Voto distrital ameaça a democracia e consagra poder econômico

Sugerido por Spin Ggnauta

Do Vermelho.org / Editorial 

Proposta do senador José Serra (PSDB-SP), alegremente encampada pela mídia empresarial, o voto distrital foi aprovado no final de abril na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e está sendo anunciado que em breve o projeto será discutido na Câmara de Deputados. Pela proposta do senador tucano, o voto distrital seria implementado inicialmente nas eleições municipais em cidades com mais de 200 mil habitantes, como laboratório para a sua futura aplicação integral.

Entre o conservadorismo, o voto distrital é praticamente uma unanimidade e não são poucas as vozes que, aproveitando a discussão da reforma política, defendem a adoção imediata deste modelo.

Os defensores do voto distrital dizem que ele diminuirá os custos de campanha, ao mesmo tempo em que aproximará o candidato do eleitor. A realidade, no entanto, é bem diferente, assim como os objetivos ocultos que movem a proposta.

Caso o Brasil adotasse o voto distrital para a eleição de deputados federais, cálculos preliminares indicam que teríamos 265 mil eleitores em cada um dos 513 distritos em que o país seria dividido, com a eleição de apenas um candidato por distrito.


Áreas geográficas delimitadas e um “público alvo” concentrado é a receita perfeita para que, em cada distrito, o poder econômico (banqueiros e grandes empresários) concentre seus recursos em um único candidato, que contará com uma vantagem avassaladora sobre os demais. É a consagração e a consolidação do poder empresarial nas campanhas eleitorais.

Cada eleição de um deputado federal (ou estadual, ou vereador) seria, portanto, uma eleição majoritária, onde todos os votos dados a qualquer candidato que não o vencedor da eleição no distrito, seriam simplesmente jogados fora. 

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Na prática, o voto distrital acaba com a representação das minorias. Digamos que em um distrito, em uma eleição polarizada (como é a tendência neste modelo), um candidato tenha 100 mil votos, outro 90 mil e um terceiro 75 mil. A maioria (165 mil) que não votou no candidato vencedor, teria os votos ignorados, enquanto que no sistema proporcional a minoria tem representação pela soma dos votos dos candidatos de uma legenda.

Com isso e com o consequente fortalecimento da influência do poder econômico, as distorções são gritantes.

Um exemplo concreto temos na recente eleição no Reino Unido, país que é um dos poucos a adotar o voto distrital. O Partido Conservador, que está no poder e continuou, conquistou apenas 36,9% dos votos, mas graças ao sistema distrital obteve 51% das cadeiras no parlamento. Já o Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip, na sigla em inglês), obteve 12,6% dos votos, mas teve direito a apenas 0,15% das cadeiras no parlamento (1 parlamentar).

O voto distrital enfraquece qualquer debate de ideias ou programas, pois a eleição assume um caráter totalmente personalista, colocando em um grau ainda mais elevado o caciquismo local, mal que contamina a política brasileira e que, com o voto distrital, encontrará o ambiente perfeito. Os partidos serão ainda mais debilitados e o cacique do distrito só deverá satisfação ao financiador de sua campanha pois os votos serão “seus”. Imaginar que, em um distrito de quase 300 mil eleitores, o candidato ficará mais próximo do eleitor, é uma grande ilusão, ficará mais próximo, isso sim, dos magnatas que financiarem sua campanha.

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Além de sufocar as minorias, o voto distrital acaba também com o voto de opinião. Um professor que queira se candidatar para defender o aumento no investimento em educação será um candidato inviável, pois como o candidato concorre em uma área geográfica específica (distrito), seu discurso terá que ser, necessariamente, generalista, em torno dos temas daquela área, esteja ou não comprometido com eles. Assim, o papel dos chamados “marqueteiros” terá ainda maior influência.

Outro aspecto deletério é que o caráter de federação do Brasil sairá seriamente comprometido. Estados menores serão sub-representados, enquanto os maiores verão suas bancadas aumentarem. São Paulo, por exemplo, vai praticamente dobrar sua representação. Tal efeito significará um grave desequilíbrio em relação à defesa de interesses unitários entre os estados que compõem a República Federativa do Brasil.

A proposta é tão atrasada que tem provocado reações contrárias por todo o Brasil. Para contornar esta rejeição os defensores do voto distrital apresentam a fórmula do distrital misto. Por este modelo, metade das vagas seria preenchida por voto proporcional e a outra metade por voto distrital.

