Nova cirurgia derruba custos e pode disseminar tratamento de pedras nos rins

Mínina Lesão com Pequenos Instrumentos

Além do imenso sofrimento e sequelas que um cálculo renal pode causar, é bem estabelecida a escalada de custos gerada pelas novas tecnologias no tratamento moderno dessa doença. Com até 13% das pessoas sujeitas a formação de cálculos renais e sua consequências, o SUS está muito, mas muito mais do que abarrotado de pessoas perdendo dias de trabalho, necessitando de internações e objetivamente perdendo seus rins.


Não existem políticas públicas direcionadas a essa condição e poucos grupos dedicam-se de forma integral para a prevenção e o tratamento da litíase urinária. Uma situação bastante diferente de outros países, que possuem pessoas trabalhando exclusivamente para a melhoria do entendimento da fiopatologia e tratamento dos cálculos urinários.


Um grupo que vem crescendo e promovendo protocolos e políticas que podem salvar rins e vidas,  é grudo de endourologia o Hospital das Clínicas da FMUSP. Liderado pelo Dr E. Mazzuchi, esse time promoveu um simpósio internacional que trouxe os maiores nomes da endourologia mundial ao Brasil. Dentre as grandes novidades, uma merece o máximo de destaque: a cirurgia que retira cálculos renais com o mínimo de lesão e sem a necessidade de materiais caros, a UltraMiniPerc, do Dr Janak Desai.


Atualmente, para retirarmos cálculos renais, ou realizamos uma cirurgia com dilatação de um trajeto na região lombar até o rim – chamada técnica percutânea – ou nos valemos de um instrumento chamado ureteroscópio flexível. A desvantagem da técnica percutânea é a necessidade de uma grande dilatação do trajeto e o risco de complicações por esse mesmo motivo, ela também implica na utilização de materiais demasiadamente caros. Em relação a ureteroscopia flexível, não há a necessidade da dilatação, mas precisamos do ureteroscópio, que chega a custar 60mil reais e que pode ser re-esterelizado para apenas 20 a 30 procedimentos.


Nessas circunstâncias, a cirurgia percutânea e a ureteroscopia flexível são inacessíveis para a grande população de pessoas com cálculos renais dado a complexidade, o custo e a falta de treinamento especializado.


Com o surgimento da UltraMiniPerc, a questão do custo fica extremamente diminuída pois o instrumento necessário para a retirada dos cálculos é permanente e com desgaste mínimo ao longo do tempo. O uso de outros produtos endourológicos descartáveis também é pouco necessário, o que detona de vez a escalada de custos para esses procedimentos. Outra vantagem da UltraMiniPerc  é a pequena curva de aprendizado – apenas 5 casos – e a baixa taxa de complicações relacionadas.  


A idéia de desenvolver essa técnica, que nada mais é do que uma simplificação da técnica percutânea clássica, partiu de um urologista da Índia, país onde não é infrequente que urologistas jovens já tenham realizado milhares de procedimentos percutâneos em um ambiente muito sensível ao custo dos materiais permanentes e descartáveis. Não se trata, assim, de uma nova tecnologia, mas de uma grande sacada de um cirurgião com vasta experiência com as cirurgias dessa subespecialidade.


Nosso pequeno grupo de endourologistas teve a oportunidade de realizar o primeiro caso da América Latina hoje no Hospital das Clinicas da FMUSP sob a supervisão do Dr. Desai. O resultado foi  excelente e o paciente poderá receber alta amanhã logo cedo.


Estamos todos entusiasmados, pois muito em breve poderemos disseminar mais um procedimento com grande potencial de mudar a vida das pessoas com consistência e baixo custo.


***O próximo Post será sobre a Cleaveland Clinic e como se conseguiu resultados de qualidade surpreendentes ouvindo-se a opinião . . . dos pacientes! 

6 Comentários

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luciene

- 2019-02-17 07:00:09

a nefrologista me receitou Litocit. Tenho um histórico de cálculos renais que se formam em espaço muito curto de tempo. O Litocit ajudou a tornar um em vários e minúsculos cálculos. Procurem o nefrologista. Peçam o exame urina de 24 hs Citrato de potássio. Muitos têm necessidade dele e não sabem. Ele ajuda a trabalharo cálcio da forma correta para ser excretado. Espero ter ajudado

Rubilene Dos Santos

- 2018-12-03 23:30:22

Ajuda
Tenho 45 anos e a exatamente 3 descobri que tenho pedras nos rins, as chamadas pedras coraliformes. Já fiz um procedimento de retirada de algumas do rim esquerdo aguardo o procedimento de LECO. Faço uso de cateter duplo J, quando fizeram a colocação do mesmo meu rim direito já estava quase parando. Tenho pedras no rim direito q chegam a 9,5 cm e no direito a 5,4 cm. Tenho crises renais direto. Gostaria de saber o que pode ser feito e quanto custaria um procedimento particular Aguardo resposta. Sou se Bal.Camboriu SC Faço acompanhamento com 3 urologistas no hospital Ruth Cardoso.

Tercio de Souza Junior

- 2018-04-08 15:58:11

Como faço para fazer essa
Como faço para fazer essa cirurgia?Tenho um cálculo de 120 mm e já fiz a LECO e não resolveu.

Jose Mauricio Martins Saramago

- 2017-01-09 22:31:26

Ajuda

Aposentado ganhando R$ 1.360,00 por mes, desejaria fazer essa operação. 

Esse hospital ou o dr. E. Mazzuchi tem como ajudar?
Aguardo suas considerações

Cordialmente

Mauricio Saramago

Alda Maris

- 2013-10-08 02:15:37

Quer diminuir o problema de

Quer diminuir o problema de pedrs nos rins? O cálculo, mais comumente vem do cálcio. Se os humanos tivessem o bom senso dos demais mamíferos que desmamam após um curto período de vida, quando o corpo inclusive para de criar a química que se utiliza da lactose, diminuiria muito disto. Inclusive a osteoporose: interessante que o país onde mais se consome produtos lácteos (EUA) é o que tem os maiores índices de pessoas com osteoporose (inclusive começando com pouca idade).

Outro grande agente é o alimento de origem animal mais direta, como as carnes e seus subprodutos: eles tendem a causar acidificação no sangue e a forma do corpo reequilibrar (alcalinizar) é introduzindo fósforo na corrente sanguínea. Só que para fazer este incremento ele retira de onde tem em abundância: dos ossos. Mas quando retira fósforo, o cálcio dos ossos também se vai. Como não vai ser usado pelo sangue se esvai pela urina. Não sem antes passar e contribuir para calcificar-se nos rins.

Estudante

- 2013-10-07 20:35:05

Magnífico ,há que se

Magnífico ,há que se congratular os que se envolvem em trabalho com enorme significado socioeconomico  e humanitário como o acima relatado.

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