Puxando a segurança pela memória

Por JOSE AMAURI DANTAS, no Portal LN

Falarei do que vi e não do que li.

Quando “criança pequena lá na Paraíba”, ali pelos anos cinqüenta, a segurança era privada, ou seja: quem tinha “alguma coisa”, precisava ter também “alguma coisa” que lhe desse segurança e era justamente nesse contexto que apareciam as figuras do pistoleiro, do jagunço e do próprio cangaceiro, um pouco mais pra lá, que tomava dos inimigos para enfraquecê-los diante dos amigos.

A polícia que existia nas pequenas cidades e atuava em condições deploráveis, servia aos prefeitos e políticos mais influentes, para resolver as pendengas de menor importância, como os crimes e conflitos no âmbito familiar, assim como punir exemplarmente aquele vagabundo que fazia baderna e praticava pequenos furtos.

Então em 1964 veio o golpe e com ele um novo conceito sobre criminalidade. A partir dali o estado usava sua força para tratar de outro tipo de bandido, que era o famoso “subversivo”, mesmo que não chegasse a ser uma figura com idéias claramente “comunistas”, bastava que pensasse diferente.

A segurança continuava sem alterações nesse período sob intervenção militar e realmente a criminalidade se mostrava menor, até pela falta dos programas policiais, que hoje em dia chegam a ocupar duas horas num canal de TV de grande audiência em horário nobre. Outro atenuante, era a extrema pobreza da população, onde a maioria não possuía nada que chegasse a encher os olhos de um ladrão com um mínimo de bom senso.
Em 1974 passei a trabalhar em banco, andei por dez agências em três estados do Nordeste e, mesmo em plena ditadura, já havia a preocupação com os assaltos, até que aconteceu o primeiro na Paraíba no BB de Areia, já com vítima fatal, no início dos anos oitenta e dali para frente às investidas a cada dia foram se tornando mais freqüentes.

Durante esse período, até a implantação das famigeradas portas giratórias, os poderosos entravam normalmente nas agências exibindo os trabucos, enquanto os “seguranças” mostravam os seus, escorados em uma parede qualquer, observando os patrões.

Atualmente continua igual: quem tem o que defender, além da vida, substituiu o segurança armado, ou acrescentou ao mesmo a cerca elétrica e toda parafernália eletrônica disponível nas empresas de segurança privada, a maioria com monitoramento à distância.

Certamente o crime evoluiu em escala maior que a segurança pública, porque se tornou a atividade mais rentável nesse País depois dos bancos e, enquanto não cobrarmos dos políticos mudanças nas Leis, dos juizes o cumprimento das mesmas e dos “apresentadores policiais” os nomes, endereços e CPFs daqueles que comandam o crime organizado, não podemos esperar avanços nessa área.

Quando o Datena começar a mostrar os “chefes” me avisem, que me tornarei seu fã.

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3 comentários

  1. Segurança Publica: Publica & Privada ou Privada + Publica

     Quem sabe, talvez terceirizada, como Publica + Privada ou até mesmo aconselhada e monitorada pelo Publico, que se utiliza do Privado – Sisifo renovado aos novos tempos.

      Não se surpreendam com a “salada complicada” acima, mas a miriade de empresas de segurança privada somente subsistem e faturam cada dia mais, pela falta da segurança publica – o que é até “engraçado”, pois se alguem tivesse a paciência ( coragem), pode facilmente verificar que a maioria destas empresas, são dirigidas por ex- funcionarios egressos de carreiras da segurança publica (militares, delegados, investigadores etc..), o que é deveras estranho – afinal alguem compraria um serviço privado, comandado por pessoas que quando atuavam na esfera publica, foram incompetentes ao deixar que se chega-se a esta atual situação ?

  2. “Então em 1964 veio o

    “Então em 1964 veio o golpe””, meu Santo Inacio mas será que não tem noção de Historia do Brasil?

    Em 1937 veio o Estado Novo que proporcionalmente era muito mais repressivo, até na eficiencia, do que o governo militar de 64, o DOPS é do Estado Novo, assim como a policia politica de Filinto Muller e os “secretas” do regime.

    Mas na Primeira Republica tambem havia forte repressão a greves, movimentos politicos fora do consentimento dos

    manda-chuvas da Republica Velha,  “comigo e na madeira” e ” questão social é caso de politica”, frases famosas do Presidente Washington Luiz,  a politica de segurança do Brasil no seu contexto, formato e principios foi implantada com o Descobrimento, nunca foi gentil ou cidadã, funciona assim com poucas variações, a despeito de bons formuladores que estão há decadas tentando reforma-la sem muito sucesso.

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