Mais Médicos: governo altera data para escolha de municípios

Segundo Ministério da Saúde, alteração de datas aconteceu por causa do Carnaval e 82% das vagas estão preenchidas 
 
Foto: Divulgação/Mais Médicos
 
Jornal GGN – Os médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros inscritos no Programa Mais Médicos têm novas datas para selecionar os municípios onde podem atuar.
 
O novo cronograma foi publicado nesta terça-feira (22), pelo Ministério da Saúde, destacando que o primeiro grupo, de médicos brasileiros formados fora do país, terão os dias 7 e 8 de fevereiro para escolher os municípios onde querem atuar no site do programa.
 
Nos dias 18 e 19 de fevereiro, será a vez dos profissionais estrangeiros escolherem as vagas disponíveis no mesmo portal. Segundo o governo, a alteração de datas aconteceu por conta do período de Carnaval. No cronograma original, os médicos brasileiros formados no exterior tinham os dia 23 e 24 de janeiro para escolherem as localidades de trabalho e os estrangeiros os dias 30 e 31 de janeiro.  
 
Ainda, segundo o Ministério, com as mudanças, a validação dos médicos brasileiros com a documentação correta está prevista para ser divulgada dia 31 de janeiro. No dia 12 de fevereiro, será divulgada a lista dos médicos estrangeiros confirmados.
 
Depois desse processo, nos dias 13 e 21 de fevereiro o governo irá publicar a lista com os nomes de todos os médicos – brasileiros e estrangeiros respectivamente – alocados nas cidades selecionadas. 
 
Segundo dados oficiais, 10.205 profissionais, brasileiros ou não, com registro no exterior, completaram a inscrição no Mais Médicos. No dia 15, o MS disse que 82% das vagas abertas para o programa foram preenchidas. 
 
Uma reportagem de Leonardo Fernandes, no site Saúde Popular, revelou que, até semana passada, das 92 vagas do Mais Médicos em áreas indígenas, apenas quatro foram ocupadas. 
 
Os editais para o programa foram abertos para suprir o buraco de 8.517 profissionais cubanos que atuavam em 2.824 municípios e 34 distritos sanitários especiais indígenas (DSEI). 
 
Criado em 2013 pelo governo Dilma para regiões pobres e sem cobertura médica, o Mais Médicos foi lançado sem a exigência do Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira), fator motivo de críticas do presidente Jair Bolsonaro à participação dos médicos cubanos. 
 
O governo cubano decidiu deixar o programa após essa e outras críticas de Bolsonaro, inclusive de ter chamado os médicos do país caribenho de “escravos”. Preocupado com o resultado da saída dos profissionais de Cuba, ainda em dezembro, o governo decidiu abrir mão do Revalida para preencher as vagas do Mais Médicos. 
 
Confira o cronograma completo:
 
31/01 – Publicação da validação dos documentos dos brasileiros formados no exterior.
 
07/02 – Publicação da relação dos municípios com vagas remanescentes.
 
07 e 08/02 – Brasileiros formados no exterior escolhem vagas disponíveis.
 
12/02 – Publicação da validação dos documentos dos estrangeiros formados no exterior.
 
18/02 – Publicação da relação dos municípios com vagas remanescentes.
 
18 e 19/02 – Estrangeiros formados no exterior escolhem vagas disponíveis.
 
*Com informações da Agência Brasil 
 
Leia também:  O Fundo Social do Pré-sal na mira da disputa federativa por recursos, por Carla Borges Ferreira

1 comentário

  1. A medicina doente.

    Esse blog nos deve, em virtude da excelência na qual opera, uma análise sobre essa complicada categoria profissional, os médicos, o exercício da medicina e claro, aspectos mais amplos da Saúde Pública e suas políticas implementadas até aqui.

    Algumas sugestões:

    – A medicina, assim como uma série de outras profissões que conferem o título genérico de “doutor”, está no topo da hierarquia social há muito tempo (no Brasil e no mundo, e no caso da medicina, essa posição hierárquica também coincide com altas remunerações.

    Como todo serviço público brasileiro, destacando educação e saúde, houve uma fase quase primitiva nos estertores da formação do estado brasileiro, para depois se seguir uma universalização necessária, mas que veio precária e subfinanciada, e como veremos, já contaminada pelos interesses privados.

    Não é exagero dizer que a função do magistério e da medicina estavam no topo da hierarquia social brasileira, junto talvez com engenheiros e advogados, e eram exercidas com algo de “voluntariado” e “sacerdócio”, haja vista que a base de atendimento era quase sempre restrita aos mais ricos, e só se estendia aos mais pobres como favor.

    Daí seguem os mitos da “tia” professora, dedicada, inclinada a agir ora com rigor de mãe, ora com carinho de tia, suprindo as carências dos mais pobres que tinham a sorte de entrar em uma escola com as barrigas cheias de vermes e pés descalços nos grotões.

    A outra parte delas (das “tias”) lecionavam nos liceus e escolas públicas que atendiam às elites.

    Já a medicina não se afastava muito desse perfil, guardando a visita dos médicos a quem podia pagar por suas visitas domiciliares, e uma vez ou outra, dependendo da “sorte”, essas visitas eram feitas aos pobres como forma de caridade pessoal, e não como direito.

    Com a modernização das relações capitalistas e seus reflexos sociais, inclusive nas demandas políticas dos mais pobres, que acaba por ser, de algum jeito, acomodado em pactos constitucionais, acabam por reconhecer o direito universal a educação e saúde, apresentando assim a necessidade do Estado brasileiro de estruturar esse atendimento em redes públicas nacionais e regionais.

    As profissões “nobres” passam pelo processo de proletarização, saindo da condição de liberal (médicos) e de sacerdócio remunerado (professoras), exigindo o acesso por concurso (e não mais por indicação dos poderosos) e uma série de deveres adistritos a mudança de condição.

    Cada profissão/corporação reagiu como pode, e parece claro que o magistério ficou pelo caminho, onde a precarização de sua profissão encontrou solo fértil, adubado pelo assédio da iniciativa privada.

    Já os médicos, até por atuarem em situações mais críticas e diárias, a precarização foi muito mais suave, e a reação muito mais forte, onde destacamos:

    – A manutenção do subfinanciamento da saúde pública e sua sobrecarga abriu campo para proliferação dos negócios privados da saúde, concentrados nas mãos de corporações médicas (cooperativas como a UNIMED), estabelecimentos privados (clínicas), etc, repassando a rede pública o ônus dos procedimentos caros e rejeitados (emergências e urgências, por exmeplo);

    – O hospitalocentrismo da saúde, com desprezo da rede primária de atendimento (onde, de acordo com a OMS se resolvem 60% dos casos), gerando a demanda por cada vez mais e mais hospitais e maquinários de alta complexidade, já que o que não se tratou cedo, acaba por complicar e exigir mais e mais complexidade, sobrecarregando os municípios, que ou transferem o problema para cidades maiores (as cidades-referência ou popularmente, a tática da ambulancioterapia) ou contratualizam serviços privados nas suas cidades;

    – A concentração dos médicos, já que é só seguir o dinheiro para achar um jaleco, ou seja, onde os recursos se concentram (cidades mais ricas) a rede de atenção privada e pública acaba por se concentrar;

    – O torniquete aplicado nas escolas de medicina, liberando algumas para alguns grupos privados e sabotando a capacidade da rede pública de ensino de formar médicos, justamente como uma cruel reserva de mercado, que nos coloca como uma das piores nações do mundo na relação médico paciente em estados mais pobres (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), enquanto o Sul Sudeste têm médicos em proporção europeia;

    – Essa reserva sequestra orçamentos públicos municipais, com estrago maior para cidades pequenas, levando prefeitos a aceitar qualquer coisa para ter um médico. Mas aí essas cidades abrem mão de todo o resto, e aumentam o potencial de concentração de recursos, já que transferem seus pacientes, e deixam de receber pelo atendimento dos seus munícipes, aumentando a rodo de concentração;

    Misture tudo isso a um ethos conservador e socialmente preconceituoso, e voilá, veremos que o episódio mais médicos não foi só uma birra com o PT, Dilma ou Lula, ou os cubanos.

    O fracasso da rede primária de atendimento e uma deliberação política dessa categoria com a indústria farmacêutica (que tanto suborna médicos), e com a indústria de tecnologia médica (exames, instrumentos, insumos, etc).

    É só seguir o tutu.

    Claro que os “deuses” de branco não são os únicos culpados.

    No entanto, têm uma boa parte das suas mãos sujas dessa lama.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome