Presos por latrocínio revelam que não se preocupam com revisão da lei

Do Estadão

Pena maior não intimida latrocidas

Eventual aumento das penas de prisão para crimes como o latrocínio, o roubo seguido de morte, conforme tem sido discutido, pode não ter o efeito desejado de desencorajar os criminosos. É o que sugerem entrevistas feitas pelo Estado com cinco latrocidas em prisões de São Paulo. Todos os criminosos afirmam que não pensavam em quantos anos poderiam ficar encarcerados, simplesmente porque não acreditavam que seriam presos.

O latrocínio é conhecido pela polícia como o roubo que não deu certo: o assaltante não sai de casa com a intenção de matar. Mas sabe que esse pode ser o resultado, se a vítima reagir ou se, revistada, resultar sendo policial.

Todos os presos ouvidos pelo Estado estiveram envolvidos na morte de policiais, não por acaso: a polícia concentra suas investigações nos casos em que a corporação é atingida. Quatro dos cinco pediram para não ser identificados porque confessaram crimes durante a entrevista sobre os quais se declaram inocentes perante a Justiça. Nos depoimentos, que duraram cerca de uma hora cada, eles falam dos motivos que os levaram a assaltar, descrevem o crime de forma crua e refletem sobre o que de fato teria evitado que eles enveredassem por esse caminho. Uma figura marcante – ausente ou não – é a do pai. Os textos conservam a forma de falar dos entrevistados.

‘Se eu soubesse que era polícia, eu não tinha dado chance’
‘Se mudasse a lei, eu ia pensar duas vezes antes de ir para o crime’
‘Quando você vai, não fica pensando no que vai acontecer’
TV ESTADÃO: ‘Eu nunca tinha atirado em ninguém, mas atirei de susto’
‘Você acha que abafou, que não vão te pegar’ 

21 comentários

  1. Comentário.

    “Todos os presos ouvidos pelo Estado estiveram envolvidos na morte de policiais, não por acaso: a polícia concentra suas investigações nos casos em que a corporação é atingida.”

    A Polícia talvez esteja cometendo um crime sem perceber.

  2. E os linchamentos vão crescer

    E os linchamentos vão crescer cada vez mais no país. Espero que tomem cuidado com os inocentes e pensem antes de tomarem uma atitude intepestiva.

    Esses dias estava revendo o clássico “Taxi Driver” e percebo como que a violência urbana desperta um clima de revanche na sociedade civil e de ódio nas pessoas de bem, já não é mais um disputa entre Direita X Esquerda.

    A Nova York dos anos 70 era uma terra arrasada e sem perspectiva, muito diferente da atual. 

    • “A Nova York dos anos 70 era

      “A Nova York dos anos 70 era uma terra arrasada e sem perspectiva, muito diferente da atual. “

      Verdade. NY chegou a perder mais de 1 milhão de habitantes entre as décadas de 60 e 80

      O que mudou? A política de tolerância zero do prefeito Giuliani, nos anos 90.

      Mas aqui os pseudo-defensores de direitos humanos sequer admitem rever nosso sistema criminal. A grita desses caras no Congresso é enorme sempre que surge um novo projeto para dar mais segurança ao cidadão. Com isso, criminosos profissionais assaltam, matam, estupram, e em pouco tempo estão de volta às ruas para cometer mais crimes.

      Menores de idade e demais criminosos riem nas delegacias, na cara do delegados, pois sabem que ja já estarão de volta às ruas. E porque sabem que sempre haverá um alienado pseudo-intelectual a postos para defendê-lo.

      • No entanto Bill de Blasio

        No entanto em 70 os EUA já abraçavam a pena de morte e a prisão perpétua, e jovens em idade bem precoce já respondiam à crimes.

        No entanto Bill de Blasio venceu as eleições de NY com a proposta de modificar a política de tolerância zero,  política de segurança conhecida como “stop and frisk” (pare e reviste), para ele segregadora e que só atingiu negros, pobres e latinos.

        http://www.nytimes.com/2014/01/31/nyregion/de-blasio-stop-and-frisk.html?_r=0

      • Nova York conseguiu. Detroit, Washington e Filadélfia não…

        Antes da ascenção conservadora de Reagan/Giuliani. Nos anos 70 até os americanos liberais e médios concordavam que o socialismo ia dominar o mundo.

        Enquanto as metrópoles americanas eram decadentes, no Leste Europeu as capitais eram limpas e com criminalidade baixíssima.

        Como os americanos não tem um estado intervencionista, eles conseguiram investimentos para recuperação urbana atráves da liberação dos mercados financeiros (prejudicando o restante do mundo).

        Mesmo assim investimentos muito desiguais, Nova York se beneficiou por ser uma metrópole global (sede da ONU, principal bolsa de valores do mundo), o que atrai investimentos da inciativa privada e recursos para os governos locais.

      • Legalização do aborto

        A redução da criminalidade nos Estados Unidos veio em sintonia com o passar dos anos após a legalização do aborto. Essa é a tese apresentada no livro Freakonomics. Ninguém é mais sábio do que a própria mulher para determinar o tamanho ideal da família que terá condições de prover e sustentar.

          • Aborto no regime nazista

            Caro Troll,

            Na Alemanha nazista, o aborto era punível com a pena de morte. Não à toa ilustrar seu comentário com a imagem escolhida e nas dimensões que o seu coração pediu. Sabemos muito bem de que lado você está.

          • “Na Alemanha nazista, o

            “Na Alemanha nazista, o aborto era punível com a pena de morte” somente para as arianas, o resto era passivel.

            Mesmo assim os individuos que  tinham deficiência podiam ser eliminados.

            A eugenia nazista (e soviética) é bem documentada, “os alvos foram os indíviduos marcados como “indignos de viver”.

             

  3. O que não se deve

    O que não se deve é dar a esses criminosos qualquer chance de voltarem a assassinar quem quer que seja, e pelas mortes que praticaram, o mínimo que merecem é cadeia perpétua sem regalias, alem de trabalhar pra custear sua prisão, indenizar suas vítimas e sustentar suas familias.

  4. Quando alguém pratica o crime

    Quando alguém pratica o crime nunca está preocupado com a pena.

    Está, no máximo, preocupado com se a justiça vai pegar ou não.

    É assim nos furtos, estelionatos, corrupção, lavagem de dinheiro,….

  5. Latrocínio é “o roubo seguido

    Latrocínio é “o roubo seguido de morte”? E se a morte ocorrer depois do roubo? É latrocínio?

    Alguém, com tempo sobrando, saberia me dizer em que parte desse monte de leis que rolam por aí está descrito o delito “latrocínio”?

    Algum lugar nesse monte de leis tem algum texto que diz “roubo seguido de morte”?

    Por favor, me esclareçam.

    • “Latrocínio é “o roubo

      “Latrocínio é “o roubo seguido de morte”? E se a morte ocorrer depois do roubo?”

       

      Ué, é exatamente isso que acontece no latrocínio.

      Roubo SEGUIDO de morte.

      Ou seja, a morte vem depois do roubo.

      No código penal, Art. 157, § 3º.

      Qual a dúvida?

       

  6. A culpa da morte em

    A culpa da morte em latrocínio é da vítima que reage.

    Eu acho que não tinha que punir severamente os criminosos, eles são mais vitimas do que culpados.

    Todas as pessoas nascem boas, mas a nossa sociedade  meritocrática ,sem dar alternativas, corrompe para o crime.

    Quando um assassino mata sua vitima toda a sociedade esta junto apertando  o gatilho.

    Aumentar as penas é vingança e não resolve o problema. Não tem presidios suficientes para abrigar dignamente agora, imagina se aumentar as penas.

    Aprisionar pessoas é esconder os problemas sociais.

    O alto indice de violência no país, demonstra o nosso fracasso em não ter dado condições para a realização plena e ética da pessoa que comete deslizes.

     

     

     

    • É necessário esclarecer que o

      É necessário esclarecer que o texto é ironico, mostra as falácias usadas pela esquerda para defender a bandidagem.

      O aumento do rigor da aplicação da lei é uma demanda antiga da nossa sociedade, mas a classe politica se faz de surdos.

      Outra é a liberação do porte de arma e ou no minimo a posse em casa  que na prática é proibido para o cidadão.

  7. Opinião

    Opino que:

    a-) Não há diminuição do crime com o aumento das penas, mas sou a favor do aumento das penas no caso de latrocínio e estupro, com ou sem morte, mesmo assim. Em minha opinião não há “justiça” eficiente quando o reparo equânime é impossível… Tô nem aí para quem acha que quero vingança!

    b-) Por mais que as causas psíquicas sejam “misturadas”, acredito sinceramente que a mente criminosa é mais formada na família do que no meio social, ou seja, família sadia com boa formação de caráter é mais importante do que educação formal. É o ambiente familiar quem gera pessoas melhores ou piores.

    c-) O crime é um fenômeno social que nunca acabará, apenas pode ser amenizado e/ou mitigado por politicas sócio econômicas inteligentes.

    d-) Todo bandido é vítima e algoz (e burro), pois por revoltas interiores criadas por vários tipos de “jogos” psicológicos ligados ao abuso, não intui que a sua vida seria muito mais fácil fora do crime… Mas é assim que é desde tempos imemoriais e nunca mudou.

    Um abraço.

  8. Uma visão…

    A sociedade racista e excludente, paradigma da infraestrutura capitalista, utiliza-se da superestrutura repressiva para manter os privilégios.

    Ao incentivar o consumismo e elevar o TER como a suprema forma de realização pessoal é a única responsável, a verdadeira criminosa. Ao mesmo tempo que impede o acesso aos direitos básicos inerentes a dignidade humana busca incessantemente o aumento dos lucros através do incentivo ao consumo desnecessário e supérfluo. Não abordaremos a questão ambiental, embora o processo de acumulação capitalista seja o responsável pela degradação do planeta Terra e o extermínio das populações tradicionais.

    Como culpar um jovem, vítima da espoliação capitalista, por tentar satisfazer as necessidades artificialmente criadas pelo sistema corrupto e escravagista? Ele não é um criminoso, busca apenas emular os grandes ladrões e assassinos que se escondem atrás do direito de propriedade. Para se comprar um Rolex ou um Patek Phillipe são precisas inúmeras horas de extração da mais-valia. O capitalista sanguessuga explora os operários e os camponeses com total apoio das forças estatais, por quê então criminalizar quem segue o exemplo da classe exploradora?

    Os abandonados e despossuídos são detentores da prerrogativa de reação contra a aliança entre as classes altas e o aparato governamental. É um forma de empoderamento transversal, embora realizada em caráter pessoal. Não é crime exigir o que é seu por direito, sob a ótica vigente do direito à propriedade, afinal no objeto alvo estão séculos de transferência da riqueza produzida pelo proletariado, reduzido a lúmpen, pela espúria garantia legal criada pelos detentores do poder.

    Todo resistente ao avanço do capitalismo cruel, degradante e desumano é um herói.

    Avante Camaradas!

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    .

    .

    .

     

    … em modo ON.

    • Texto épico, talvez  um  dos

      Texto épico, talvez  um  dos melhores textos escrito pela humanidade, encheu meus olhos de lágrimas.

      Patria libre o morir.

       

  9. BRINCADEIRA

    Quanto tempo ainda vai levar para acordarem de que a pena capital é necessária ? Eu sempre defendi a pena de morte.

    Até lá vão brincando de experimentar várias formas  de pena , que não vão levar a nada. Não há porque os bandidos se intimidarem com isso : no Brasil só 5% dos homicidios são esclarecidos . 

    A pena de morte levaria de fato a uma intimidacão. Como isso não vai ocorrer , vamos assistindo casos e mais casos de pessoas que sairam para viver sua vida cotidiana e acabaram assassinadas nas mãos dessa turma .

     

    Estudante é assassinado dentro do estacionamento da FEA-USP

    18 de maio de 2011 | 22h 55

    Aluno de Ciências Atuariais, Felipe de Paiva, 24 anos, foi morto com tiro na cabeça durante assalto

     

  10. Enquanto nossos nobres

    Enquanto nossos nobres parlamentares, Ministro da Justiça e Governo se omitem, a barbárie vem tomando conta do país…

    Cidadãos fartos de ver bandidos saindo pela porta da frente das delegacias fazem “justiça” com as próprias mãos, de norte a sul do país. E a “justiça” da turba não é justiça, mas vingança.

    Parabéns a todos pela omissão, incluídos aí os pseudo defensores de direitos humanos e intelectuais de meia-tigela, que obstaculizam qualquer reforma na legislação e permitem com isso que homicidas, estupradores e assaltantes retornem às ruas depois de cumprir dois ou tres anos de pena.

    Já saiu até no El País (colaciono abaixo).

    Parabéns a todos os senhores, co-responsáveis pela volta do Brasil à idade média.

     

    http://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/12/sociedad/1397338644_514132.html

     

    A epidemia da justiça popular

    A situação na Argentina se mimetiza no Brasil, com cidadãos que decidem fazer justiça por conta própria

    “Um milhão de brasileiros participou de linchamentos”O Brasil se revolta a cada imagem São Paulo 12 ABR 2014 – 18:37 BRT

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    Espancamento no Espírito Santo. / REPRODUÇÃO / FACEBOOK

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    As notícias sobre linchamentos proliferam nos jornais locais de todos os Estados brasileiros, mas não constam nas estatísticas. Segundo o Código Penal, o linchamento não é reconhecido como crime e por isso é difícil de calcular quantos atos ocorrem no país. A lista de ações de violência que têm como argumento penalizar crimes de rua é grande. Nos últimos dois meses, pelo menos 10 casos foram noticiados no Brasil. A situação é similar à que acontece na Argentina, que vive uma onda de linchamentos desde meados de março, já levou até mesmo o Papa a se pronunciar sobre a brutalidade dos atos contra ladrões. Apesar da repetição, que prova que não se trata de uma atividade isolada, o Brasil é imbatível em linchamentos, segundo o sociólogo José de Souza Martins, especialista no tema. “Há três anos atrás, eram três ou quatro por semana. Depois das manifestações de junho, passou a uma média de uma tentativa por dia. Hoje estamos a mais de uma tentativa de linchamento diária”, explica.

    A humilhação pública é o princípio do fim, que muitas vezes não acaba na delegacia, mas sim em morte. Um dos casos mais recentes foi o de um adolescente de 17 anos que morreu ontem em Serra, em Espírito Santo (sudeste do Brasil). O jovem Alailton Ferreira foi espancado por um grupo de pessoas que o agrediu com pedras, pedaços de madeira e ferro. Até o momento em que a polícia chegou ao local, segundo oblog Negro Belchior, da revista Carta Capital, não se sabia ao certo a motivação do espancamento. Especulava-se que o rapaz havia tentado praticar um roubo, abusar de uma criança ou estuprar uma mulher. Mas nada ficou comprovado. Também ontem, em São Francisco, no Maranhão um assaltante foi linchado na rua depois de roubar bolsas, joias e celulares de clientes de uma clínica, segundo o jornal local O Dia. Felizmente, outros vizinhos impediram que a agressão continuasse e ele foi encaminhado à delegacia.

    Na quinta-feira, dia 10, um homem conseguiu escapar da ira dos vizinhos em Campina Grande, na Paraíba. Ele foi espancado depois que a polícia o flagrou com dois menores, uma menina de 12 e um menino de 11 anos, em sua casa. Segundo o site de notícias Paraíba Agora, os menores passariam por exame de corpo de delito para comprovar se o abuso chegou a ser consumado.

    A mesma sorte não teve um jovem de 24 anos em Nova Crixás, Goiás, que morreu na segunda-feira, dia 7, depois de ser linchado por um grupo de moradores. O site Goiás News publicou um vídeo gravado pelo celular, em que a cena de extrema violência foi registrada. Isaías dos Santos Novaes, que já tinha passagem pela polícia por estupro, foi detido pela polícia sob suspeita de ter realizado um furto horas depois de uma criança de seis anos ter sido estuprada na cidade. Não havia indícios de que ele havia sido o autor deste crime. Por causa do furto, ele foi autuado e levado para um hospital, onde realizaria um exame de corpo de delito antes da prisão. Mesmo acompanhado de um grupo de policiais, centenas de moradores invadiram o hospital e bateram no rapaz até a morte, conta o site de notícias G1. Outro linchamento, de um suspeito de assalto em Teresina, Piauí, no dia 8 de abril, também foi gravado e as imagens podem ser vistas aqui. Somente esta semana, oito vídeos de linchamento foram colocados no YouTube.

    Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, um jovem de 15 anos foi linchado pelos moradores no domingo passado, dia 5, por acertar o irmão de cinco anos com uma faca, mas acabou morto com tiros na cabeça. Segundo a Polícia, o homicídio se deve a uma ação de gangue, motivada por vingança, o que não tira o peso do espancamento que sofreu na porta de sua casa, vítima de familiares e vizinhos, segundo conta o portal de notícias Terra.

