Covid-19: Médicos franceses pedem medidas para evitar o pior em segunda onda iminente

Diante do aumento diário do número de casos na França, profissionais da saúde pedem que uso da máscara seja sistemático em locais fechados, incluindo empresas e escolas. 

Turistas usam máscaras perto do Trocadero, em frente à Torre Eiffel REUTERS - Benoit Tessier

da RFI

Covid-19: Médicos franceses pedem medidas para evitar o pior em segunda onda iminente

“É urgente tornar a máscara obrigatória em todos os espaços fechados, escritórios, salas de aula e anfiteatros, e também encorajar, sem ambiguidade, o trabalho à distância, os cursos virtuais e a reorganização das classes com menos alunos”, diz o texto publicado nesta sexta-feira (14) no jornal Libération, e assinado por vinte especialistas franceses.

Os especialistas consideram incoerente generalizar o uso da proteção nas ruas, onde o risco de contaminação existe mas é menor, e não impor a máscaras em estabelecimentos escolares e empresas.

“Os protocolos atuais de segurança relativos aos locais profissionais, que são os principais focos de contaminação na França, mas também escolas e universidades, não levam a sério um fator importante da propagação da Covid-19, que é a transmissão aérea”, escrevem os profissionais.

“Nossa exigência é uma uma questão de coerência: não podemos impor o uso da máscara em certas situações nas quais o risco é marginal e deixá-lo como opcional em lugares identificados como motores dessa epidemia.”

Nas escolas, onde a volta às aulas está prevista para o dia 1º de setembro, o protocolo sanitário traz poucas restrições. Na pré-escola, por exemplo, não há limite de alunos por classe, os professores não precisam usar máscara, o distanciamento foi abolido e as crianças podem compartilhar objetos e brincar todas juntas no pátio.

Os especialistas, entre eles a infectologista Karine Lacombe, chefe do setor de doenças infecciosas no hospital Saint-Antoine, lembram, entretanto, que ainda não há prova científica de que as crianças não tenham um papel ativo na transmissão do SARS-Cov-2, ainda que existam, estatisticamente, poucas formas graves em menores de dez anos.

O Alto Conselho francês de Saúde pública também defendeu nesta sexta-feira que o uso da proteção facial seja sistemático em locais fechados em geral, sejam empresa ou restaurantes.

De acordo com o órgão, que analisou estudos sobre a capacidade de transmissão aerea do vírus, com micropartículas em suspensão que podem ser respiradas e infectar outras pessoas, os espaços públicos fechados são propícios para a propagação. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já havia alertado para a questão em julho. Por isso, a máscara é essencial nesses locais para minimizar riscos, acompanhadas de outras medidas de proteção, como distanciamento físico e limpeza frequente das mãos.

“Não há fatalidade” 

“O vírus não pensa, não anda, não pula”, lembrou a Direção Geral da Saúde em seu balanço diário, nesta sexta-feira. “Nós é que nos movimentamos, entramos em contato com os outros e relaxamos em termos de prevenção. Não há fatalidade.”

As iniciativas se multiplicam para tentar conter a propagação do vírus, que depende essencialmente do comportamento da população. Cada vez mais cidades exigem o uso da máscara nas ruas. Em Paris, um dos locais onde o vírus circula ativamente, a medida atinge vários bairros e ruas, como a Champs Elysées, ou no bairro do Louvre, por exemplo.

As autoridades também incitam os franceses a realizar cada vez mais testes em caso de sintomas ou em contato com alguém contaminado. “A situação é preocupante. Como cidadão, tenho medo, não estou certo que possamos encontrar o mundo de antes”, declarou ao canal de TV BFMTV o professor Xavier Lescure, especialista em doenças infecciosas do hospital Bichat, em Paris. Ele teme uma segunda mais longa, com mais impacto no plano econômico, cultural e global.

O dado mais preocupante é que o número de casos de coronavírus vem aumentando rapidamente: foram contabilizados, nesta sexta-feira, 2.846 contaminações foram contabilizadas em 24 horas, um recorde desde o fim do confinamento, em maio. A faixa etária mais atingida é dos 15 aos 44 anos. O aumento de testes realizados influencia nessa contagem, mas não é o único responsável por essa alta, já que taxa de testes positivos cresce com regularidade.

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