GGN Covid: novos casos explodem em todo o país

Sem comando unificado, um discurso trabalhando as expectativas - como foi feito, durante certo período, pelo ministro Mandetta - cria-se o desânimo. Sem perspectiva de luz no fim do túnel, o isolamento se esgarça e explodem as pressões para volta às atividades

Nos últimos dias, a média semanal de casos diários subiu em 21 estados e caiu em apenas 7.

As altas mais expressivas foram em Goiás (+234,7%), em que os casos mais que triplicaram, Roraima (+180%) e Rio de Janeiro (+101%). Mas não pouparam São Paulo (+60%), Ceará (+48,4%), Santa Catarina (+49,4%) entre outros estados em que a pandemia parecia mais controlada.

As relações causais são óbvias.

  1. Alguns estados tentam uma política de isolamento social. São boicotados pelo discurso da presidência, minimizando o risco e levantando a questão da economia.
  2. Sem um comando unificado, um discurso trabalhando as expectativas – como foi feito, durante certo período, pelo Ministro Luiz Henrique Mandetta – cria-se o desânimo. Sem perspectiva de luz no fim do túnel o isolamento se esgarça e explodem as pressões para volta às atividades.
  3. Com a flexibilização do isolamento, os casos voltam a aumentar.


A curva dos casos totais voltou a crescer, depois de ter aparentado alguma queda pouco antes.

Os gráficos de estados selecionados mostram o comportamento das curvas.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  André Brandão, do HSBC, deve assumir presidência do Banco do Brasil

6 comentários

  1. O ‘cloroquiner’ está prestes a virar um ‘antivaciner’
    Para os defensores da cloroquina, a vacina será vista como mais uma suspeita histeria
    Mathias Alencastro – Folha, 26.jul.2020 às 23h15

    Verdadeira epidemia dentro da pandemia, o uso indiscriminado da cloroquina e da hidroxicloroquina pode estar na origem de milhares de mortes desnecessárias de pessoas desinformadas por um bando de fanáticos.

    No começo um culto marginal criado pelo infectologista falastrão Didier Raoult, a defesa da cloroquina foi elevada a política de Estado por Donald Trump e, mais intensamente, por Jair Bolsonaro.
    Numa coincidência mórbida, a encenação da cura do presidente brasileiro graças ao remédio coincide com a publicação dos últimos estudos sobre a sua ineficácia contra o coronavírus.

    Mas a verdade científica não resolve o problema. O movimento cloroquina deve ser entendido como uma excrescência do movimento antivacina, um caldeirão com origens históricas multisseculares que abriga anticapitalistas, hippies, religiosos, libertários, niilistas, homeopatas e reacionários.

    O seu mito fundador contemporâneo é um artigo retratado da revista The Lancet de 1998, que sugeria a relação entre a vacina MMR e o autismo.

    Animados pelo mesmo sentimento antissistema, os militantes antivacinas são apoiadores de primeira hora da nova direita populista. Nas redes sociais, as teses antivacinas se misturam frequentemente com teorias da conspiração que extrapolam as tramas diplomáticas e financeiras por trás da indústria da saúde.

    Entre muitos outros exemplos, o Movimento 5 Estrelas chegou ao poder na Itália prometendo o fim da obrigatoriedade das vacinas. Em 2018, a taxa de imunização na Itália passou a ser inferior à de países em desenvolvimento, e os casos de rubéola triplicaram na Europa.

    No Brasil, o circo já está montado. Para os defensores da cloroquina e os negacionistas da pandemia, a Covid-19 tem tratamento e a crise já está superada.

    Logo, a chegada da vacina será vista como mais uma inócua e suspeita histeria. O fato de uma instituição ligada ao governo João Doria estar coordenando o estudo de uma vacina chinesa é material de primeira categoria para a máquina bolsonarista. O ‘cloroquiner’ está prestes a virar um ‘antivaciner’.

    Um fato novo pode interromper esse ciclo infernal. Os populistas de direita estão finalmente descobrindo os benefícios da luta contra a pandemia. Depois de um começo desastroso, Boris Johnson está tentando vender o Reino Unido pós-brexit como uma potência global da biomedicina. Para salvar a sua reeleição, Donald Trump vai apresentar o vídeo do primeiro norte-americano sendo vacinado como se fossem as primeiras imagens da aterrissagem na Lua.

    Bolsonaro certamente aproveitaria a reconversão de seu herói da Casa Branca para operar uma reviravolta. Mas a sociedade brasileira não pode continuar dependendo dos humores do presidente norte-americano. A comunidade científica, o congresso e o STF devem tomar medidas radicais para impedir que a farsa da cloroquina se repita com a vacina. O Brasil não pode se dar ao luxo de errar na cura como errou na doença.

    Mathias Alencastro
    Pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e doutor em ciência política pela Universidade de Oxford (Inglaterra).

  2. Tenho visto o aumento em SP, mas a Globo no seu noticiário coloca o estado em estabilidade. Estou achando que há uma maquiagem dos números. Muito estranho SP não estar em alta nos gráficos da Globo.

  3. De meia dúzia de infecções de pessoas de algum conhecimento meu e de três mortes, nenhum dos casos, foi de gente necessitada. Minha impressão é que muitas pessoas avaliaram que a praga atingiria somente os mais pobres, os pretos, nordestinos e que, dentro de seu grupo social, estariam imunes. Dispensaram as empregadas, que são de comunidades, de cortiços, e foram lá, dando as mãos ao se relacionarem profissionalmente e comercialmente, abraçando os amigos e beijando os familiares. Pelo menos em São Paulo 50% das infecções e mortes são de brancos, 25% são de pretos e pardos e 25% de amarelos, índios e não apurados.Mesmo somando os não apurados aos pretos e pardos no máximo se chegaria ao total de brancos. Fonte: seade.gov.br/coronavirus/

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome