeira vantagem é a estabilidade que é conquistada somente a partir de cinco anos de ingresso.

            Agora se eu fosse juiz ou promotor é outra história.

            Outro detalhe, se fosse igualar o sistema público ao privado eu por exemplo deveria receber 4 (quatro) salários resultante do desconto de 10% que tive na minha aposentadoria neste período, também poderia solicitar a cobrança de 10 anos de 4 horas por semana de horário noturno que fiz dando aula após as 20:30 que fiz nos últimos dez anos (perfeitamente comprovável) também deveria receber responsabilidade acrescida pois além de professor que trabalhava em média na sala de aula em torno de 14h a 16h por semana fazia o papel de engenheiro.

            Meu caro, não fantasie.

          • Um último ponto sobre o 2º

            Um último ponto sobre o 2º tópico, onde você se engana. No caso não seria um fundo de pensão privado, mas vários, em concorrência direta, e cada funcionário cuidando do seu. Fundos estes que gerariam receita (impostos) ao invés de rombo (70 BI esse ano) e prejuízo dos fundos de pensão do Governo, por decisões políticas equivocadas. 

          • Sonhar sem pensar na realidade é um direito de cada um.

            Os Chicagos Boys no Chile fizeram exatamente o que falas, só que o número de fundos por realidade do MERCADO ficaram restritos a uma meia dúzia. Mesmo com esta meia duzia o que resultou que todos estes fundos que de acordo com dados da OCDE tem um capital acumulado de 69,6% do PIB chileno, quando este sistema chegou ao 35 anos de existência e começou a pagar todas as aposentadorias novas, 90,9% dos aposentados recebem menos de 149.435 pesos (cerca de R$ 694,08) para um salário mínimo de 264 mil pesos (cerca de R$ 1,226.20), e com o tempo, impossibilitados pelo pagamento no limite de recebimento de investirem mais, logo se seguida a tendência em cinco ou mais anos chegará a pensões menores do que R$500,00 para a imensa maioria da população.

            A matemática é extremamente simples, o dinheiro dos fundos deverão vir em parte do lucro das empresas (no caso chileno a maioria procurou lastrear em títulos da dívida chilena) ou parte na venda do principal.

            Como a taxa de administração destes fundos são em torno de 2%, construídos a partir das próprias recomendações de Milton Friedman (1912-2006), que para sua felicidade morreu antes de ver a porcaria que ele fez, e o rendimento do capital é baixo, os fundos não conseguem com os lucros pagar as pensões. Alguns atribuem a diversos fatores, como má administração, baixa capitalização e outras besteiras, porém qualquer idiota pode imaginar que se os fundos possuem 69,6% do PIB chileno eles poderiam no limite a chegar a 75% ou mesmo 80%, mas mesmo assim não teriam dinheiro para pagar.

            Fundos de pensão só renderam na época do Otto von Bismarck que em 1880 inventou isto, funcionava simplesmente porque as pessoas morriam mais cedo. Hoje em dia tanto no Chile como na própria Alemanha os fundos de pensão estão ficando insolventes, por uma razão muito simples, se eles detivessem 100% do PIB do país eles teriam que tirar no mínimo um rendimento médio nas suas aplicações da ordem de 10% a 15%. Agora vamos ao fechamento da questão, se as empresas que são de propriedade dos fundos devem pagar aos seus funcionários o valor equivalente do que eles devem recolher aos fundos de pensão (20%, por exemplo, para que o aposentado receba 60% a 70% do salário na atividade) elas terão que ter um lucro de 20% para o pagamento a mais dos funcionários mais 15% para os acionistas (no caso os fundos), ou seja, 35% de lucro LÍQUIDO.

            Qual o problema de tentar a obter um lucro líquido de 35%? Simplesmente porque se perde completamente a capacidade de investimento! Ou seja, com o tempo a empresa se descapitaliza e perde a inovação tecnológica. Isto já está ocorrendo nos países citados e a previsões atuariais demonstram que vai piorar.

            A grande diferença dos sistemas por capitalização e solidariedade é que a decisão fica com os parceiros sociais (empresas, empregados e governo) e são imunes a grandes recessões economicas.