Além de confusa, tal alternativa não modifica o caráter antidemocrático da iniciativa, alterando-se apenas o percentual do prejuízo. Se o modelo distrital puro representa 100% de retrocesso, o modelo distrital misto representa 50%, e o que devemos exigir é 0% de retrocesso.

Resumindo, o voto distrital, seja puro ou misto, fortalece o papel do poder econômico e do caciquismo, enquanto enfraquece os partidos, o caráter federativo da nação e excluí as minorias. Portanto, só tem a ganhar com este sistema a direita, que desde sempre acha que aperfeiçoar a democracia é restringir a democracia. Os democratas devem se unir para barrar esta ameaça. 

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Durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte (1987-88), pronunciando-se em nome do Partido Comunista do Brasil em audiência pública, o saudoso camarada João Amazonas dizia: “O voto distrital é uma limitação imensa aos aspectos democráticos da vida do povo, o voto distrital, em última instância, seria a institucionalização dos currais eleitorais. (…) O poder econômico pode atuar fortemente em cada distrito, já que ele não necessita enfrentar o todo e atuar em todas as áreas onde se realizam as eleições; ele particulariza a sua influência no único distrito. Na realidade, a representação expressiva da sociedade no Congresso não se deve fazer a partir de distritos eleitorais. Nós precisamos trabalhar com visão ampla de país, os problemas são nacionais, a visão de que se necessita deve ter essa dimensão”. 

Nada mais atual.

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13 comentários

  1. Re titulo:  NAO, GENTE.  Voto

    Re titulo:  NAO, GENTE.  Voto distrital eh pura putaria norte americana mesmo.

    Nao eh por acidente cosmico que a direita brasileira o esta tentando “importar” pro brasil.  Eh pra ser putaria com a populacao mesmo.

    eu disse “putaria com a populacao” hoje?

    Mas eu tenho certeza ABSOLUTA que ainda nao disse “putaria norte americana com a populacao” hoje!  Que coisa!  Voces tem audio, pelo menos?

    No mais, a putaria norte americana com a populacao continua a mesmissima na minha casa.  Eu tenho que pedir permissao pra essa putada ate pra escrever esse comentario.  Minha vida virou um inferno ha pouco mais de 5 anos atraz, e eles nunca vao parar de me parasitar.  Eles nunca fizeram outra coisa, alias.  E nunca vao fazer.  Nasceram canalhas e vao morrer canalhas.  E quem pagou o preco foi Ivan Moraes.

  2. Opiniões

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150507_voto_distrital_pros_contras_pai

    Eleição britânica evidencia prós e contras do voto distrital puro

    “O cientista político Claudio Couto, professor da FGV/EAESP, explica que a chave desse sistema é a distribuição espacial do voto: se os partidos tiverem uma concentração de votos em algumas regiões, conseguirão eleger parlamentares. Se o voto no partido for espalhado pelo país, ele terá uma boa votação, mas pode não conseguir eleger ninguém.”

     

     

  3. Mais democrático, mais barato, mais representativo

    O voto distrital vai fazer as despesas de campanha cairem uns 90% dando chance aos mais pobres e dificultando os mais ricos que hoje colhem votos em todo o Estado

    O voto distrital vai permitir a eleição de líderes locais e acabar com os paraquedistas

    O voto distrital prende o eleito a seu eleitorado que vai poder acompanhar seus passos e diminuir a traição e o abandono do eleitor.

  4. A crítica ao voto distrital

    A crítica ao voto distrital até ia bem, o voto distrital puro tem alguns problemas mesmo. Mas quando se criticou o voto distrital misto, tratando-o como “ameaça à democracia”, virou piada de mau gosto. O argumento de que o poder econômico atuaria mais forte em uma eleição distrital é patético, pois se tratam de eleições exponencialmente mais baratas, já que cada candidato só concorre em um distrito. E os candidatos, digamos, “temáticos” podem ser eleitos na parte majoritária do sistema misto.

    E, pra apelar, será que o PCdoB acha que a democracia da Alemanha, França, Austrália, e sei lá mais quantos países, é ameaçada pelo uso de diferentes formas de voto distrital? Enfim, para um partido que, na redemocratização do Brasil, ainda tinha a Albânia como modelo, a preocupação com a democracia pode ser vista como uma evolução.

    Sinceramente, vocês estão nessa campanha ridícula contra o voto distrital só pq a proposta petista é o voto em lista, onde o eleitor sequer sabe em quem está votando. Isso sim é antidemocrático.

