Padilha é contra desmilitarização, mas defende integração entre polícias de SP

Jornal GGN – O ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes, Alexandre Padilha, concedeu entrevista exclusiva ao GGN na última quarta-feira (30), ocasião em que falou sobre as propostas que deve apresentar durante a campanha para o Estado de São Paulo.

Dentre os temas abordados, segurança pública foi o mais comentado, inclusive com a informação de que o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos será um dos coordenadores de seu programa de governo. Para Padilha, o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a Secretaria de Segurança Pública, são os responsáveis pelo quadro atual de violência no Estado.

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Desmilitarização

Sobre as ações truculentas e a possível desmilitarização da Polícia Militar, Padilha apresenta uma posição diferente de alguns setores do PT e acredita que a existência de três policias trata-se de uma tradição em São Paulo.

Há uma tradição no estado de São Paulo que não precisa ser mexida nesse momento, que é a existência de três polícias. PM, Polícia Civil e Científica. Cada uma delas pode ter um papel fundamental, desde que a Secretaria de Segurança Pública faça essa coordenação”, disse o pré-candidato.“Agora, nenhum tipo de abuso pode ser tolerado. Chacinas, a violência em São Paulo tem cor. São jovens negros da periferia. Abuso de exercício excessivo da autoridade dos instrumentos que são da ação militar. Ou seja nenhum tipo de abuso pode ser tolerado.”

Padilha afirmou ser inadmissível que os abusos cometidos pela PM não sejam apurados até o fim, e prometeu acionar a Corregedoria, caso seja eleito. “Eu abomino qualquer tipo de ação truculenta, os abusos cometidos tem que ser fortemente punidos e combatidos, inclusive com a corregedoria. É isso que é inadmissível. Abusos que não são apurados, investigações que não chegam até o final. Não se tem punição para as pessoas que cometeram abusos.”

A Polícia do Padilha

O ex-ministro da Saúde, “pai” do programa Mais Médicos, acredita em uma polícia nos moldes da de Nova York. Integrada, informatizada, com câmeras espalhadas pelas cidades. Mas também com um caráter mais comunitário e preventivo.

Eu considero absolutamente importante você ter já na formação, momentos em que se junte a PM, a polícia civil e a científica. Ou seja, integrar cada vez mais na formação. Segundo, reforçar a presença da polícia nas ruas, nas comunidades, de forma preventiva. Reforçar esses conceitos na academia de uma polícia cada vez mais presente nas ruas. É uma visão bastante moderna, com muita interação com a comunidade”, comentou Padilha.

Segundo ele, essa interação existia até a gestão do ex-governador Mário Covas, mas foi desmontada nas gestões de Alckmin e Serra.  “Ter momentos conjuntos na formação pra trocar experiências, ter uma atuação comum, alguns conselhos comuns. Isso pode mudar a lógica da polícia militar e civil. Nos últimos anos, o que o atual governador do PSDB fez foi estimular a disputa entre as duas polícias. Nós vimos o que foi quando teve a greve da polícia civil, como que teve a orientação pra uma reação da PM.”

UPP em SP e o poder nos presídios

Antes de ser ministro da Saúde, Padilha foi Ministro das Relações Institucionais e esteve presente na discussão e implantação da política de UPPs no Rio de Janeiro. O pré-candidato elogiou o programa, mas negou a intenção de que São Paulo receba o modelo de UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) para combater o crime organizado no estado.

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O modelo das UPPs tem um papel muito específico no RJ porque a facção criminosa tomava conta de um território, por isso necessitava de mais presença do Estado com educação, saúde, políticas sociais, intervenções urbanas pra permitir a circulação, pra que se pudesse desmontar aquele território que estava ocupado”, disse Padilha.

Para ele, o crime organizado é comandado de dentro dos presídios. “Aqui no estado de São Paulo, o gabinete da facção criminosa está dentro da penitenciária. Por isso tem que sufocar o volume de recursos que essas facções operam. Precisa-se de muita cooperação com o governo federal, com a PF, Receita Federal e muito com isso não permitir que a penitenciária seja o escritório do PCC como é hoje”, ressaltou.

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Nesse sentido, Padilha critica a postura do atual governo e defende uma maior integração das forças de segurança do estado com a Polícia Federal, Ministério da Justiça e com a Receita Federal para combater o crime organizado a partir da origem dos recursos das facções.

