Pela renovação libertadora da Medicina no Brasil, por Aracy Balbani

Pela renovação libertadora da Medicina no Brasil

por Aracy Balbani

A prática médica no Brasil ainda carrega traços da nossa herança colonial escravocrata de desigualdade social e subordinação a interesses comerciais de empresas estrangeiras poderosas.

Essa influência se traduz no vetusto corporativismo da classe e no preconceito contra alguns médicos estrangeiros e outras profissões de saúde como a Enfermagem. Outros dois reflexos da herança histórica são traiçoeiros: o boicote de certos médicos à efetivação de um SUS de alta qualidade, acessível a toda a população – afinal, como clínicas e hospitais privados resistiriam à concorrência de um SUS gratuito e universal que tivesse o “padrão NHS” inglês? – e a falta de apoio maciço dos médicos à nossa soberania científica e tecnológica para pesquisa, desenvolvimento e patenteamento de fármacos e outros insumos para a saúde, made in Brazil ou em cooperação com países como Rússia, China, África do Sul e Índia.

 Há tempos a saúde humana vem sendo reduzida de prioridade do interesse público nacional à condição de mercadoria, vendida pelas grandes operadoras de planos de saúde e indústrias transnacionais aos privilegiados que têm os bolsos cheios.

Acontece que feitiços podem virar contra os feiticeiros. Quando aventuras coletivas afoitas rotuladas de “combate à corrupção” degeneram em desmantelamento do Estado Democrático de Direito e em crise econômica sem precedentes, o ramo da saúde é um dos primeiros a pagarem o pato. Talvez isso explique por que muitos estabelecimentos de saúde privados que eram lucrativos até dois anos atrás desandaram a matar cachorro a grito, enquanto o SUS entrou em colapso com a explosão da demanda. Tudo viria na esteira do aumento do desemprego e do encolhimento da renda das famílias brasileiras, arruinando, numa só tacada, os setores público e privado da saúde.

Data venia, caras e caros colegas, menos adrenalina e mais prudência nas nossas tomadas de decisão e ações políticas, sejam individuais ou mediadas por entidades médicas, vêm bem a calhar. Na crise que vivemos há mais de 200 milhões de vidas e muitas outras riquezas nacionais em risco. Omissões ou atos políticos entusiasmados, mas irrefletidos, podem ter resultados desastrosos até para as próximas gerações de brasileiros.

Há esperança de que a crise atual conduza à transformação libertadora da Medicina para alcançarmos um patamar novo e muito mais digno no País. Fica o convite para uma reflexão crítica sobre a proposta de uma Medicina Sem Pressa (aqui), justa, em benefício de todos, centrada na compaixão e no contato humano respeitoso entre médicos e seus clientes.

A democracia brasileira exige, mais do que nunca, nossa participação ética, responsável e verdadeiramente patriótica.

Aracy P. S. Balbani é médica.

8 Comentários

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A. Neves

- 2017-08-27 22:17:26

Cuidado com o bafômetro.

Cuidado com o bafômetro.

jose carlos lima...

- 2017-08-26 06:00:56

Certo
Certo

Nickname - Porto Alegre e Recife.

- 2017-08-25 23:03:02

quanta bobagem (mas que dá ibope, essas coisas sempre dão)

com essa e com a do Kfouri vou é tomar uma loura gelada   ;-)

No site da Fundação Perseu Abramo, Lula, Dilma agora em discurso no Pátio do Carmo.

MarFig

- 2017-08-25 22:21:08

Os médicos nunca sabem a

Os médicos nunca sabem a causa nem a cura. Mas nomes de remédios inúteis de laboratórios multinacionais sempre estão na ponta de suas línguas. Alguns têm a cara de pau de falar pra comprar o remédio de determinado laboratório dizendo que os genéricos não são confiáveis. Outros nem olham na sua cara. As revistas Vejas na sala de espera e suas secretárias com salários miseráveis já nos dizem com que tipo de gente estamos lidando. 

Julião

- 2017-08-25 19:35:04

Cara Aracy, a idéia atual é a seguinte:

A destruição dos países não será fi´sica, mas como aconteceu aos países árabes e africanos, destroi-se o arranjo social, econômico e políitco,  que o país fica sendo nada mais do que um fornecedor de matérias primas e indústria poluidora de baixo custo para os que herdarão o EDEN!

Isto não é paranóia não, é o projeto dos neocons americanos estão planajando para o mundo. Seria muito bom que tivessemos no blog os assuntos brasileiros em paralelo com as ações dos formadores da ordem mundial, para saber como sair de onde estamos. Estas ações ultra agressivas e de imorais tomadas pelo governo temer faz parte de um plano maior, orquestrado de fora.

Quanto aos nossos "doutores",  ficarão como empregados de planos de saúde extrangeiros e mesmo assim julgando-se deuses!

Julião

- 2017-08-25 19:33:46

Cara Aracy, a idéia atual é a seguinte:

A destruição dos países não será fi´sica, mas como aconteceu aos países árabes e africanos, destroi-se o arranjo social, econômico e políitco,  que o país fica sendo nada mais do que um fornecedor de matérias primas e indústria poluidora de baixo custo para os que herdarão o EDEN!

Isto não é paranóia não, é o projeto dos neocons americanos estão planajando para o mundo. Seria muito bom que tivessemos no blog os assuntos brasileiros em paralelo com as ações dos formadores da ordem mundial, para saber como sair de onde estamos. Estas ações ultra agressivas e de imorais tomadas pelo governo temer faz parte de um plano maior, orquestrado de fora.

Quanto aos nossos "doutores",  ficarão como empregados de planos de saúde extrangeiros e mesmo assim julgando-se deuses!

ze sergio

- 2017-08-25 18:28:48

pela....

A Democracia exige mais do que tudo Democracia. Chega de Ditadura de Federações, Coinfederações e Corporações. Se nossas bases são Ditatoriais, como construir uma Sociedade Democrática? CRM é como OAB, onde os profissionais não determinam de forma direta quem os preside e quais políticas a serem determinadas? Como falar em liberdade e democracia? O Programa "Mais Médicos" foi uma política de sucesso excepcional e extraordinário, apenas atingido por um senão, no caso do pagamento dos salários aos médicos cubanos.Tirando isto foi digno de louvoures, como eram os médicos. Principalmente os cubanos. E revelou como a estrutura de Conselho de Médicos, aqui do país, ajudam a impulsionar o atraso da medicina e assistência médica oferecida aos brasileiros. Precisamos que políticas de sucesso evidente se tornem Politicas de Estado. Democraticamente aceitas e avalizadas.    

Maria Luisa

- 2017-08-25 17:32:52

Renovar as cabeças

Eh aterrador saber - e os Mais Médicos evidenciou demais isso - o quanto a categoria médica no Brasil é profundamente arcaica, conservadora e patriarcalista. Esperava que estivessem à frente de seu tempo, mas são estruturalmente parte do problema da saude publica brasileira, tão bem posto no texto da doutora Aracy Balbani.

 

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