    Em março, os crimes já eram notícia. No dia 22, segundo o Correio de Uberlândia, um homem foi encaminhado ao hospital em estado grave depois de ser agredido por vizinhos que o acusavam de furto, em Uberlândia, Minas Gerais. No mesmo dia, a polícia conseguiu impedir a continuidade de um linchamento em Macapá, no Amapá. Os dois suspeitos de assaltar uma adolescente foram agredidos pelos pedestres que presenciaram o roubo. O G1 colheu depoimentos dos transeuntes e um deles, o auxiliar de serviços gerais Domênico Marques, de 41 anos, chegou a dizer que iam dar uma lição “nesses ‘caras’ porque não tem cabimento as pessoas suarem no trabalho para um homem desse vir e roubar à luz do dia”, um discurso repetido também no ato de violência em Botafogo, no Rio de Janeiro. Naquele dia, um adolescente havia sido amarrado em um poste com um cadeado de bicicleta.

    No mesmo final de semana dos linchamentos de Uberlândia e Macapá, um homem foi morto e duas mulheres foram espancadas depois de roubarem um táxi, em São Luis, Maranhão. Segundo informações do jornal O Imparcial, outros taxistas conseguiram localizar o veículo e atuaram por conta própria, junto a cidadãos que passavam pelo local, a dez quilômetros do centro da cidade. No dia 26 de março, o suspeito de estupro Jeferson de Souza Ramalho, de 18 anos, foi morto a pauladas e pedradas antes que a polícia chegasse ao local, próximo à Lagoa Mundaú, em Maceió, Alagoas. Segundo o siteFolha do Sertão, ninguém foi incriminado, o que geralmente ocorre quando esses atos de violência coletivos são executados.

    “Em 60 anos, um milhão de brasileiros participaram de linchamentos”

    José de Souza Martins é doutor em sociologia e pesquisador do tema dos linchamentos no Brasil, uma investigação que leva há mais de 40 anos. Em seu último levantamento para o livro Linchamentos: a justiça popular no Brasil, que será publicado pela Editora Contexto no começo do ano que vem, o professor já aposentado calcula que “nos últimos 60 anos, um milhão de brasileiros participaram de linchamentos”. Em uma entrevista pelo telefone, explicou algumas das razões pelas quais os justiceiros aumentaram sua atuação no país, em sua maioria, “motivados por estupros de crianças e incestos”, explica.

    Pergunta. Os linchamentos que vemos na Argentina e acompanhamos no Brasil desde fevereiro, quando o caso do rapaz preso a um poste em Botafogo, no Rio de Janeiro, apareceu em vários meios de comunicação, é uma bola de neve?

    Resposta. Eu não estou acompanhando os casos na Argentina, mas certamente não é um caso isolado no Brasil, acontece em várias partes do mundo, como a África. No entanto, o Brasil é o país que mais lincha no mundo, e posso afirmar isso pelo material da minha pesquisa, nos últimos 40 anos. Existem linchamentos e tentativas de linchamentos. O caso do Rio, é uma modalidade de tentativa de linchamento, que há três anos atrás eram três ou quatro por semana, mas que depois das manifestações de junho, passou a uma média de uma tentativa por dia. Hoje estamos a mais de uma tentativa de linchamento diária.

    P. E quais são as razões para esse aumento? As pessoas repetem os atos que são transmitidos pelos meios? Atuam por conta própria?

    R. As causas são várias. O linchamento é sempre uma reação defensiva da sociedade contra o aumento da insegurança e da violência. Mesmo que haja violência e brutalidade no linchamento, se trata de uma reação autodefensiva, mesmo que seja injusta.

    P. E quais são as motivações? Existe alguma constante?

    R. As multidões geralmente reagem contra estupro de crianças e incesto. Os roubos pesam menos na decisão de linchar, não que sejam insignificantes, mas 3/4 dos linchamentos são motivados por crimes contra a pessoa. Meu cálculo, que fiz para o livro Linchamentos: a justiça popular no Brasil, é que nos últimos 60 anos um milhão de brasileiros participaram de linchamentos.

    P. Dos casos que o senhor acompanhou, existe algum índice de impunidade sobre esses linchamentos?

    R. Não existe o crime de linchamento. Fica difícil de utilizar os registros policiais para saber se está aumentando ou diminuindo, justamente por isso. Os que se veem envolvidos acabam sendo processados, mas existe o atenuante de crime de grupo. O Código Penal costuma ser benevolente nestes casos e raras vezes a polícia consegue incriminar. É muito difícil identificar as pessoas que cometem esses atos bárbaros.

     

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