O que nós vimos recentemente foram posturas incorretas do secretário de segurança pública de São Paulo de querer fazer disputa com a PF, com o ministério da Justiça. Chegou a fazer bravata e dizer que não precisamos da PF aqui. Só quem perde é a população de São Paulo”, concluiu o pré-candidato.

 

Colaborou Cíntia Alves, Daniel Mori, Luis Nassif e Patricia Faermann

13 Comentários

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Valquíria

- 2014-05-06 04:44:45

A declaração é pra rir demais , né ? Fala sério !

Mas rapá , tudo o que não se precisa neste momento é um candidato sem opinião de vanguarda , neutro , evasivo . É um verdadeiro banho frio uma declaração desse naipe . Não justifica nem por uma vírgula , sequer . Posso ajudá-lo Sr candidado ? Vá fazer medicina , talvez lá o Sr se saia melhor , viu . Procure o sucesso naquilo que conhece e realmente entende . Abraço e sorte (na medicina).

Alan Souza

- 2014-05-05 23:56:33

Tá mal assessorado nessa área

Se acha que vai ganhar voto de PM falando isso, tá delirando.

A polícia de carreira única é a tendência mundial. Defendida pelos melhores pesquisadores da área e pelos policiais sérios que se dedicam a estudar segurança pública. É o modelo inclusive da polícia de NY, citada pelo Padilha.

Acho que, devido a estar mal assessorado nessa área, não tenham explicado pro Padilha que é possível ter uma polícia de carreira única, civil, com ramos diferentes de atuação - polícia judiciária, polícia científica e polícia ostensiva, numa mesma corporação.

Roberto Amaral

- 2014-05-05 23:00:53

Quantos candidatos tucanos SP terá?

Outro dia, li que Lula, na viagem dos ex-presidentes com Dilma ao funeral de Nelson Mandela, disse a FHC que o PT teria um candidato a governador de SP que parece do PSDB.

Estou começando a entender ...

ArthurTaguti

- 2014-05-05 22:47:12

Profundamente desalentadora

Profundamente desalentadora esta entrevista. Padilha poderia ser vanguardista, empunhar a bandeira da desmilitarização, que há cada dia ganha mais adeptos, e me vem com este papo de "tradição". Que p# é essa? Discurso de TFP?

Fala da polícia de NY, de "prevenção", no momento em que a política de tolerância zero foi amplamente discutida na última eleição municipal, em que jovens negros e latinos reclamaram que os critérios preventivos sempre tinham muita relação com a cor e classe social do possível suspeito.

Essa tática de tentar colar no conservadorismo atávico do interior paulista não vai dar certo, neste ponto Alckmin é imbatível. Tenho amigos que moram no Vale do Paraíba, e lá é o tucano na Terra Deus no céu, um eleitorado profundamente religioso, que vive (com exceção da parte mais moderna, nos entornos de São José dos Campos) sob os escombros do passado aristocrático dos barões do café, enfim, nesse lugar petista não entra.

O PT perde quando negligencia o melhor e mais competitivo candidato, Eduardo Matarazzo Suplicy, economista com phD em Michigan, partidário das melhores ideias de Amartya Sen, um grande quadro intelectual e moral do partido, o único aceito pela classe média e pelo eleitorado conservador paulista, nunca se envolveu nem remotamente num caso de corrupção e, para completar, muito querido SIM pela militância.

O maior pecado dele foi não ter rezado na cartilha dogmática da turma do Zé Dirceu, de ter solicitado prévias para disputar a Presidência em 2002, a partir daí começou a ser visto como herege, posto de lado e perseguido pelos pit bulls.

Infelizmente o Padilha não tem uma bagagem intelectual de um Haddad, nem grande força política (trata-se de um neófito), e se continuar com este discurso carola para agradar o que há de mais atrasado no eleitorado de SP, vai ser mais um a sucumbir diante dos tucanos.

drigoeira

- 2014-05-05 21:41:05

Desmilitarizar? Prá quê?

Se o dono do cachorro continua o mesmo...

Sou contra a desmilitarização...sou a favor do controle das polícias pelo governo...coisa que não acontece nem no Governo Federal.

Sou a favor de treinamento humanizado, melhores salários, melhores condições de trabalho, plano de carreira consistente, bonificações por desempenho, punição severa, término dos bicos...

Gunter Zibell - SP

- 2014-05-05 21:32:02

Padilha prefere se apresentar como conservador mesmo

para isso se deixa gravar na missa de Pe. Marcelo, faz declarações minimizando a tortura de animais em rodeios, recolhe cartilhas de educação sexual, suspende campanhas contra DSTs e edita MPs para controlar melhor gestantes.