  5. Mais um assunto pra gente

    Mais um assunto pra gente começar a estudar e entender, pra poder debater. Não temos sossego, pois a todo momento surgem novidades que, ao fim, só tem um objetivo mesmo: excluir a sociedade da vida pública. Mais um pouco e teremos o voto “de qualidade”,  com invencionices sob medida para restringir o eleitorado. 

  6. voto distrital

    Carai, em que mundo o autor deste texto vive? O poder econômico já não está plenamente consagrado com o nosso sistema de representação proporcional com lista aberta?

    O que dizer de Eduardo Cunha, Picciani, Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Celso Russomano e Carlos Sampaio? O que dizer da bancada Bíblia Boi Bala, que juntas soman 370 deputados? Ganha eleição quem tem dinheiro, a área geográfica onde se disputa a eleição é muito grande, aumenta muito o custo. Em São Paulo, um mesmo candidato pode ter votos em Ubatuba e em Presidente Prudente. Óbvio que em um sistema distrital, o poder econômico também contaria, mas o custo de campanha seria mais baixo.

    E nosso Congresso ultraconservador tem muita intimidade com o sistema eleitoral. Nas últimas quatro eleições presidenciais, o PT venceu, e em segundo, ficaram Serra, Alckmin e Aécio, menos piores do que muitos deputados. Ainda teve Ciro Gomes, Marina Silva, Heloísa Helena, Plínio, Luciana Genro, todos bem melhores do que muitos deputados. Há um grande desalinhamento entre a eleição pro executivo e pro legislativo.

    Também tenho objeções ao distrital puro, pois nega a representação a partidos minoritários, como bem apontado pelo texto. Mas o distrital misto seria bem melhor que o atual proporcional de lista aberta. Na Alemanha, onde é adotado, não é meio a meio distrital e proporcional. O número de cadeiras para cada partido é determinado exclusivamente pelo voto proporcional em partido. Aí as cadeiras são preenchidas pelos vencedores dos distritos. Quando um partido conquista mais cadeiras na votação proporcional do que distritos, as cadeiras restantes são preenchidas pela lista do partido.

     

  7. O voto há que ser sempre proporcional e jamais majoritário

     

    Spin Ggnauta,

    Na eleição para o parlamento, eu sou a favor do voto distrital, mas só o admito se ele for voto proporcional puro e, portanto, jamais majoritário. Tenho dedicado muito a questão do voto distrital, mas como esta matéria é colocada sempre de forma sub-reptícia, o entendimento do voto distrital se mostra mais difícil. Ele volta à baila com a proposta de José Serra. Proposta do PSDB é sempre assim: proposta sub-reptícia. A ocasião faz as pessoas. A ocasião agora é boa para o voto distrital. Só que é preciso saber o significado do que se está propondo.

    A proposta do voto distrital tem como principal finalidade acabar com o voto proporcional. Que é uma exigência constitucional. Se não vai haver voto proporcional significa que vai haver voto majoritário. Então o que se prega é o voto majoritário que para ser aprovado precisa de emenda constitucional. Assim o voto majoritário vem sub-repticiamente sob a forma de voto distrital.

    O importante é saber que o voto distrital não se opõe ao voto proporcional desde que o voto distrital seja entendido apenas como voto distrital. Voto distrital proporcional puro é o sistema que eu defendo. Voto não distrital proporcional puro é o sistema que existe em nossa democracia. A proposta de José Serra é voto distrital majoritário puro. Existe uma quarta proposta que se não é um cavalo de troia ou um boi de piranha, é uma emenda pior do que o soneto, pois tem os defeitos do voto distrital majoritário puro e não tem as qualidades do voto não distrital proporcional puro. Trata-se do voto distrital majoritário misturado com o voto não distrital proporcional. É o chamado voto distrital misto. Em estados com poucos representantes, a eleição proporcional, em que vão ser eleitos metade dos deputados de um estado, vira praticamente uma eleição majoritária.

    Bem, ontem, quarta-feira, 13/05/2015, na Folha de S. Paulo houve uma boa crítica ao voto distrital feita por Jairo Nicolau que é um cientista político de esquerda, mas não age como a turma que se diz de esquerda do PSDB que tenta sempre enganar os mais ingênuos. Com o título “O distritão e a arte de jogar votos fora”, o artigo de Jairo Nicolau mostra as falhas do voto distrital. Só que a crítica dele tem o inconveniente do que eu chamei de falta de entendimento sobre o significado do voto distrital. Ele faz a oposição do voto distrital com o voto proporcional. Não é esta a oposição a ser feita. Voto distrital se opõe ao voto não distrital e voto majoritário se opõe ao voto proporcional.

