O bolsominion e o xadrez, por Luis Nassif

Além disso, cada peça pula para um lado, são os bispos andando de lado, cavalos pulando de esgueio. O único retilínio é a torre, que me lembra muito o grande general Pazuello.

O xadrez deveria ser abolido das escolas e do país.

A dama invade todas as casas, em vez de ficar tomando conta da sua casa e não se intrometer com a vida dos outros.

O bispo anda de lado e, às vezes, tem o desplante de, às vezes, proteger os peões.

Pior!, o peão pode ser coroado, se chegar à última casa. E tem algo mais desmoralizante que um peão coroado?

O rei pode ser impichado e acaba o jogo! Onde já se viu? Até nisso o Supremo se intromete.

Além disso, cada peça pula para um lado, são os bispos andando de lado, cavalos pulando de esgueio. O único retilínio é a torre, que me lembra muito o grande general Pazuello. Mas basta colocar um peão defendido na frente, para anular a torre. E a hierarquia, como fica?

É uma confusão, que me lembra o Brasil: empresário querendo uma coisa, trabalhador querendo outra, industrial outra coisa, financeiro uma terceira, mulheres, gays, negros, quilombolas, ruralistas, MSTs, cada qual querendo uma coisa diferente. Às vezes vou chorar no banheiro de desespero por não conseguir entender essa complexidade. Seria tudo mais simples, se seguissem meu discurso: nós contra os vermelhos, nós contra os politicamente corretos. Mas as regras do xadrez impedem. Em vez de ser tudo preto e branco, como o tabuleiro, contaminaram o jogo com a maldita da democracia.

Por tudo isso decido: a partir de agora, todas as escolas públicas do país vão adotar o novo jogo oficial do país, o que não impõe confusões na mente, é facilmente compreendido por todos meus seguidores, é pá-pum, como uma salva de artilharia.
Senhores, com vocês o jogo padrão brasileiro: a porrinha!

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Cristóvão César Carneiro Cordeiro

- 2021-10-22 10:24:06

Oxe, e tu acha que porrinha é fácil? Exige cálculos matemáticos, estudo de linguagem corporal, análise de padrões de comportamento, avaliação constante de riscos. A parte fácil pra eles é blefar.

antonio carlos raposo

- 2021-10-21 23:04:58

Permita-me uma pequena discordância: o monstro não emergiu por "por comodismo ou falta de senso de observação" de nossa parte. Ele foi trazido à superfície - e continua nela - pelas mesmas e poderosas forças que deram o GOLPE de 2016. O nosso negacionismo foi não admitir que essas forças são mais organizadas e poderosas do que nós. O que não nos possibilitou estar preparados para enfrentá-las. E ainda não estamos...

José de Almeida Bispo

- 2021-10-21 10:42:10

Rsrsrsrsrsrsrsrs É o que é de fato esse Brasil recém-emerso, pelo qual, num agora custoso descaso conservamos completa apatia. Negacionistas, de certa maneira fomos nós: a besta estava ao lado o tempo inteiro e, por comodismo ou falta de senso de observação deixamos emergir o monstro da lagoa. Agora roguemos que o Pai nos afaste desse maldito cálice, enquanto decidem nosso futuro na porrinha

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador