Menos médicos: conselhos de medicina e seus dirigentes devem indenizar o erário público

O governo eleito pela nação tomou uma decisão lícita para resolver o problema da falta de médicos para os brasileiros que não têm acesso a profissionais da área, o chamado Mais Médicos. Alguns conselhos federais de medicina decidiram opor feroz resistência, alegando motivos dos mais diversos, o mais usado afirmando que a importação de médicos não resolveria coisa alguma, pois os locais a ele destinados não tinham equipamentos, laboratórios e etc.

O argumento não resiste à menor análise, pois a profissão existe há mais de dois mil anos e desde que existem médicos sempre foram úteis em determinadas situações, mesmo sem contar com equipamentos. Nenhum desses equipamentos ultra-sofisticados que as classes de maior renda têm acesso hoje, existiam cem anos atrás e médicos salvavam vidas na época. Um médico em uma cidade carente de hospitais e equipamentos pode receitar um anti-diarréico ou remédio para dor de cabeça, dizer a moradores dessas cidades e da área rural em volta que não se deve permitir água estagnada em vasos e pneus velhos, informar famílias que crianças não podem brincar próximo a esgotos, ou até aconselhá-las a levar algum doente mais grave até uma cidade mais equipada.

Ainda que assim não fosse, não cabe aos conselhos definir o que pode ou não pode fazer o governo federal, qualquer que seja o partido eleito, especialmente por ser também um órgão público, com funções definidas em lei, recursos arrecadados e que devem ser usados nessa mesma condição e não em defesas de interesses corporativos ou não previstos em lei.

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No entanto o fizeram e continuam fazendo, negando,  opondo-se ostensivamente a implementação do Mais Médicos. Os presidentes declaram para quem quer escutar que não assinarão este ou aquele documento, que irão denunciar seus colegas que aceitarem o programa na polícia e vai por aí adiante. No momento, ao constatarem que quase 80% da população apóia a proposta, maioria que está crescendo, dizem que não assinam autorizações por falta de documentos, por não estarem traduzidos e etc. Tão só o fato de que alguns conselhos estaduais tem assinado autorizações que permitem aos médicos contratados iniciarem o trabalho, já é suficiente para denunciar os conselhos onde nenhum um único foi autorizado. Por outro lado, são centenas os candidatos e não é crível que todos estejam com documentos irregulares, quando foram eles reunidos pelo Ministério da Saúde, nas mesmas condições ou que, ante resposta escrita e assinada de que documentos estavam faltando ou irregulares, o vício não pudesse ser sanado até agora. Aliás, no Paraná o presidente do conselho renunciou, quando percebeu que estava cometendo um crime funcional, forma que encontrou para evitar que os inscritos no programa obtivessem a autorização. Expedientes igualmente espúrios aconteceram em outros estados.

Tal conduta obviamente atrasa a implantação do programa e não se pode deixar de aventar a possibilidade de muitos brasileiros terem tido problemas de saúde que seriam evitáveis se o programa fosse implementado. Diarréia ainda mata em muitos rincões abandonados (há séculos) e é doença que até farmacêutico ou enfermeira saberia recomendar, melhor ainda um médico, mesmo sem formação sofisticada em um Hospital Einstein ou um Laboratório Fleury ao lado. De outro lado, o governo federal perdeu, segundo informações que os jornais estão divulgando, quase 3 milhões com as bolsas pagas aos médicos que não podem trabalhar sem o referido diploma. Sabe-se lá quantos outros prejuízos tivemos.

O que se espera é que todos os prejudicados, as prefeituras, os cidadãos dessas cidades a quem o médico fez falta, o governo, cumprindo obrigação, cobrem das organizações médicas que são entes públicos, os conselhos, através de ações populares, os prejuízos (danos materiais e morais) que vêm tendo, incluindo seus dirigentes no pólo passivo, como responsáveis solidários. Afinal, trata-se de ato ilícito usar ente público para finalidade ilegal. E sabemos nós que certos brasileiros são mais sensíveis no bolso que ante a miséria social, cultural e na saúde.

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Entendemos que a única defesa que os médicos podem arguir é “política”: que outros conselhos profissionais defendem com a mesma falta de ética pretensos interesses profissionais, “direitos adquiridos” que na verdad são privilégios adquiridos, uma questão cultural. No entanto, nenhuma conduta de conselhos até agora causou tantos e tão graves problemas. O corporativismo é sem dúvida um dos grandes problemas que a sociedade tem que discutir e enquadrar. Pode-se começar pelos conselhos de medicina. Serviria de exemplo para quem mais quisesse afrontar interesses sociais através de condutas abusivas.

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16 comentários

  1. Tomara que os prejudicados

    Tomara que os prejudicados diretamente – no fundo somos todos nós, pois o $ do governo é nosso – entrem mesmo com ações contra as atitudes irresponsáveis dos dirigentes dos crms e do cfm. São criminosos. 

  2. Pilantras infiltrados dos Conselhos

    Não tenho a menor dúvida em afirmar que ações de grande parte desses Conselhos estão voltadas para interesses de alguns pilantras infiltrados nessas instituições sem nenhum compromisso com a coletividade, notadamente com os mais carentes e necessitados.

    O que causa repulsa é ver que esses pilantras têm espaço à vontade na velha e carcomida imprensa brasileira para espalhar mentiras com argumentos falsos sem o contraponto necessário.

    Cadeia para esses malandros é pouco.

    Crianças e mães desesperadas procuram diuturnamente por alguma orientação medita nos locais onde esses pilantras não querem ir e, pior, fazem pressão para que outros não vão.

    Nem óleo de peroba resolve o problema da cara de pau desses pilantras.

    É óbvio que quando a gente fala em cadeia é mera força de expressão, mas que dá vontade ver um sujeito desses atrás das grades, isso dá.

     

     

  3. por Lelê Teles, do Fala Que

    por Lelê Teles, do Fala Que Eu Discuto

    Um fato curioso: o presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, Dr. João Batista Soares, acaba de entregar a própria cabeça em uma bandeja de prata.

    Mas com mil diabos, quanto valia a cabeça de João Batista?

    Primeiro temos que saber o que se passava nela.

    Vejamos. O nosso bom João travou uma luta insólita, inusitada e inútil contra o Programa Mais Médicos.

    Chegado a bravatas, chegou a dizer que chamaria a polícia para prender os médicos que não tivessem o diploma revalidado no Brasil e a carteirinha do CRM-MG.

    À polícia, diria que aqueles caras de jaleco branco eram farsantes, charlatães e curandeiros. E a lei? ora a lei, o doutor desdenhou da Medida Provisória e levaria – batia no peito ao dizer isso-, a sua insolência às últimas consequências. Com isso,insuflou o ódio e o preconceito.

    Deu com os burros n’água.

    Obrigado, pela força da lei, a emitir os papéis, derrotado, renunciou na véspera do fim do mandato para não ter que passar pelo vexame de admitir a derrota.

    Renunciou às vésperas do fim do mandato?

    Como se vê, a bandeia de prata valia mais que a cabeça do doutor.

    Não nos esqueçamos que alguns colunistas aconselharam o nosso inefável Joaquim Barbosa a renunciar à toga caso os embargos infringentes fossem aceitos na MP 470 que trata do mensalão.

    Barbosa renunciaria às vésperas de perder a relatoria do caso. Não faltou que lhe oferecesse uma bandeja.

    Curioso, tem gente que realmente não sabe perder.

    A derrota, faz muita gente perder a cabeça.

  4. O cínico do presidente do CRM

    O cínico do presidente do CRM PR renunciou por não concordar em assinar as autorizações para médicos estrangeiros, no entanto, esqueceu um pequeno detalhe!!!!! O MANDATO DELE TERMINAVA EM UMA !! SEMANA, veja a cretinice desse sujeito.

  5. Mais médicos, e a tentativa da Rede Globo, em desconstruir este

    Alem dos Conselhos Regionais de Medicina, de várias cidades brasileiras, estarem tentando desacreditar o programa Mais Médicos, do governo federal, ainda temos que conviver com a maior rede de comunicação brasileira, a Globo, de confundir a população dos grotões deste país, como se a ída destes médicos extrangeiros(quase voluntários)não fosse minorar a situação caótica em que vivem, no que tange ao atendimento de seus problemas de saúde, e ao contrário do que deveria fazer, informar e formar opinião conciente, não desacreditar o programa governamental, como tentou fazer ontem, no programa do Caco Barcelos, que premeditada e criminosamente, atuou no sentido de mostrar as precárias condições dos postos de saúde, aonde atuarão os citados médicos, que ao contrário dos nossos médicos “coxinhas”, aceitaram este desafio, mesmo com uma remuneração abaixo da média nacional, e kilometricamente distante, da remuneração que é paga a seus colegas, que medicam em grandes centros, como foi mostrado com um médico brasileiro, em Londres, e que seguindo o “script” da Globo, desafiou que este nosso programa, dê frutos.

    A ação, dita jornalística da Globo, foi de uma irresponsabilidade total. Foi a maior demonstração de má vontade com o nosso governo, e para com este programa de inclusão social, que já assistí.

    Irresponsabilidade tem limites !

  6. Caro Nassif e demais
    O

    Caro Nassif e demais

    O Conselho Médico, apenas se tornou a parte mais exposta, do jogo de interesse de setores das classes, da casa grande.

    Mas não deixa de ser uma luta.

    Saudações

     

  7. O governo eleito pela

    O governo eleito pela naçao…rs

    Interessante

    Passei 8 anos ouvindo o Lula falando que o Brasil era uma potencia, tao potencia que podia e havia condiçoes para ter Copa e Olimpiadas seguidas uma da outra

    Passei + 2 anos do governo Dilma ouvindo isso.

    E do nada , derrepende a gente ouve o Ministro da Saude dizendo que a saude esta um caos , uma catastrofe tao grrande que foi necessario trazer milhares de médicos para atuar…rsrsrs

    Seria comica nao fosse absolutamente tragica a CARA DE PAU do governo e seus PELEGOS

    O Padilha fala da saude e sua URGENCIA de forma como se o governo do PT tivesse acabado de assumir o governo

    A gente fica se perguntando a razao de levarem 12 ANOS!!!!!!!!!!!! para perceberem que nao havia atendimento medico para os desamparados…

    rs

    • CRM e os cartéis

      Comentário típico de um cínico. Tiram do governo 40 bilhões/ano que era para a saúde e educação, obriga o governo a aceitar a falácia da “regulação do mercado” que é controlado por cartéis e depos aproveita para esculachar por não ter feito.

  8. CRiMes

    minas e manos,

    aos saudosos de junho de 2013 fica a sugestao de um novo local de protesto: a frente das sedes dos conselhos regionais de medicina e outras entidades de classe dos medicos de bulevares das capitais com servico de delivery de medicamentos e exames de imagens. poderiamos cobrar algo muito simples desses senhores que insistem em impedir o contato fisico da populacao carente [aquela nao pode adquirir planos de saude, para que fique claro] com medicos: antes de criar um albert einstein em cada bulevard qual a sugestao que estes senhores tem para que um brasileiro sem recursos para pagar um plano de auxilio de saude possa ser atendido por medicos no espaco que vai entre o parto e a autopsia para tratar de seus problemas de saude?

  9. CRiMes

    minas e manos,

    aos saudosos de junho de 2013 fica a sugestao de um novo local de protesto: a frente das sedes dos conselhos regionais de medicina e outras entidades de classe dos medicos de bulevares das capitais com servico de delivery de medicamentos e exames de imagens. poderiamos cobrar algo muito simples desses senhores que insistem em impedir o contato fisico da populacao carente [aquela nao pode adquirir planos de saude, para que fique claro] com medicos: antes de criar um albert einstein em cada bulevard qual a sugestao que estes senhores tem para que um brasileiro sem recursos para pagar um plano de auxilio de saude possa ser atendido por medicos no espaco que vai entre o parto e a autopsia para tratar de seus problemas de saude?

  10. CRM e saúde pública

    A confusão existe pq existe os planos privados de saúde que querem dinheiro, todo o dinheiro. É assim nos EUA, que deixaram aparecer a crise de 2008 por causa das desregulamentação dos sub-primes e agora já detona a saúde pública na Europa que é, segundo Michel Moore, bem estruturada e a favor da pupulação.

  11. E aquele presidente de CRM do

    E aquele presidente de CRM do Rio Grande do Norte, entrevistado pelo Edu Guimarães?

    Que fim teve aquela peça rara?

  12. Como esses “seres” acham que

    Como esses “seres” acham que mulheres ainda hoje vivas, às vezes com mais de 100 anos, puderam criar seus mais de 10 e até de 20 filhos nas primeiras décadas do séc.XX? O que aqueles proffisionais tinham, além de uma malinha com um estetoscópio, um termômetro, e uma boa conversa? Minha mãe, que deu à luz a 11, morreu aos 98 anos elogiando o médico que cuidou dela e de todos nós, lá no interior do RN. Pra ela, médicos como aqueles eram iluminados por Deus. Na verdade, eram pessoas que se integravam à família como se dela fosse parte. Nenhum argumento desses que são contra o Programa Mais Médicos entra na cabeça dos que estão clamando aos céus pra que dê certo, tal a necessidade que o povo tem de se tratar, de ver alguém olhando por seus filhos…

  13. MENOS, MÉDICOS!

    Na semana passada fui surpreendido com uma enorme quantidade de outdoors espalhados pela cidade de Aracaju em homenagem ao Dia dos Médicos. Normal, não fosse por um detalhe, ao invés das rotineiras imagens de homens e mulheres com caras de escandinavos e seus pacientes igualmente loiros ou ruivos, as placas traziam apenas textos e eram textos ofensivos ao governo. O sindicato cobrava falta de medicamentos nas unidades de saúde, infraestrutura etc. Política como se vê. Os Conselhos Regionais de Medicina, O CRF e a Associação Médica Brasileira travaram uma batalha patética contra o Programa Mais Médicos e perderam. O programa tem como finalidade levar profissionais de saúde para o interior do país e para as periferias das grandes cidades, sendo que a maioria se destinará a ocupar vagas nas regiões norte e nordeste do Brasil, mais de mil médicos já estão trabalhando. O Programa teve apoio da maioria dos prefeitos dos pequenos municípios, gente de todos os matizes partidários, e recente pesquisa feita para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostrou que 73,9% da população aprova a iniciativa do governo. Mesmo tendo dado com os burros n’água, os manda-chuvas das entidades corporativas continuam na luta, quixotescamente. Agora ameaçam orientar os médicos a influenciarem o voto da população carente, em um descarado e irresponsável desvio de conduta. Geraldo Ferreira Filho, presidente da Federação Nacional dos Médicos, afirmou que a classe médica teria o poder de influenciar nada mais nada menos que 40 milhões de votos. Como ninguém descobriu essa força política antes? E Serra, Aécio, Eduardo e a grande mídia estendendo tapete vermelho para a Marina Silva pelos parcos 20 milhões de votos que conseguiu em 2010. Por que diabos não chamam o doutor Geraldo para vice? 40 milhões de votos! É claro que essa pretensa sabotagem na verdade é uma chantagenzinha abjeta e tresloucada; trata-se de um disparate, de um delírio. Não resta dúvida de que Simão Bacamarte, o Alienista de Machado de Assis, não hesitaria em internar o nosso cabo eleitoral na Casa Verde de Itaguaí. Florentino Cardoso, presidente da Associação Médica Brasileira, foi ainda mais longe afirmando que a orientação não será a de conscientizar os pacientes sobre quem poderia governar o Brasil de forma mais eficiente em 2014, a maquinação é somente para desestimular o voto em Dilma Rousseff: “Não é o candidato A ou B, o sentimento é escolher um candidato que, certamente, não será a presidente Dilma”, disse Cardoso. Vaidoso, deslumbrado e delirante, Florentino diz que “é muito comum os pacientes perguntarem para a gente, em período eleitoral, em quem vamos votar, principalmente nas regiões menos favorecidas”. É fato que os médicos contam com a confiança dos cidadãos, mas eles são confiáveis para receitar remédios e não para indicar candidatos. Ainda que fossem, o tempo de uma consulta médica é muito curto para que um profissional desenvolva uma argumentação convincente e, vamos logo à verdade, os médicos não conversam com os seus pacientes. Esses caras estão querendo nos enganar com essa conversa mole de que há um grau de intimidade entre médicos e pacientes nas regiões mais pobres do Brasil. Doutor FLorentino quer que acreditemos que “nas regiões menos favorecidas”, entre uma consulta e outra, médicos e pacientes falam sobre futebol, novela e eleições, o que obviamente é uma tremenda forçação de barra. Imagine você o proctologista calçando as luvas e lubrificando-as, enquanto o paciente, com as calças arriadas pergunta: Ô, doutor, em que o senhor vai votar mesmo?” Menos, né? Lelê Teles

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