    É claro que eu não posso dizer que o Jairo Nicolau, um cientista político, seja alguém que não compreenda o significado do voto distrital. O que ocorre é que esse entendimento do voto distrital como voto majoritário já incorporou na doutrina e na academia. Incorporou não só porque não se tem exemplo no mundo do voto distrital puro proporcional puro, ou seja não há o modelo que eu preconizo, como a expressão voto distrital já está associada ao voto majoritário. Agora esta minha proposta que defendo desde a década de 90, não é apenas minha. Em 2008 assisti José Afonso da Silva, um constitucionalista que embora bem idoso, está bem lúcido e recentemente (segunda-feira, 26/01/2015) foi entrevistado no Brasilianas.org, defender o mesmo modelo que eu defendo.

    Recentemente junto ao post “Voto distrital ou proporcional? Entenda os dois sistemas” de quinta-feira, 19/02/2015 às 15:20, aqui no blog de Luis Nassif e no qual Lilan Milena faz referência ao debate entre Aldo Arantes e Mendes Thame acompanhando análise de proposta que haveria naquele dia na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, eu enviei quinta-feira, 19/02/2015 às 19:30, um longo comentário para Linian Milena em que faço muitas considerações sobre o voto distrital. O endereço do post “Voto distrital ou proporcional? Entenda os dois sistemas” é:

    http://jornalggn.com.br/noticia/voto-distrital-ou-proporcional-entenda-os-dois-sistemas

    Aliás, no google, utilizando para pesquisa Luis Nassif, Clever Mendes e voto distrital vão aparecer muitos posts. Só na primeira página eu posso listar além do post “Voto distrital ou proporcional? Entenda os dois sistemas” os seguintes:

    “Os países com o modelo de voto distrital puro”

    “Reforma política, sim. Mas qual?, por Paulo Savaget”

    “Vantagens do voto distrital para o modelo brasileiro”

    “Voto distrital, casuismo? A favor ou contra?”

    “Sobre o voto distrital”

    “Será o financiamento o único problema?, por Rogério Maestri”

    “Joaquim Barbosa e a defesa do voto distrital”

    Provavelmente em todos esses posts relacionados eu tenha feito a minha defesa do voto distrital puro proporcional puro. Normalmente, entretanto, as pessoas não entendem a minha proposta de voto distrital puro proporcional puro. E aqui volto ao meu comentário junto ao post “Voto distrital ou proporcional? Entenda os dois sistemas”, e que eu enviei para Lilian Milena. Junto ao meu comentário há um comentário (são dois porque o mesmo comentário foi duplicado) enviado sexta-feira, 20/02/2015 às 16:17, por Cristiano Peixoto em que ele faz a boa crítica ao meu comentário. Vou reproduzir o que ele disse lá e que vale aqui também para este meu comentário.

    “Bom dia Clever, permita-me fazer algumas observações.

    Sobre eleições majoritárias beneficiarem a direita e não a esquerda porque essa é minoria, não concordo. Acabamos de completar 20 anos de governos de centro-esquerda, foram 6 eleições ganhas de forma majoritária por partidos que pregam a Social Democracia, e governaram de forma muito similar (principalmente FHC e Lula) criando e mantendo bases de sustentação para o crescimento econômico, para aí sim reduzir a desigualdade através de ampla oferta de emprego e programas sociais. Dilma acabou de ganhar uma eleição porque em campanha se posicionou mais à esquerda que o adversário, e jogou pra ele uma agenda que seria de “direita”. Agenda essa que agora ela adota na íntegra. Boa parte dos partidos de direita estão com o governo, e nem se assumem mais como direita, pra não perderem voto. Portanto não, a direita não é maioria, ela não se beneficia de eleições majoritárias para o Planalto, portanto também não se beneficiaria no congresso.