Se com isso vai seduzir o público conservador de SP não faço ideia, mas acho que não vai, pois já há "candidatos de marca".

Mas NY é alentador em outra coisa. Isso da tolerância zero já foi. Depois reduziram o estado penal (teve um post aqui no blog sobre isso, faz uns dois anos) pois viram que com redução de penas se consegue o mesmo resultado e se libera recursos. E agora estão discutindo não prender mais por porte de maconha.

Qualquer ideia boa para redução de violência e do Estado Penal é bem vinda agora.

Se vier de Padilha é bom, pois ai obriga Alckmin, Skaf e Kassab a se posicionarem melhor também.

 

Humberto Miranda

- 2014-05-05 21:21:30

Desmilitarização já!

O candidato do PT, Alexandre Padilha, quer agradar os setores conservadores com esse discurso. Dizer que não tem que mexer numa tradição na área de segurança pública é bricadeira. Sua candidatura não servirá para nada nessa área. É um piadista. A PM faliu como instituição. Não tem papel mais na sociedade. Padilha não tem coragem de enfrentar o debate com medo de perder voto.

Heitor Augusto

- 2014-05-05 20:22:48

Padilha começou bem mal.  Ao

Padilha começou bem mal. 

Ao citar que é tradição do estado manter 3 polícias, mostra que está apegado ao que há de pior: as tradições.

Além disso, citar Nova Iorque como exemplo de segurança é absurdamente desanimador, pois lá o que vige é a tolerância zero, direitos da polícia inflados e direitos da sociedade reduzidos. Ver um petista falar em tolerância zero é pedir para qualquer outro petista, ou simplesmente progressista, não votar nele.

Por outro lado, pode ser discurso de novato que chega de mansinho para acalentar os policiais paulistas.

Outra coisa é que o cara entra num estado que tem um interior super velhaco e conservador, e precisará dos votos do interior de qualquer maneira.

É complicado analisar neste momento; é um discurso decepcionante por vir do PT, por ir contra o progresso, contra a igualdade e a própria segurança pública. Mas não sei até onde pode ser verdade tendo em vista o jogo de xadrez da política.

 

Rodrigo Moreira

- 2014-05-05 20:12:03

Mas que bosta de entrevista,

Mas que bosta de entrevista, hein?

Contra a desmilitarização? Então é mais do mesmo.

Quer é criticar sem criticar. Falar mal da PM sem se indispor com os PM's. 

O PT virou o PMDB. 

anarquista sério

- 2014-05-05 19:55:21

  Haddad faz uma prefeitura

 

Haddad faz uma prefeitura abaixo da média,Dilma sofre.Celso Pita foi um desastre.

   O que eles tem em comum? São todos ''postes'';

  Se uma pessoa não se sobressair por méritos p´ropios ,não será como poste.

       Ou alguém conhece algum poste brilhante?    Marta,Eduardo ,Aluizio estão meios desgastados.Mas não são postes.Todos tem ( mais ou menos) seu brilho própio.

          De que adianta colocar mais um poste com cheiro de lamparina?

                  Quem não tem luz própia não irá brilhar nunca.

                       Explica pro Lula.

Athos

- 2014-05-05 19:15:55

O cara é contra a solução

O cara é contra a solução obvia.

 

O que podemos falar sobre isso...mais do mesmo.

 

Sinceramente, o cara poderia ter dito que isto é assunto para Governo Federal. Poderia ter dito um monte de coisas...mas não isso.

J. Alberto

- 2014-05-05 19:12:24

Discurso fraco

Não vi o vídeo porque estou no celular, mas o resumo é raso demais, muita firula e pouca efetividade...

Mas o pior mesmo foi ele dizer que São Paulo não precisa de UPPs porque o modelo de recuperação de território controlado pelo tráfico "não se aplica"... Ora essa candidato, vá fazer campanha na periferia e pergunte para a população quem é que manda e desmanda, deixa entrar e sair, abre e fecha tudo nas favelas...

Estamos precisando de políticos com experiência em "vida real"

Fábio de Oliveira Ribeiro

- 2014-05-05 19:05:34

Para mim esta conversão à
Para mim esta conversão à direita é imperdoável. Padilha é um babaca e perdeu meu voto. Farei campanha do voto nulo e, portanto, contra ele.

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