            Esta última frase é o que mata todo o sistema por acumulação, quando chega uma grande recessão as empresas baixam em muito a sua lucratividade e para que os fundos consigam pagar seus aposentados eles tem que necessariamente se desfazer do principal, e transfere a baixo preço (ações extremamente baixas durante uma recessão) a maioria do seu capital para quem está fora do fundos, e quando precisarem o dividendos para pagar os aposentados não terão.

          • 1°) Amigo, tenho certeza que

            1°) Amigo, tenho certeza que a preocupação do SPF quanto à Reforma não é esta. E se de fato a unificação dos regimes causasse um rombo como esse que o senhor calculou, esta não seria a proposta da Reforma, que busca justamente o contrário, tentar sanar as contas públicas ao invés de deteriorá-las ainda mais. 

            2º) Me desculpe mas o Governo não é uma corporação de 2,2 milhões, são várias instituições, com vários orçamentos e centros de resultado. Além disso existem várias empresas privadas com dezenas de milhares de empregados, e seguem as regras da padaria. Qual o problema? As grandes insituições privadas não podem ser comparadas às várias instituições públicas?

            3º) A Reforma da Previdência busca igualar o regime previdênciário de TODOS os cidadãos, legislativo e judiciário incluso. A exceção fica por conta dos Militares e dos trabalhadores da Zona Rural. Se informe.

            Você insiste em dizer que os benefícios do sistema previdenciário do setor público acabaram. Da forma como você coloca parece até que são regras piores que as do setor privado. Por que então TODOS são contra a unificação com o setor privado? São todos altruistas? Essa pergunta você não respondeu, não somos todos iguais? Vamos igualar os direitos e deveres? Vamos ser coerentes com o discurso que a Esquerda adora bradar?

             

          • O regime de previdência complementar, é uma consequência…..

            Talvez o que não entendas é que a existência de um regime de previdência complementar é uma consequência do porte da empresa, no caso do SPF são centena de milhares de contribuintes e fica mais seguro para o ESTADO gerir e manter o controle sobre este regime do que, por exemplo, entregar a um banco ou mesmo uma cooperativa, pois como estes planos devem durar no mínimo 40 a 50 anos é extremamente menos custoso ter que intervir num banco que vá a falência ou próximo disto e ter que cobrir todo o rombo que seria criado no fundo de aposentadoria com 2.039.499 de servidores ativos.

             

          • Acho que o senhor novamente

            Acho que o senhor novamente não interpretou bem o que eu disse, eu estou concordando com o regime de previdência complementar. Acho muito justo diga-se de passagem, eu trabalho em uma grande empresa e tenho um plano de co-participação. É esse o ponto, não tem porque haver diferenças entre o setor público e privado, a não ser que o senhor tenha uma opinião contrária o que não vou saber porque insiste em ficar citando as regras e não respondeu nenhuma das perguntas que fiz. Sobre o Estado gerir o regime complementar ou não, vejo vantagens e desvantagens, mas não vou me prolongar, isso fica para uma outra discussão.

  3. “O que é o déficit de regime

    “O que é o déficit de regime próprio? O Governo pega o que ele gasta de aposentadoria e pensão, e nisso estão os militares e todos os poderes, e aplica a contribuição dos servidores, inclusive de quem está aposentado, que é de 11%, e a contribuição da patronal, de 22%. E faz a conta simples: gastei x e recebi y, então o déficit é esse. Mas isso vem do século passado, de longa data. Não posso querer fazer um ajuste só por essa ótica, senão vou ter que cobrar uma alíquota muito mais alta da que esta sendo paga hoje.”

    Esse senhor é um sofista sem um pingo de vergonha. Na resposta que ele deu acima deixa claro que existe o déficit, mas “que não é essa a ótica, porque a alíquota vai ter que subir”. Ora bolas, o regime é de repartição, ou seja, os pagamentos são feitos exatamente com o que está sendo arrecadado, não adianta querer falar de contribuições que foram feitas no passado ou de como foi utilizada a arrecadação naquela época. O déficit é de agora, e tem que ser resolvido agora!

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