    Sobre sua proposta de distrital proporcional. Teoricamente os distritos seriam divididos de forma a obter mais ou menos a mesma quantidade de eleitores entre eles. Se essa quantidade se assemelha, o que vai diferenciar a quantidade de votos entre os mais votados de cada distrito é a concentração ou pulverização dos votos. Se um distrito divide seus votos em vários candidatos, ao comparar com distritos de votos mais concentrados ele perde, e como o voto proporcional não garante a vaga de pelo menos 1 por distrito, este provavelmente ficará sem representantes. Se eu sou desse distrito que votou e não elegeu nenhum representante me sentiria extremamente injustiçado e descrente com relação à politica. A sensação de não representatividade é que desmotiva a população a não se interessar, e portanto, não cobrar resultados. E neste caso, não seria somente uma sensação, seria uma realidade”.

    O primeiro parágrafo dele era para contestar a minha defesa das eleições proporcionais sob o meu argumento que a eleição majoritária beneficia a direita. Eu não disse aqui neste comentário que a eleição beneficia a direta, mas disse o lá no post “Voto distrital ou proporcional? Entenda os dois sistemas” e então esclareço. Penso que a visão da solidariedade que é a visão da esquerda é uma visão minoritária em qualquer sociedade no mundo inteiro ainda mais quando regida pelo sistema capitalista. E a eleição proporcional protege a minoria enquanto a eleição majoritária beneficia a maioria. Dai eu dizer que o voto majoritário beneficia a direita.

    O argumento de Cristiano Peixoto está correto se pensarmos que PT e PSDB estão ganhando eleições ao acaso. Não penso que seja assim. Não cheguei a o responder lá no post “Voto distrital ou proporcional? Entenda os dois sistemas”, mas esta é uma questão que eu venho comentando há muito tempo. Tenho defendido com frequência a idéia de que o PT e o PSDB fizeram uma grande obra de engenharia para impedir que a direita ganhasse as eleições presidenciais. Eles estão ganhando eleições majoritárias estando em minoria. É uma proeza que a esquerda radical não consegue perceber como se vê, por exemplo, no texto de César Bejamin publicado na revista Piaui e que foi reproduzido por sugestão de Ricardo Cavalcanti-Schiel aqui no blog de Luis Nassif no post “A crise, a dissolução da esquerda e o legado conservador do lulismo” de quinta-feira, 14/05/2015 às 13:58, e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/blog/ricardo-cavalcanti-schiel/a-crise-a-dissolucao-da-esquerda-e-o-legado-conservador-do-lulismo

    César Bejamin considera que a direita é maioria no Congresso Nacional por incompetência do PT. A esquerda radical acha que a esquerda é maioria e que pode fazer tudo sozinha. Ou prefere ficar na oposição defendendo aquilo que ela acredita como verdadeiro. Não é o caso do Cristiano Peixoto, mas pareceu-me que ele não percebeu o quanto de malabarismo o PT e o PSDB fizeram aos longo dos anos para se manterem como partidos preferidos de um eleitorado que em minha avaliação é muito mais conservador do que os dois partidos. Aliás a própria tendência do PSDB caminhar para a direita é fruto do pequeno contingente que há à esquerda e que vem sendo ocupado pelo PT.

    E no segundo parágrafo do comentário, Cristiano Peixoto contestar a minha defesa do voto distrital puro e proporcional puro sob o argumento que haveria distritos que não elegeriam representantes. Bem, o que eu teria a dizer é que o modelo final do voto distrital puro proporcional puro pode se sujeito a acertos de modo a mais bem expressar a idéia de proporcionalidade e de representação. Pode-se construir um modelo em que haveria duas vagas por distritos de tal modo que alguém com boa votação seja eleito ou um modelo em que haveria uma só vaga, mas obrigatória de ser preenchida ou um terceiro modelo não assegurando vaga nenhuma a um distrito havendo então a possibilidade de um determinado distrito não eleger nenhum. Eu creio que o correto é uma só vaga por distrito sendo que ela seria obrigatoriamente preenchida. O que pode ocorrer é que o eleito de um distrito quando se adotasse o critério da proporcionalidade não seria o mais votado naquele distrito. Este é um problema do voto proporcional de se eleger alguém com menos voto do que outro, mas este problema é a virtude do voto proporcional não só porque não assegura a eleição daquele que gasta muito na eleição como permite que minorias sejam eleitas. A defesa das minorias é a grande virtude da democracia representativa e quanto mais esta defesa for expandida mais avançada seria no meu entendimento a democracia.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 14/05/2015

  8. “Outro aspecto deletério é

    “Outro aspecto deletério é que o caráter de federação do Brasil sairá seriamente comprometido. Estados menores serão sub-representados, enquanto os maiores verão suas bancadas aumentarem. São Paulo, por exemplo, vai praticamente dobrar sua representação. Tal efeito significará um grave desequilíbrio em relação à defesa de interesses unitários entre os estados que compõem a República Federativa do Brasil.”

