Cresce em 114% número de presos mortos por doenças nos presídios do Rio de Janeiro

Em vinte anos número de profissionais da saúde no sistema penitenciário estadual caiu de 1,2 mil para 450. No mesmo período o total de presos no Rio saltou de 18 mil para 54 mil

Mortes de presos por doença crescem 114% em 7 anos no estado do Rio de Janeiro - Thathiana Gurgel/DPRJ

Jornal GGN – Em sete anos o número de mortos por alguma doença nos presídios do Rio de Janeiro cresceu 114%. O levantamento é do Mecanismo para Prevenção e Combate à Tortura, órgão vinculado à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O órgão mostra que, de 2010 até 2017 subiu de 125 para 268 o número de casos.

“Estamos falando só dos que morreram dentro do sistema prisional. Tem os que morrem depois porque saíram debilitados. Tem os que saem com pulmões praticamente sem funcionar. E a maioria dessas mortes poderiam ser evitadas. As pessoas não estão morrendo porque estão sendo massacradas umas pelas outras. Não são mortes violentas. Elas estão morrendo em decorrência de problemas de saúde simples, que se complicam”, explicou Alexandre Campbell, um dos responsáveis pelo estudo, para a Agência Brasil.

Na semana passada, três detentos morreram de meningite chamando atenção para o estudo. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou, entretanto, que os casos da doença estão controlados. As problemas mais comuns e que levam a morte de presos, segundo o estudo, são a tuberculose (há um registro de um detento reinfectado sete vezes) e, ainda, a ausência de audiências de custódia para presos hospitalizados.

O trabalho revela também um alto índice de violência obstétrica contra presas em trabalho de parto. O Mecanismo para Prevenção e Combate à Tortura pontua que “uma cadeia de decisões institucionais” é responsável por contribuir para o aumento de mortes não garantindo o entendimento à saúde dos presos.

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Numa tentativa de reverter esse índice e chamar a atenção à responsabilidade dos órgãos envolvidos, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro moveu 18 ações civis públicas, desde 2007, todas relacionadas com a violação do direito à saúde nas unidades prisionais do estado.

Em um dos casos a Defensoria anexou um estudo que investigou 83 mortes entre abril de 2014 e abril de 2015 – 64% delas por tuberculose, pneumonia e sepse de foco pulmonar. Desse total, 30 casos tinham “registros de cachexia [Perda de peso e atrofia muscular] e mal estado nutricional em seu laudo cadavérico”. O levantamento mostra ainda que em 57,8% dos detentos mortos por conta do estado de saúde tinham menos de 40 anos.

O trabalho questiona por que ao ingressar no sistema prisional, o detento não é submetido a exames de hipertensão ou diabetes, e os exames não são refeitos periodicamente.

“Me parece que o problema muitas vezes não é o medicamento. É a detecção da doença. E nesse caso estamos falando de um problema que não está ligado a recursos materiais, e sim a recursos humanos”, avalia o defensor público Marlon Barcelos.

Em 20 anos, a partir de 1998, o número de profissionais da saúde no sistema penitenciário do Rio de Janeiro caiu de 1,2 mil para 450. No mesmo período o total de presos no estado saltou de 18 mil para 54 mil.

“No passado, a saúde prisional do estado do Rio de Janeiro tinha excelência reconhecida nacionalmente, com hospitais que inclusive faziam complexas cirurgias e atendimentos aos privados de liberdade. Infelizmente, a população carcerária multiplicou-se por três e o quadro técnico da saúde prisional foi praticamente dividido em três. As perdas do sistema de saúde prisional não foram somente materiais e não atingiram somente detentos. Atingiram também o corpo funcional, que não é reposto há anos. E não existe mais um plano de cargos e salários para estes funcionários”, destacou Nice Carvalho, coordenadora de gestão em saúde penitenciária da Seap.

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Para ler a matéria na íntegra, da Agência Brasil, clique aqui.

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1 comentário

  1. Os desfiles do Carnaval, neste ano no RJ, foram pífios. Sem a Lavagem de Dinheiro Público entregue a Criminosos que controlam o Jogo do Bicho, o Tráfico de Drogas e Escolas de Samba, desapareceu a ostentação da riqueza desperdiçada sobre a miséria.Não é a cara do Rio de Janeiro? Imprensa e Grupos Políticos Esquerdopatas tanto criticaram esta prática. Por que será? Coincidência? Afinal, estamos na Pátria das Coincidências !! Muzema é apenas a prática recorrente de 88 anos de Golpe Esquerdo Fascista Ditatorial Absolutista Corrupto Assassino, prolongados por 40 anos de farsante Redemocracia. Irão atrás das Construções Irregulares?!! É SURREAL !! O Rio de Janeiro é uma favela só. O Rio de Janeiro é a própria Construção Irregular !! Por que não tiveram a mesma pressa em prender os Dirigentes do Flamengo, por assassinarem 10 Garotos? Agora é que descobriram os Presídios Cariocas? Vocês não enxergaram os Presídios Cariocas, quando Tancredo Neves, o rato avô do outro rato Aécio Neves, jurando por Diretas Já em Palanques Farsantes e Criminosos, costurava juntamente com José Sarney, seu parceiro de Governo Caudilhista Golpista Assassino Ditatorial, por Eleições Indiretas? Quase meio século de Redemocracia, somente agora é que enxergaram tais Presídios? O Brasil é de muito fácil explicação.

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