Bolsa Família aumenta taxa de cura da tuberculose

Cura foi 7,8% maior entre pessoas que recebem o benefício, considerando as mesmas características socioeconômicas e demográficas
 
Foto: Agência Brasil
 
Jornal GGN – “Entender exatamente de que forma a doença e a pobreza estão relacionadas é essencial para o planejamento de políticas públicas tanto na área de saúde quanto na área econômica”, explica a epidemiologista Ethel Maciel, pesquisadora da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e coordenadora do estudo, em entrevista à BBC Brasil.
 
Ela é uma das autoras de um artigo publicado por epidemiologistas brasileiros, com apoio da OMS (Organização Mundial de Saúde), na revista científica Lancet. O trabalho revelou que o programa Bolsa Família ajudou a aumentar a taxa de cura da tuberculose. 
 
A taxa de recuperação da saúde foi de 7,8% entre pessoas que recebem o benefício do governo, em comparação às pessoas com as mesmas características socioeconômicas e demográficas, mas que não estão no programa de assistência.
 
“Isso é muita coisa em termos de tratamento. Para se ter uma ideia, para um novo medicamento lançado no mercado atingir 5% de diferença em relação ao tratamento existente é uma dificuldade enorme”, explicou Maciel para a autora da reportagem, Letícia Mori.
 
Além da UFES, o trabalho contou também com a participação de epidemiologistas da UFBA (Universidade Federal da Bahia). Pesquisadores das duas instituições estudam há anos como programas sociais afetam indicadores de saúde. 
 
No caso do Bolsa Família, eles acompanharam o histórico de saúde de mil pessoas com tuberculose em sete cidades nas cinco regiões do Brasil, entre 2014 e 2017.
 
Os pacientes foram divididos entre os que recebiam o Bolsa família e os que não Recebiam. O programa inclui famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza (com renda mensal de até R$ 178 ou R$ 89 por pessoa, respectivamente), e que tenham filhos menores de idade ou gestante. O valor pago por família é R$ 372, no máximo.
 
As pessoas dos dois grupos foram escolhidas respeitando características semelhantes, como idade, estado de saúde, gênero, índice de massa corporal, condições de moradia, acesso a saneamento etc. 
 
Maciel salientou que a pesquisa não analisou o que as pessoas fizeram com o dinheiro do Bolsa Família mas, por se tratar de um valor insuficiente para melhorar o ambiente ou outros aspectos da vida, a avaliação é que contribuiu com a melhora da qualidade da alimentação.
 
“São pessoas em condição de extrema pobreza, ou seja, se o auxílio permite que elas comam melhor, ou mesmo que comam todo dia, isso já faz uma diferença muito grande”, ponderou. 
 
A tuberculose é uma doença infectocontagiosa, as bactérias responsáveis pela enfermidade são transmitidas pelo ar e se reproduzem com facilidade em locais úmidos, fechados e com pouca ventilação. E uma alimentação adequada ajuda o sistema imunológico a combater os agentes infecciosos. 
 
 
 
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