Expectativas de Reforma da Previdência despencam junto com impopularidade


Foto: Lula Marques/AGPT
 
Jornal GGN – A impopularidade notória do governo de Michel Temer, frisada nos resultados da pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (31), não apenas lembrou ao mandatário que ele não será um influente dos movimentos nas eleições deste ano, como também admitiu maiores dificuldades para a aprovação da reforma da Previdência.
 
Ainda não é consenso, dentro da própria base do governo no Congresso, a adesão dos políticos à proposta impopular, baque para a imagem já denegrida do presidente peemedebista e também para os postulantes a um posto no Legislativo em 2018. 
 
De acordo com o Painel, da Folha de S.Paulo desta quinta (01), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estaria tentando ganhar tempo, diante da pressão para retirar a Reforma da Previdência de pauta da Casa. Uma reunião está prevista para o dia 7 de fevereiro, para definir outros rumos do caso.
 
Se antes a moeda de troca do mandatário para conquistar o apoio suficiente para a aprovação tinha relação com recursos e inclusive tempo de campanha a parlamentares, agora, o simples apoio de figuras políticas à proposta pode ser estrago suficiente em ano eleitoral, diante da contínua alta rejeição da população ao governo Temer e a proximidade das eleições. Ainda, a indecisão sobre um nome de candidatura de centro que motive eleitorado complica o cenário.
 
A pressão recebida por Maia ainda tem outra motivação: picado pela mosca azul, o deputado ainda não abandonou por completo a aspiração ao posto maior do Executivo, a cadeira de Presidente da República, e vem se afastando da imagem de Temer para trabalhar a sua própria. Em contradição, por outro lado, nega ser presidenciável e resiste a uma ruptura completa com o atual governo.
 
Sem ser muito cotado ao posto, Rodrigo Maia conquistou 1% das intenções de votos nos resultados do Datafolha, mesmo índice do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em cenário em que os supostos pré-candidatos seriam Lula, Bolsonaro, Marina, Alckmin, Ciro, Luciano Huck, Joaquim Barbosa e o próprio Temer. 
 
A pesquisa foi encomendada pelo próprio Planalto e reforçou que a rejeição a Temer, que atingiu 60% dos entrevistados, não deve ser reduzida até o início das campanhas eleitorais. Por isso, os interessados em suceder o peemedebista devem buscar roteiros que se afastem de Temer. 
 
Nessa linha, Maia já adiantou que o seu esforço, enquanto presidente da Câmara, para pautar a reforma da Previdência na Casa durará até fevereiro. Depois disso, se não existir apoio suficiente para a data prevista, o tema deve ser tratado na campanha presidencial de 2018.
 
Isso porque a população foi representada com impacto em resultados de outras pesquisas encomendadas pela Câmara: “84% das pessoas não acreditam que o governo não tenha outra forma para resolver o problema da Previdência”. Maia, que é a favor da reforma, criticou a propaganda do governo sobre o tema e como vem levando o caso. 
 
Nesta quarta-feira, Maia admitiu que o governo não tem os votos necessários para a completa aprovação da matéria, apesar de ter esperanças de que algo ainda seja votado em fevereiro, como por exemplo, a idade mínima e o pagamento de um “pedágio” pelos servidores públicos. 
 
“Alguma reforma [precisa ser feita] para que o próximo presidente receba um país numa condição melhor que recebeu o presidente Michel Temer”, defendeu. A votação, se contar com apoio suficiente, deveria ser realizada depois do Carnaval. O presidente da Câmara disse que não irá conseguir “carregar a reforma da Previdência além de fevereiro”.
 
 

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