     

    Sou contra o voto distrital, mas vou te dizer que essa subrepresentação de SP e outros estados mais populosos em detrimento de uma super-representação de alguns estados do norte é ruim e tinha que ser revista. O coeficiente eleitoral de deputados federais não pode chegar a ser o dobro na comparação entre os estados, tinha que haver um limite para isso. Não fica claro também que a adoção do voto distrital vai corrigir esta anomalia que vem desde o pacote de abril na ditadura militar ainda, ou se os distritos de SP por exemplo serão maiores em números de eleitor que os do Acre por exemplo. Se for essa a solução dada, aí é a esculhambação completa.

  9. Quanta ingenuidade de quem

    Quanta ingenuidade de quem diz: “gasta-se menos, portanto os partidos menores terão mais chances”.
    Os financiados por grana grossa vão sempre manter uma diferença cavalar em relação aos com menos recursos. Se no âmbito estadual um deputado do PSOL gasta, digamos,  R$300.000,00 em uma campanha e um deputado do DEM gasta R$3.000.000,00 nos moldes atuais e no formato distrital com uma verba de R$100.000,00 o candidato do PSOL consegue ter o mesmo alcance e eficiência que com R$300.000,00 no voto proporcional, duvido que a relação no distrital não continue de 1:10 ou quiçá 1:30 mesmo. Só vai ser para facilitar a vida dos achacadores, por isso que PMDB, PSDB, DEM, PPS e PP estão em frenesi apoiando essa aberração.

    O texto é muito claro e tem fortes argumentos e indícios do quão pernicioso é esse sistema distrital.
    Vindo da funesta figura do José Serra coisa boa para o Brasil não é. Nem precisaria ler o texto para ter certeza disso. Mas ainda há quem se iluda.

    O pior de tudo é a passividade da população, que estimula os congressistas a agirem sem limites e despudoradamente. Ninguém está nem aí para o que está se passando, não estão ligando o recuo da maré a um tsunami devastador no futuro. Cada um só olha por sí e está apenas preocupado se o salário vai entrar no fim do mês.

  10. Voto distrital é o fim da democracia

    A única coisa pior que o nosso atual sistema de eleição de parlamentares, é o voto distrital. Ao invés de subir para sair do fundo do poço, os conservadores querem cavar mais.

  11. Voto Distrital

    Então!!!

    Como as pessoas se perdem em meio à tanta tolice!!! Como é difícil manter o foco!!! Como faz falta um líder que aglutine as intenções!!! Tanta gente boa comentando!!!  Acredito que eu evolui um pouco quando deixei de fazer minhas opiniões desfilarem como se fossem produto acabado de minha mente!!!   _”Voto distrital é ruim, domínio de poder econômico institucionalizado.”   Sem conserto, nunca mais! Um cara como o oportunista JS só está querendo aproveitar o momento Eduardo Cunha para passar mais esta. o Baixo-Clero tomou conta das duas casas.Para se ter uma idéia do baixo nível atual, Renan passa a ser esperança de que alguma coisa se salve. Leio os comentários e percebo desfile de opiniões que sacrificam o bem maior a ser preservado. O sistema atual não é o ideal, mas é melhor que qualquer alternativa distrital apresentada, seja misto ou puro. Só. Concordo com o autor da matéria quando diz que toda alteração neste sentido é retrocesso. nenhum retrocesso é bom. Acredito mesmo que os crápulas vem ler esta página e seus comentários para ver as brechas no pensamento dos defensores do bem-estar social para traçarem linhas de atuação que rachem ainda mais as linhas de defesa do bem comum. Deixem de ser “Frouxos” nestes momentos, fixem posição,  Qualquer retrocesso é ruim. Tenho certeza que aparecerá nos jornal~es dos próximos dias linhas de raciocínio que seguirão as brechas (frouxadas) aqui expostas. Aguardem e verão.

    Colocando-me sempre à disposição, desde já, agradeço;

    João Teodoro.

  12. Censura

    Desde ontem tento coprtilhar o link para este artigo no FB e não consigo. Hoje me veio a mensagem de que o estão bloqueando os conteúdos do vermelho.org por questões de segurança…

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