Planalto volta atrás, e Bolsonaro recebe credenciais da embaixadora indicada por Guaidó

María Teresa Belandria havia sido desconvidada na semana passada, mas foi reincluída faltando dois minutos para o início da cerimônia

Jair Bolsonaro com o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – Faltando dois minutos antes do início da cerimônia em que o presidente da República recebeu nesta terça-feira (4) as cartas credenciais de novos embaixadores, foi incluída na lista como representante do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, a professora Maria Teresa Belandria.

Na semana passada, o Itamaraty e a própria Belandria confirmaram à imprensa que ela havia sido desconvidada da cerimônia. Segundo informações da Folha de S.Paulo, a exclusão do nome da embaixadora poucos dias antes do evento aconteceu por orientação da ala militar do Palácio do Planalto entendendo que o recebimento das cartas de credenciamento da uma representante da oposição ao governo de Nicolás Maduro seria uma “provocação desnecessária”.

Já segundo o jornal O Globo, na ocasião em que foi confirmado o desconvite, o Planalto disse que a decisão estava em aberto e seria “avaliada em momento oportuno”. O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, também tinha reiterado que o governo Bolsonaro seguia reconhecendo Guaidó como “presidente legítimo” da Venezuela.

No início de maio a fronteira entre as cidades de Pacaraima (em Roraima) e Santa Elena de Uairén (na Venezuela) foi reaberta depois de três meses fechada. Além disso, outras questões importantes estão nas mãos de Maduro, e não de Guaidó que, em 30 de abril, fracassou em um levante liderado para derrubar o atual presidente do país, como o fornecimento de energia ao estado de Roraima e a troca de informações relacionadas a imigração, epidemias e a saúde dos rebanhos nas regiões de fronteira.

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Ainda segundo informações do jornal O Globo, a decisão do governo brasileiro de desconvidar Balandria havia causado mal-estar com a oposição venezuelana. Desde que a notícia foi divulgada, houve intensas negociações entre o Palácio do Planalto e Guaidó para receber as credenciais da professora. Países que integram o Grupo de Lima, formado por 12 governantes do continente, também teriam pressionado Bolsonaro para aceitar a embaixadora de Guaidó.

Pelo Twitter, Guaidó agradeceu o gesto do presidente brasileiro. “Agradecemos o compromisso do governo do Brasil com a luta de todos os venezuelanos. Reconhecer a nossa embaixadora é reconhecer o esforço de um país decidido a conquistar sua liberdade. Obrigado, presidente Jair Bolsonaro.”

Na tradição diplomática, a apresentação das credenciais ao chefe de Estado marca o início da missão de um embaixador como representante de seu país em uma nação estrangeira. Além de Belandria (Venezuela), Bolsonaro recebeu os credenciamentos dos novos embaixadores de México (Ignácio Piña Rojas), Colômbia (Dario Alonso Montoya Mejía), Paraguai (Bernardino Hugo Saguier Caballero), Arábia Saudita (Ali Abdullah Bahitham), Peru (Javier Raúl Martin Yépez Verdeguer), Guiné (Kabinet Konde) e Indonésia (Edi Yusup).

Estavam presentes também na cerimônia o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Otávio Brandelli, e o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins.

Belandria foi a primeira a ser recebida por Bolsonaro, no Salão Leste do Palácio do Planalto. Após uma rápida conversa entre os dois, na presença de jornalistas e autoridades, a representante do governo Guaidó saiu sem falar com a imprensa.

3 comentários

  1. Pensei que quem indicava os embaixadores era o presidente eleito, como gostam de falar, “democraticamente”. Mas na bananolandia dos fake, tá falando tudo que é m…..

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